Postagens

Mostrando postagens com o rótulo discernimento

Entre o que eu quero e o que eu preciso fazer

Imagem
Hoje, ao reler a carta de Judas, encontrei-me refletindo profundamente sobre algo que sempre me perseguiu: a diferença entre aquilo que eu desejo fazer e aquilo que realmente preciso fazer. Judas começa sua carta revelando algo muito humano—ele queria muito escrever sobre a salvação que partilhava com seus irmãos. Essa era sua opinião, seu desejo, talvez até mesmo sua paixão do momento. Mas à medida que ele escrevia, percebeu que Deus o constrangia a falar do que era, de fato, necessário: encorajar os fiéis a lutarem pela fé que receberam. É fácil para mim listar o que passa pela minha cabeça. Minhas opiniões, vontades, preferências... tudo isso flui como um rio caudaloso dentro de mim. Sinto vontade de comentar sobre tantos temas, sair correndo para defender minhas ideias, compartilhar toda paixão que me move. Mas será que tudo o que penso, tudo o que quero precisa realmente ser dito ou feito? Judas percebeu que não. Nem eu. Com o tempo e com tropeços, entendi que há um chamado Divi...

Oseias e Gomer x Nabal x Abigail

Imagem
Oséias e Gômer O relacionamento descrito em Oséias não é um modelo de perdão conjugal para homens. A história fala sobre o relacionamento de Deus com Israel , usando a infidelidade de Gômer como metáfora da idolatria do povo. O foco da narrativa é a fidelidade e amor de Deus , não a obrigação de um homem perdoar sua esposa infiel. Culturalmente, Gômer é secundária; a narrativa usa sua infidelidade como símbolo espiritual , sem instruções práticas para lidar com traição ou abuso. Nabal e Abigail (1 Samuel 25) Abigail, esposa de Nabal, tolera a insensatez e a violência doméstica do marido com paciência, sabedoria e iniciativa. Diferente de Gômer, aqui o púlpito muitas vezes enfatiza a virtude feminina da paciência e da diplomacia , mostrando Abigail como modelo de comportamento para mulheres que enfrentam maridos difíceis. O foco é prático: ação da mulher que evita destruição , mesmo diante da violência doméstica, exaltando sua paciência e discernimento. 2️⃣ Dis...

Púlpitos e Seleção de Textos: Gênero, Perdão e Intercessão em Abigail e Gômer

Imagem
No ensino popular e nas pregações contemporâneas, muitas vezes encontramos uma aplicação seletiva das Escrituras que reforça padrões de gênero culturais mais do que princípios bíblicos equilibrados. Dois exemplos clássicos ilustram essa tendência: Abigail e Nabal , e Oséias e Gômer . Embora ambos os casos abordem temas de perdão, intercessão e restauração, a maneira como são aplicados nos púlpitos revela uma disparidade preocupante entre homens e mulheres. 1. Abigail e Nabal: paciência e intercessão feminina O relato de Abigail (1 Samuel 25) apresenta uma mulher sábia e corajosa que enfrenta a insensatez de seu marido, Nabal. Ele despreza Davi e age de forma violenta e tola, colocando a própria casa em risco. A Bíblia destaca a iniciativa de Abigail : ela age com paciência, intercede, e consegue evitar derramamento de sangue. Nos púlpitos, essa história é frequentemente usada para ensinar às mulheres a necessidade de tolerância, paciência e diplomacia diante de maridos difíceis . A...

O Desafio de Discernir o Tempo: Entre Aparecer e se Esconder

Imagem
  Ao final de um discipulado em grupo sobre os princípios bíblicos extraídos da multiplicação dos pães e peixes, fui desafiado a refletir sobre qual dos ensinamentos mais mexeu comigo. O convite era simples, mas profundo: compartilhar, em um artigo, o princípio que mais exige de mim enquanto discípulo de Cristo. Escolhi confessar que o maior dos meus desafios é o décimo princípio:  discernir a hora de aparecer e de se esconder , saber quando falar e calar, parar ou continuar. O Contexto do Discipulado Durante nossa jornada em grupo, mergulhamos em temas fundamentais: liderança servidora, fé na soberania de Deus, generosidade, organização, responsabilidade, entre outros. Cada princípio foi debatido com entusiasmo, conectado a experiências pessoais e, ao final, cada participante recebeu a tarefa de identificar o aspecto mais desafiador para si mesmo. Enquanto muitos destacaram questões ligadas à confiança ou à partilha, para mim ficou claro que meu maior campo de batalha está no...

