Apenas um olhar

Foi apenas um olhar, e o tempo parou, Um instante suspenso que a alma guardou. Não houve palavra, promessa ou gesto, Só um silêncio profundo e manifesto. Foi apenas um olhar, e tudo mudou, O fardo pesado no chão descansou. As sombras fugiram, a dor se calou, No brilho divino que me alcançou. Foi apenas um olhar, mas nele havia A graça infinita, a doce harmonia. Chamava-me manso, sem culpa ou temor, Abrindo caminhos de paz e amor. Foi um olhar que rasgou a distância, Revelando verdades em pura constância. Um toque sem toque, um sopro sem vento, A vida contida num breve momento. Era um olhar de chegada ou partida? De quem já viveu ou quem vê a vida? Brilhava sereno, ardia calado, Um fogo discreto, jamais apagado. Olhar que redime, que sara e refaz, Que envolve o perdido e lhe traz nova paz. Não pede respostas, apenas se entrega, Transforma a alma que nele se achega. Sem perguntas, sem medo ou pressa, Um olhar bastou para que eu soubesse: Há encontros que falam sem precisar voz,...