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Mostrando postagens de março 17, 2025

Apenas um olhar

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Foi apenas um olhar, e o tempo parou, Um instante suspenso que a alma guardou. Não houve palavra, promessa ou gesto, Só um silêncio profundo e manifesto. Foi apenas um olhar, e tudo mudou, O fardo pesado no chão descansou. As sombras fugiram, a dor se calou, No brilho divino que me alcançou. Foi apenas um olhar, mas nele havia A graça infinita, a doce harmonia. Chamava-me manso, sem culpa ou temor, Abrindo caminhos de paz e amor. Foi um olhar que rasgou a distância, Revelando verdades em pura constância. Um toque sem toque, um sopro sem vento, A vida contida num breve momento. Era um olhar de chegada ou partida? De quem já viveu ou quem vê a vida? Brilhava sereno, ardia calado, Um fogo discreto, jamais apagado. Olhar que redime, que sara e refaz, Que envolve o perdido e lhe traz nova paz. Não pede respostas, apenas se entrega, Transforma a alma que nele se achega. Sem perguntas, sem medo ou pressa, Um olhar bastou para que eu soubesse: Há encontros que falam sem precisar voz,...

Nossa Mente é Mentirosa e Nosso Coração Enganoso: A Profundidade da Natureza Humana

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A Bíblia nos adverte com clareza sobre a complexidade e a fragilidade da natureza humana, e uma das passagens mais impactantes sobre isso está em Jeremias 17:9: “Enganoso é o coração mais do que todas as coisas e perverso; quem o conhecerá?”. Essa declaração profunda nos alerta sobre o papel do coração e da mente na formação de nossas crenças, atitudes e decisões. Mas o que isso realmente significa, e como podemos compreender a relação entre o que pensamos, sentimos e agimos? A Mente e Seus Enganos A mente humana é um dos maiores mistérios da criação. Ela possui uma capacidade extraordinária para raciocínio, análise e tomada de decisões. No entanto, a mente também tem uma tendência a enganar a nós mesmos. As falsas percepções, as justificativas para nossas falhas, e a tendência a distorcer a realidade para evitar confrontar a verdade são exemplos claros disso. Muitas vezes, vemos o que queremos ver e criamos realidades alternativas que nos permitem continuar com comportamentos preju...

Parabola: O Fabricante do Silêncio

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Ninguém nunca via o Fabricante do Silêncio chegando. Era como se estivesse sempre ali, pairando, presente no espaço entre as palavras não ditas. Seu trabalho não era criar silêncio natural, aquele que existe entre os pensamentos ou na solidão escolhida. Ele moldava o silêncio da pressão, aquele que se impõe sobre os ombros como um peso invisível. As pessoas aprendiam cedo a reconhecer sua obra. Na infância, quando a mãe, exausta, não queria ouvir perguntas demais. Na adolescência, quando as opiniões eram engolidas para evitar risos ou olhares de desaprovação. Na vida adulta, quando a coragem de falar era esmagada pela expectativa de que certas verdades não deviam ser pronunciadas. O Fabricante do Silêncio trabalhava nas entrelinhas. Ele estava nas reuniões onde ninguém ousava discordar do chefe. Nos almoços de família em que certos assuntos eram tabu. Nos relacionamentos onde os sentimentos eram sufocados pelo medo de perder o outro. Cada vez que alguém mordia a língua antes de express...

O Sangue da Nova Aliança: Cristo e o Sistema Sacrificial Levítico

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  Jesus compreendeu Sua morte dentro do contexto do sistema sacrificial levítico, especialmente em conexão com o cordeiro pascal (Êxodo 12), a oferta pelo pecado (Levítico 4–5) e o Dia da Expiação (Levítico 16). Essa compreensão está profundamente enraizada na teologia bíblica do sacrifício, que permeia tanto o Antigo quanto o Novo Testamento. Jesus como o Cordeiro da Páscoa A Páscoa era uma celebração central para o povo de Israel, instituída por Deus para marcar a libertação dos israelitas da escravidão no Egito (Êxodo 12). O cordeiro pascal, cuja carne era consumida e cujo sangue era aspergido nos umbrais das portas, servia como um sinal de proteção contra o juízo divino. Essa tipologia encontra seu cumprimento em Jesus. Durante a Última Ceia, Jesus identificou Seu corpo e Seu sangue com os elementos pascais (Lucas 22:19-20; Mateus 26:26-28), mostrando que Ele era o verdadeiro Cordeiro de Deus, cuja morte traria redenção definitiva. João Batista antecipou essa realidade ao decla...