A Modéstia Bíblica: A Graça de Viver Fora do Palco

Imagem
  Desde os primeiros capítulos das Escrituras, a espiritualidade verdadeira nunca esteve ligada à exibição ou à conquista de espaço. A narrativa bíblica revela um Deus que se aproxima de homens e mulheres comuns, não para torná-los celebridades espirituais, mas para formar neles um caráter moldado pela obediência, pelo temor e pela reverência. A modéstia, nesse contexto, não é uma qualidade periférica ou estética — é o próprio perfume de uma vida escondida em Deus. A modéstia bíblica é uma virtude silenciosa, mas profundamente ativa. Ela não se impõe, mas se oferece. Não grita, mas sustenta. Trata-se de uma disposição interior que brota de um coração alinhado ao Senhor, que reconhece que tudo vem d’Ele e para Ele deve retornar. Em um mundo que encoraja a autopromoção, a modéstia é um sinal de sabedoria: ela sabe esperar, sabe calar, sabe recuar quando necessário. Não por fraqueza, mas por força controlada. Quando lemos sobre mulheres como Sara, Rute ou Maria, a mãe de Jesus, enco...

Quando o Caminho Fecha — Deus ou o Inimigo?

Imagem
Em nossa jornada com Deus, é comum nos depararmos com portas fechadas, obstáculos imprevistos e bloqueios que interrompem aquilo que, até então, parecia uma direção clara do Senhor. Surgem então as perguntas inquietantes: “Esse impedimento vem de Deus ou do inimigo? Estou sendo redirecionada pelo Senhor ou desviada por forças espirituais do mal?” . Discernir isso exige maturidade espiritual, conhecimento bíblico e sensibilidade à voz de Deus. A Soberania de Deus: Nada está fora do Seu controle O ponto de partida para essa reflexão precisa ser a soberania de Deus. A Escritura afirma que Deus opera todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade (Efésios 1:11). Isso não significa que Deus é o autor do pecado ou que compactua com o mal, mas que nada acontece fora do Seu controle supremo . Até mesmo os atos de Satanás, por mais malignos que sejam, são permitidos com propósito. Quando Paulo escreve aos tessalonicenses, ele afirma que foi impedido por Satanás de visitá-los (1 Ts 2:18). M...

Sabedoria em Provérbios 1

Imagem
Em Provérbios 1:1–4, o rei Salomão oferece mais do que conselhos atemporais — ele nos entrega um plano divino para uma vida habilidosa. É um chamado para pastores, líderes e cristãos comuns que desejam fundamentar sua caminhada em sabedoria, correção e propósito, especialmente em meio à complexidade do mundo moderno. Logo nos primeiros versículos, somos convidados a uma vida de sabedoria, maturidade e alinhamento com o Céu. Não apenas para adquirir conhecimento, mas para sermos moldados — esculpidos pela sabedoria divina. Sabedoria não é apenas informação — é intimidade com a verdade de Deus. E essa intimidade transforma tudo: como lideramos, como amamos e como vivemos. Vamos refletir sobre três verdades extraídas de Provérbios 1:1–4 que continuam ecoando com poder até hoje: 1. A Sabedoria Deve Ser Conhecida com Intimidade “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência…” (Provérbios 1:2) Sabedoria não é teologia seca — é intimidade apli...

Planos, Motivações e o Coração que Deus Vê

Imagem
  Provérbios 16:1-3; 16:9 Sonhar, planejar, estabelecer metas… tudo isso é parte da vida cristã. Mas é possível sonhar certo da maneira errada. Por isso, o livro de Provérbios nos adverte com sabedoria: “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor, a resposta da boca” (Pv 16:1, ARA) “Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos” (Pv 16:3, ARA) “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16:9, ARA) Não é errado fazer planos — o erro está em não consagrá-los . E consagrar, no original hebraico, significa abrir mão da posse e entregar algo ao Senhor como propriedade exclusiva d’Ele . Coração: A Sede das Motivações Na mentalidade hebraica, o “lev” (coração) é o centro das decisões, pensamentos e intenções. Deus não está apenas atento ao que fazemos, mas às motivações por trás das nossas ações . Ele é aquele que sonda (Sl 139:1-2). Tiago 4:1-4 mostra que orações podem não ser atendidas porque...

Mulher, que tenho eu contigo?

“Mulher, que tenho eu contigo?” — Um Chamado ao Discernimento Espiritual nas Bodas de Caná No coração do evangelho de João, encontramos uma das interações mais intrigantes entre Jesus e Sua mãe, Maria. Durante as Bodas de Caná, quando o vinho acaba, Maria se volta a Jesus esperando uma solução. A resposta Dele surpreende: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” (João 2:4) A linguagem usada por Jesus, embora possa parecer estranha aos ouvidos modernos, era profundamente respeitosa. O termo “mulher” , longe de ser rude, era um modo cortês e honroso de se dirigir a uma dama. Mais tarde, Jesus o repete na cruz ao cuidar do futuro de Sua mãe, demonstrando carinho e dignidade. A frase “que tenho eu contigo?” era uma expressão idiomática hebraica e grega, indicando que os propósitos de Jesus estavam sob a direção do Pai. Ele age com plena consciência do tempo divino. Ainda assim, esse episódio revela algo grandioso: Maria intercede, e Jesus atende. Mesmo que n...