O Que Fazer Quando o Amor Esfria? Pegue a Toalha
O gesto de Maria ao ungir e lavar os pés de Jesus antes da crucificação está registrado no capítulo 12 do evangelho de João. Mais do que um simples ato de adoração, essa atitude carrega um profundo simbolismo espiritual e relacional. Maria, diferente de sua irmã Marta, escolhia estar aos pés de Jesus para ouvir suas palavras, demonstrando maturidade espiritual e sensibilidade à presença divina (Lucas 10:39).
Enquanto Marta se ocupava em servir (João 12:2), Maria se derramava em adoração. Ambas são expressões válidas de amor, mas Maria representa aquele momento em que paramos tudo para ouvir, tocar e servir com o coração. Em nosso dia a dia, também vivemos essa dualidade: somos Marta nas tarefas, nos compromissos, na correria... mas precisamos ser Maria nos afetos e na intimidade com quem amamos.
Ao lavar os pés do seu esposo, você não está apenas realizando um gesto simbólico. Está dedicando tempo, atenção e toque. Está dizendo, com as mãos e com o coração: “eu vejo você, eu me importo com você”. Isso é amor em ação.
Maria demonstrou humildade, gratidão e ternura a Jesus. E esse exemplo ecoa até hoje como um convite: amar é servir. Em um relacionamento saudável, o lavar dos pés não é submissão forçada, tampouco humilhação. É escolha. É dizer: “eu não me coloco acima de você, estou ao seu lado, disposta a cuidar”.
Muitas mulheres perguntam se o marido também pode lavar os pés da esposa. A resposta é: claro que sim! O ato de lavar os pés não diz respeito a hierarquia, mas à disposição de amar com humildade. É como Jesus nos ensinou: os que se humilham serão exaltados — não os que foram humilhados (Lucas 14:11). Existe uma grande diferença entre ser humilhado e escolher se humilhar por amor.
Às vezes, o coração está tão ferido que o amor parece distante. Se restaram apenas amargura, dor e ressentimento, talvez seja hora de tocar o passado com misericórdia. De lembrar do homem por quem você se apaixonou, por quem seu coração acelerava só de pensar. Não é fácil, mas é possível. Comece pelo toque. Comece pela escolha de abaixar a guarda.
Costumo dizer que existem pessoas que cultivam pecados de estimação, mas há outras que mantêm traumas de estimação. Ficam presas ao que lhes feriu, como se aquilo definisse quem são. Mas não precisamos viver sob o peso da dor. Deus nos convida a viver o hoje, a curar e a amar de novo.
Jesus, poucos dias depois de ser ungido por Maria, lavou os pés de todos os seus discípulos — até mesmo os de Judas. Amor e humildade são marcas essenciais do caráter cristão, e também da vida a dois.
O ato de lavar os pés pode (e deve!) se repetir no casamento. Reserve, pelo menos uma vez ao ano, um momento para esse gesto. Quando você se ajoelha para tocar os pés do seu cônjuge, tudo para. Não há espaço para distrações, nem para o celular ou a televisão. Há apenas dois corações diante do outro. É tempo de olhar, tocar, perdoar, agradecer, recomeçar.
Se ele fizer o mesmo por você, permita-se ser servida com amor. E se for você quem está lavando, aproveite para orar em silêncio enquanto toca os pés dele. Pense no caminho que vocês têm trilhado, nas batalhas vencidas, nos sonhos compartilhados.
Nos casamentos, é comum surgirem comparações: quem faz mais, quem trabalha mais, quem se doa mais. Isso é o lado Marta querendo dominar. Mas num relacionamento saudável, cada um assume suas responsabilidades com amor e respeito mútuo. Ninguém está acima. Ambos caminham lado a lado.
Esta semana, por exemplo, meu marido comentou que seus sapatos estavam machucando seus pés. Naquele momento, percebi que era a oportunidade perfeita para demonstrar amor. Peguei água morna, uma toalha, e dediquei um tempo só para ele. Paramos tudo. Foi um momento de reconexão.
Quando lavamos os pés um do outro, estamos permitindo que a luz de Deus brilhe em nosso casamento. Estamos dizendo: eu escolho continuar amando, servindo, caminhando com você.
Que este gesto se torne parte da sua rotina de amor. Não por obrigação ou para ser exaltada, mas por prazer em servir quem você ama. Amar, afinal, é se doar — com alegria, com leveza e com humildade.
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