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Mostrando postagens com o rótulo encarnação

Os Reis Magos que Visitaram Jesus

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A narrativa do nascimento de Jesus, como muitas vezes é contada, acabou se tornando simples demais. Fala-se com naturalidade de três reis sábios ajoelhados diante de um bebê numa manjedoura, mas o evangelho de Mateus conduz o leitor por um caminho muito mais profundo, cheio de ecos das Escrituras e de ironias teológicas cuidadosamente construídas. Mateus não informa quantos visitantes vieram do Oriente. O número três surge apenas a partir dos presentes oferecidos, não do texto em si. Também não há qualquer referência à manjedoura em seu relato — esse detalhe pertence ao evangelho de Lucas. No evangelho de Lucas, a palavra traduzida por manjedoura é o termo grego phatnē (φάτνη), que designa, de forma simples e direta, um cocho ou recipiente usado para alimentar animais. Não se trata de um berço simbólico ou ornamentado, mas de um objeto comum, funcional, associado ao cuidado diário e à subsistência básica. No mundo antigo, a phatnē era parte do ambiente mais humilde da casa ou do est...

Quando o Natal se Torna Idolatria: Um Chamado à Liderança Cristã

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O Natal é uma das épocas mais esperadas do calendário cristão. No entanto, também é uma das mais distorcidas. Para muitos líderes, dezembro virou o mês da performance: corais afinados, cenários impecáveis, peças teatrais elaboradas e sermões carregados de emoção. Mas precisamos fazer uma pergunta incômoda: temos pregado Cristo ou apenas produzido sentimentos passageiros? A encarnação do Filho de Deus não foi um espetáculo para entreter. Foi a intervenção mais radical da história: o Deus santo entrando em carne humana, sujeitando-se à miséria da humanidade, para salvar pecadores. Reduzir isso a lágrimas superficiais, a frases motivacionais ou a climas natalinos é trair o Evangelho. O perigo da plateia Lucas relata que o anúncio do nascimento de Jesus foi feito a pastores anônimos nos campos (Lc 2:11). Não havia plateia, apenas homens simples. O céu não se moveu para emocionar, mas para anunciar: nasceu o Salvador. Pergunto: quando você, líder, prepara sua mensagem natalina, pensa ma...

O Natal de Verdade

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O Natal nos confronta com a humildade extrema de Deus. O Filho eterno se esvaziou, deixando glória e poder, para nascer entre os homens. Esse ato não é apenas simbólico; ele exige reflexão profunda sobre nossas próprias vidas. Quantas vezes nos recusamos a descer do pedestal, ceder em orgulho ou abrir mão de nossos desejos para seguir a vontade de Deus? O nascimento de Cristo desafia a complacência e a arrogância, lembrando que verdadeira fé requer esvaziamento e entrega total. A encarnação de Cristo evidencia que Deus valoriza ações sobre palavras. É fácil professar fé, mas difícil viver coerentemente com os princípios que ela exige. O Verbo que se fez carne é um chamado à autenticidade: nossas vidas devem refletir os mesmos valores que proclamamos. Humildade, serviço, paciência e obediência não são opcionais; são requisitos do seguimento real de Cristo. O confronto é direto e pessoal: estamos dispostos a nos humilhar, a renunciar conforto, prestígio e controle, como Cristo fez? O ...