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Discernimeto Espiritual em tempos de confusão

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DISCERNIMENTO ESPIRITUAL: UMA NECESSIDADE, NÃO UMA OPÇÃO Ao longo da história da igreja, o discernimento espiritual nunca foi um tema periférico. Desde o período apostólico, a fé cristã precisou se desenvolver em meio a ensinos concorrentes, falsas interpretações e pressões culturais. A advertência de 1 João 4:1 não foi circunstancial, mas estrutural: provar os espíritos é parte da vida cristã madura. O discernimento não surgiu como refinamento teológico para especialistas, mas como mecanismo de preservação da verdade revelada. A igreja primitiva enfrentou distorções sérias acerca da pessoa de Cristo, da graça e da autoridade apostólica. Em Atos 17:11, os bereanos são apresentados como modelo porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se o que ouviam era fiel à revelação. Esse padrão permanece atual. A fé cristã nunca foi sustentada por carisma, popularidade ou impacto emocional, mas pela conformidade com a Palavra. No cenário contemporâneo, o desafio é intensificado pe...

Quando a igreja quer participar do chiqueiro

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A parábola do filho pródigo, registrada em Lucas 15:11–32, integra um conjunto de três narrativas sobre perda e restauração. Jesus a dirige a fariseus e escribas que murmuravam porque Ele recebia pecadores. Portanto, não é apenas uma história sobre um jovem rebelde, mas uma exposição do coração de Deus diante do arrependimento e uma confrontação direta da religiosidade endurecida. O filho mais novo pede a parte da herança que lhe cabia. Em termos culturais, isso equivalia a desejar a morte do pai. A ruptura começa no coração antes de se manifestar em geografia. Ele parte para longe, desperdiça os bens e, quando sobrevém a fome, experimenta a degradação. Cuidar de porcos e desejar sua comida representava impureza extrema para um judeu. A narrativa não suaviza a consequência do pecado. A distância da casa não produz autonomia duradoura, mas miséria progressiva. O texto afirma que ele “caiu em si”. A fome foi instrumento pedagógico. Deus, em Sua providência, muitas vezes usa circunstânci...

Resenha da Obra de James W. Sire: Por que bons argumentos não funcionam: superando as barreiras à comunicação da fé.

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 SIRE, James W. Por que bons argumentos não funcionam: superando as barreiras à comunicação da fé . São Paulo: Vida Nova, 2012. Em Por que bons argumentos não funcionam , James W. Sire investiga um problema recorrente no testemunho cristão contemporâneo: a constatação de que argumentos logicamente sólidos nem sempre produzem convencimento ou mudança de perspectiva. O autor parte da experiência pastoral, apologética e acadêmica para demonstrar que a comunicação da fé envolve dimensões mais amplas do que a mera coerência racional. Sire argumenta que os indivíduos não são movidos apenas por lógica, mas por narrativas, compromissos morais, afetos, pressupostos culturais e estruturas de cosmovisão profundamente arraigadas. Assim, bons argumentos falham não por serem falsos, mas porque frequentemente ignoram o “terreno interior” do interlocutor. O autor dialoga com áreas como epistemologia, psicologia moral e estudos culturais para sustentar que crenças são mantidas dentro de sistemas ...

Sofrimento: Meu filho morreu

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Há frases que nunca deveriam fazer parte do vocabulário de um pai ou de uma mãe. “Meu filho morreu” é uma delas. Ainda assim, em breve fará dois anos desde que precisei aprender a pronunciá-la — primeiro em silêncio, depois em lágrimas, depois com a voz embargada, e hoje com uma reverência dolorosa diante de Deus. Não escrevo como quem já superou a perda, mas como quem continua caminhando com uma ausência que reorganizou toda a vida. O tempo não apagou o amor, não diminuiu a saudade, não simplificou as perguntas. Apenas me ensinou que sobreviver espiritualmente exige mais do que resistência emocional; exige uma fé que seja capaz de existir dentro do luto. Nos primeiros meses, tudo parecia suspenso. O mundo seguia, mas eu não. Havia uma estranheza quase ofensiva no fato de as pessoas rirem, planejarem o futuro, discutirem banalidades, enquanto dentro de mim havia um silêncio pesado. Descobri rapidamente que a dor não se manifesta apenas em lágrimas. Ela aparece em cansaço inexplicável, ...

Quando nossas emoções governam mais do que a fé

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Um dos maiores desafios da vida cristã contemporânea não é a ausência de fé declarada, mas a dificuldade de lidar biblicamente com o mundo interior. Muitos cristãos confessam verdades corretas, frequentam ambientes religiosos e afirmam confiar em Deus, mas vivem emocionalmente desorganizados, reagindo mais aos sentimentos do que à Palavra. O resultado é uma espiritualidade instável, vulnerável a circunstâncias, relações e estados emocionais momentâneos. A Escritura nunca tratou emoções como inimigas a serem eliminadas, nem como autoridades finais a serem obedecidas. Elas são respostas do coração a algo que valorizamos, tememos ou desejamos. Por isso, emoções revelam muito mais do que estados psicológicos passageiros: revelam prioridades, amores, medos e falsas seguranças. Ignorar esse aspecto da vida interior produz uma fé superficial, incapaz de lidar com conflitos reais. O problema não é sentir tristeza, ansiedade, culpa ou raiva. O problema é permitir que essas emoções assumam o pap...

Resenha da obra de Thomas R. Schreiner: Somente pela Fé: a doutrina da justificação

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 SCHREINER, Thomas R. Somente pela fé: a doutrina da justificação . São Paulo: Vida Nova, 2010. Em Somente pela fé , Thomas R. Schreiner, teólogo do Novo Testamento e um dos principais estudiosos da tradição reformada contemporânea, apresenta uma exposição sistemática e bíblica da doutrina da justificação. A obra surge em um contexto de intensos debates teológicos, especialmente em torno da chamada “Nova Perspectiva sobre Paulo”, oferecendo uma defesa robusta da compreensão histórica protestante da justificação pela fé somente. O autor estrutura o livro a partir de uma análise exegética detalhada das principais passagens paulinas, com destaque para Romanos e Gálatas. Schreiner demonstra que a justificação, no pensamento bíblico, possui caráter forense, isto é, refere-se a um veredito jurídico proferido por Deus, no qual o pecador é declarado justo com base exclusivamente na obra redentora de Cristo. Essa justiça, segundo o autor, é imputada ao crente e recebida unicamente pela fé...

Resenha Livro de James W. Wire - Dando nome ao elefante

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  Referência básica SIRE, James W. Dando nome ao elefante: cosmovisão como conceito . Publicação original em inglês: 2004. Objetivo da obra Sire propõe clarificar o conceito de “cosmovisão” (worldview), amplamente usado em círculos cristãos e acadêmicos, examinando suas origens filosóficas, seu desenvolvimento histórico e seu uso contemporâneo. Síntese do conteúdo O autor rastreia a evolução do termo desde a filosofia alemã até sua apropriação por pensadores cristãos no século XX. Analisa definições concorrentes, distinguindo cosmovisão como estrutura intelectual, narrativa fundamental ou compromisso existencial. Sire discute também o papel da imaginação, da cultura e das artes na formação das cosmovisões, defendendo que elas não se limitam a sistemas racionais, mas moldam afetos, práticas e percepções. Avaliação crítica O ponto forte da obra é a precisão conceitual e o diálogo interdisciplinar entre filosofia, teologia e estudos culturais. Em alguns trechos, a densidade hi...