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A Ética Divina: O Bem em Deus e Deus no Bem

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Deus existe. E, sendo Ele o fundamento de toda realidade, surge a questão inevitável: o bem é bom porque Deus o faz, ou Deus faz porque é bom? Essa reflexão não é meramente filosófica, mas profundamente prática. Afinal, se o Criador é a fonte da moralidade, então a definição do que é bom e justo não depende de convenções humanas, mas da Sua própria natureza. A ética divina nos leva a compreender que Deus não apenas pratica o bem, mas é o próprio Bem em essência . Ele não age conforme uma regra externa, pois não há padrão acima d’Ele; pelo contrário, é a Sua natureza santa que estabelece o que é justo. Isso significa que o que Deus faz não é bom por ser arbitrário, mas porque Ele é santo, perfeito e absolutamente coerente com Sua essência. Por isso, quando nos perguntamos o que Deus faria ou não faria em determinada situação, não se trata de especulação teórica, mas de confiança no Seu caráter. Diferente da ética humana — que é limitada, mutável e influenciada por interesses e conte...

Herança Invisível: A iniquidade, a Epigenética e o Legado Espiritual

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  A iniquidade, no contexto bíblico, é compreendida como uma forma de pecado que vai além de meras ações erradas ocasionais. Ela é frequentemente associada a uma perversão da justiça, uma rebeldia contínua contra Deus e um estado de corrupção moral. Diferente de um pecado isolado, a iniquidade representa um padrão persistente de comportamento contrário à vontade de Deus. Em Salmos 51:5, Davi reconhece sua condição: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe." Aqui, ele destaca que a iniquidade é algo que pode estar presente desde o nascimento, sendo transmitida ao longo das gerações. Um versículo relevante que menciona o impacto da iniquidade de uma geração sobre outra é Êxodo 20:5, que diz: "Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam." Essa passagem tem sido interpretada como uma indicação de que os pecados dos pais podem ter consequências dura...

Entre Passos e Palavras: A Conexão Profunda entre Calúnia e Integridade

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 A conexão entre a língua e a moralidade, especialmente nos textos antigos, revela a profundidade com que as palavras são vistas não apenas como veículos de comunicação, mas como atos que carregam peso e consequências. No hebraico, a relação entre o verbo para “caluniar” e a palavra para “pé” ilustra de forma marcante essa perspectiva. Calúnia e Caminhada: Uma Relação Inesperada No Salmo 15, o salmista descreve a pessoa íntegra como alguém que “não calunia com a língua”. A palavra hebraica para “caluniar” é רָגַל ( ragal ), que compartilha sua raiz com רֶגֶל ( regel ), que significa “pé”. Essa conexão não é meramente linguística; ela revela um significado mais profundo. Caluniar não é apenas fazer uma declaração falsa ou maldosa, mas um ato comparável a caminhar por cima da reputação de outra pessoa, pisoteando sua dignidade com palavras. A Caminhada com Integridade A metáfora de “andar com integridade”, também encontrada no Salmo 15, reforça a ideia de que nossas ações, palavras e...