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O Grande “EU SOU”: quando Deus Se revela em Cristo

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Há declarações nas Escrituras que não admitem superficialidade. Elas exigem reverência, silêncio interior e disposição para ouvir como os antigos ouviam. Entre essas declarações estão as palavras de Jesus registradas no Evangelho de João: “Eu sou” . Não são frases comuns, nem simples figuras de linguagem. São afirmações que ecoam a revelação mais sagrada do Antigo Testamento e colocam Jesus no centro da identidade divina. Quando Deus Se revela a Moisés no deserto e diz: “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3:14), Ele afirma Sua eternidade, autoexistência e soberania. Séculos depois, Jesus assume essa mesma linguagem. Para um judeu do primeiro século, isso não passava despercebido. Ao dizer “Eu sou”, Jesus não apenas ensina — Ele Se revela . Ao afirmar “Eu sou o pão da vida” , Jesus se apresenta como a resposta definitiva à fome da alma. Assim como o maná sustentou Israel no deserto, Ele sustenta o homem em sua peregrinação espiritual. Não se trata de prosperidade material, mas de vida que vem do...

Resenha Obra: Alan Rennê Alexandrino Lima: A Bíblia que Jesus Usava

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  Autor: Alan Rennê Alexandrino Lima Área: Bíblia – Antigo Testamento e Judaísmo do Segundo Templo Natureza da obra: Introdução bíblica e histórico-canônica A obra A Bíblia que Jesus Usava apresenta uma contribuição relevante para os estudos bíblicos ao conduzir o leitor à compreensão do cânon das Escrituras tal como conhecido e utilizado por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. O autor parte do pressuposto de que a correta interpretação da mensagem de Cristo exige o reconhecimento do contexto bíblico, histórico e religioso no qual Ele estava inserido, especialmente o uso do Tanakh como Escritura sagrada. A apostila desenvolve-se a partir da apresentação da estrutura do cânon hebraico — Lei, Profetas e Escritos — demonstrando como essa organização moldou a forma de leitura, interpretação e citação das Escrituras no período do Segundo Templo. O autor evidencia que Jesus não apenas conhecia profundamente essas Escrituras, mas as utilizava como autoridade final em seus en...

Resenha Livro de Watchman Nee e Witness Lee : Os Elementos Básicos da Vida Cristã – Volume 3

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  Autores: Watchman Nee e Witness Lee Ano de publicação: década de 1960 Tema principal: Fundamentos práticos e espirituais da vida cristã Natureza da obra: coletânea de ensinamentos doutrinários e práticos Introdução Os Elementos Básicos da Vida Cristã – Volume 3 integra uma série destinada a firmar o crente nos fundamentos essenciais da fé. Diferente de obras mais confrontadoras, este volume tem caráter formativo e pedagógico, sendo especialmente útil para novos convertidos e cristãos que desejam consolidar sua caminhada espiritual segundo o padrão bíblico tradicional A obra mantém a sobriedade teológica e a profundidade espiritual características do ministério de Nee e Lee, evitando superficialidades. Resumo dos capítulos Neste volume, os autores desenvolvem temas essenciais para a vida cristã saudável, como crescimento espiritual, comunhão com Deus, vida da igreja, serviço cristão e maturidade espiritual. Os ensinamentos são apresentados de forma progressiva, respei...

Fé no Cotidiano: Quando o Trabalho se Torna Vocação

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  Desde os tempos mais antigos, o trabalho fez parte da experiência humana. Antes mesmo da queda, o ser humano foi colocado no mundo com a responsabilidade de cultivar, guardar e desenvolver a criação. O trabalho, portanto, não surge como punição, mas como expressão da vocação humana. Ainda assim, ao longo do tempo, criou-se uma separação artificial entre fé e trabalho, como se a vida espiritual estivesse restrita ao culto e a vida profissional pertencesse a um campo neutro ou meramente secular. A tradição cristã sempre ofereceu uma visão mais ampla. A fé histórica compreende que toda a vida é vivida diante de Deus. Não existe espaço verdadeiramente neutro, pois toda realidade está sob sua soberania. Assim, o trabalho cotidiano — seja ele manual, intelectual, doméstico ou profissional — pode e deve ser vivido como expressão de obediência, responsabilidade e serviço. Um dos grandes equívocos modernos é associar vocação apenas a atividades religiosas formais. Essa compreensão empo...

Pensar com Fé: Recuperando a Mente Cristã em Tempos de Superficialidade

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 Ao longo da história cristã, a fé nunca foi compreendida como oposição ao pensamento. Pelo contrário, a tradição cristã sempre reconheceu que amar a Deus envolve também a mente. A fé bíblica não nasce da ignorância, mas da revelação; não se sustenta na superficialidade, mas na verdade. Ainda assim, em muitos contextos atuais, observa-se um empobrecimento do pensamento cristão, como se refletir, estudar e discernir fossem atividades secundárias na vida espiritual. Esse fenômeno não surgiu por acaso. Vivemos em uma cultura marcada pela pressa, pela fragmentação da atenção e pela valorização da experiência imediata. Nesse ambiente, o pensamento profundo parece cansativo, e a reflexão paciente é vista como perda de tempo. A espiritualidade, então, corre o risco de ser reduzida a sentimentos momentâneos, slogans religiosos ou respostas prontas, desconectadas da realidade e da verdade. A fé cristã histórica sempre caminhou em sentido oposto. Desde os primeiros séculos, a igreja compre...

Resenha da obra de James W. Sire: Habitos da mente: pensar criticamente em um mundo pós cristão.

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 SIRE, James W. Hábitos da mente: pensar cristãmente em um mundo pós-cristão . São Paulo: Vida Nova, 2010. Em Hábitos da mente , James W. Sire, filósofo cristão amplamente reconhecido por seus estudos sobre cosmovisão, propõe uma reflexão profunda sobre a formação intelectual do cristão em um contexto cultural marcado pelo relativismo, pelo pragmatismo e pela fragmentação do pensamento. A obra parte do diagnóstico de que o cristianismo contemporâneo, embora ativo no campo da espiritualidade, tem apresentado fragilidade no exercício do pensamento crítico e disciplinado. Sire argumenta que a fé cristã histórica sempre valorizou a mente como instrumento essencial do discipulado. Para o autor, amar a Deus envolve também aprender a pensar de modo coerente, responsável e fiel à verdade. Nesse sentido, o livro apresenta uma crítica ao anti-intelectualismo presente em setores do evangelicalismo moderno, bem como à dicotomia entre fé e razão herdada da modernidade. A obra é estruturada e...

Resenha Obra de Michal Horton: Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade.

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 HORTON, Michael. Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade . São Paulo: Vida Nova, 2017. 64 p. Michael Horton, teólogo reformado e professor de teologia sistemática, é conhecido por sua defesa consistente da ortodoxia protestante histórica. Em Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade , o autor analisa criticamente as tentativas contemporâneas de aproximação entre o evangelicalismo e o catolicismo romano, especialmente à luz de documentos ecumênicos produzidos nas últimas décadas. A obra se insere no debate teológico sobre unidade cristã, verdade doutrinária e identidade confessional. O livro está organizado em seis capítulos, além de uma conclusão e bibliografia. Horton inicia discutindo o escândalo das divisões visíveis no cristianismo e o apelo moderno por unidade, ressaltando que tal unidade não pode ser construída à custa do evangelho. Em seguida, examina se os evangélicos podem ser considerados “católicos” no sentido histórico do termo, argumentando que a Ref...