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O Refúgio que Sustenta: Segurança na vontade de Deus

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Ao longo das Escrituras, Deus sempre se revelou como abrigo para o Seu povo. Desde o Éden até a Nova Jerusalém, a narrativa bíblica aponta para uma verdade imutável: o coração humano foi criado para encontrar segurança em Deus e não nas estruturas frágeis deste mundo. O salmista declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente na angústia” (Salmo 46:1). Essa afirmação não é poesia meramente devocional; é teologia prática. Refúgio implica proximidade. Fortaleza implica estrutura. O Senhor não oferece apenas consolo emocional, mas sustentação real, fundamento sólido. Ao longo da história bíblica, vemos homens e mulheres que tentaram construir segurança fora da vontade divina. Israel buscou alianças políticas (Isaías 30:1-2). Saul procurou estabilidade no controle humano (1 Samuel 15). Contudo, a verdadeira segurança sempre esteve na dependência do Senhor. Provérbios 18:10 afirma que “o nome do Senhor é torre forte”. A torre não é fuga da realidade, mas posicionamento...

Quando Deus parece que está em silencio

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 Há perguntas que quase todos já fizeram, mas poucos têm coragem de expressar em voz alta. Por que Deus permitiu isso? Por que minha oração não foi respondida? Por que o justo sofre? Em momentos de dor ou frustração, essas questões emergem com intensidade. O problema não está em perguntar. O desafio está no que fazemos depois da pergunta. Alguns permitem que a ausência de respostas imediatas se transforme em distanciamento de Deus. Outros aprendem a confiar mesmo sem compreender completamente. A fé bíblica não é construída sobre explicações detalhadas, mas sobre confiança no caráter de Deus. Não é necessário entender todo o plano para confiar que existe um propósito. A história das Escrituras revela repetidamente que Deus opera além da visão limitada humana. O sofrimento é um dos maiores catalisadores de questionamentos. Quando algo foge ao controle, a tendência natural é exigir explicações. Entretanto, a Bíblia mostra que Deus nem sempre revela o “porquê”, mas frequentemente re...

Perdido dentro da Igreja

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 Entre as palavras mais fortes ditas por Jesus, poucas confrontam tanto quanto aquelas que revelam a possibilidade de alguém estar dentro e, ainda assim, perdido . Nas três parábolas de Lucas 15 — a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido — o fio condutor é a alegria do reencontro. Céu em festa. Casa em celebração. Comunidade convocada para se alegrar. Contudo, há um personagem que destoa desse movimento: o filho mais velho. Ele não se perdeu geograficamente, mas espiritualmente. Não saiu de casa, mas saiu do coração do Pai. É significativo notar que, nas três parábolas, a alegria é coletiva. O pastor chama os amigos. A mulher convoca as vizinhas. O pai prepara uma festa. O Reino de Deus não celebra sozinho. Ele compartilha a restauração. O problema é que o filho mais velho não consegue se alegrar com aquilo que alegra o Pai. Ele está do lado de fora, enquanto o filho que havia se perdido está dentro da casa. Essa inversão revela algo profundo: é possível obedecer regr...

Resenha da Obra de Sebastian Traeger e Greg Gilbert: O evangelho no trabalho: servindo a Cristo em sua profissão com um novo propósito

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 TRAeGER, Sebastian; GILBERT, Greg. O evangelho no trabalho: servindo a Cristo em sua profissão com um novo propósito . São Paulo: Vida Nova, 2016. Em O evangelho no trabalho , Sebastian Traeger e Greg Gilbert desenvolvem uma reflexão teológica sobre o significado do trabalho à luz do evangelho, buscando corrigir a dicotomia comum entre fé cristã e vida profissional. Os autores partem do pressuposto de que o trabalho não é apenas um meio de sustento ou realização pessoal, mas um espaço legítimo de vocação e serviço cristão. A obra está estruturada de forma progressiva, iniciando com uma fundamentação bíblica da doutrina da vocação. Traeger e Gilbert demonstram que o trabalho antecede a Queda e faz parte do mandato criacional, sendo posteriormente redimido em Cristo. Assim, toda atividade lícita pode ser exercida para a glória de Deus, independentemente de estar ou não ligada diretamente ao ministério eclesiástico. Os autores também alertam contra duas distorções recorrentes: a s...

ALIANÇA, VISÃO E FIDELIDADE EM TEMPOS DE CATIVEIRO

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1. A VISÃO DE EZEQUIEL: DEUS PRESENTE NO CATIVEIRO (Ezequiel 1:1) No quarto mês, quando Ezequiel estava no cativeiro da Babilônia, Deus se revelou por meio de uma visão extraordinária. O contexto é fundamental: o profeta não estava no templo, não estava em Jerusalém, não estava em liberdade. Estava longe da terra, longe das estruturas religiosas conhecidas, vivendo a dor do exílio. A visão não surge por acaso. Ela tinha um propósito claro: mostrar que Deus continuava vivo, soberano e presente , mesmo no tempo de disciplina. O cativeiro não era o fim da história. Deus ainda tinha planos de restauração, fortalecimento, prosperidade e multiplicação para o Seu povo. Essa revelação traz um princípio eterno: A presença de Deus não está limitada a lugares, sistemas ou circunstâncias favoráveis. 2. QUANDO A GLÓRIA É CONFUNDIDA COM O LUGAR O povo de Israel conhecia o Senhor. Eles haviam visto Sua glória no Tabernáculo e no Templo de Salomão. Conheciam a Shekinah, a manifestação visíve...

Resenha do livro de Hernandes Dias Lopes - O Grande Eu Sou – As 7 Poderosas Declarações de Jesus sobre Si Mesmo

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Autor: Hernandes Dias Lopes Editora: Hagnos Autoria: Hernandes Dias Lopes (pastor presbiteriano, teólogo reformado, escritor e expositor bíblico) Visão geral da obra O Grande Eu Sou é uma obra de caráter expositivo e pastoral , centrada nas sete declarações “Eu sou” de Jesus registradas no Evangelho de João. O autor conduz o leitor a compreender que essas afirmações não são metáforas soltas, mas declarações messiânicas profundamente enraizadas no Antigo Testamento , especialmente na revelação do nome divino em Êxodo 3:14. Hernandes Dias Lopes escreve com fidelidade às Escrituras, clareza teológica e aplicação prática, mantendo-se firmemente na tradição cristã histórica. Tema central O livro demonstra que, ao dizer “Eu sou”, Jesus: Se identifica com o YHWH do Antigo Testamento Revela Sua divindade , autoridade e missão redentora Se apresenta como suficiente para as necessidades espirituais mais profundas do ser humano Principais pontos abordados O autor expõe, ca...

Ministérios firmes em tempo de pressão

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 Uma lavoura pode parecer saudável à primeira vista. As folhas estão verdes, os frutos começam a surgir e tudo indica crescimento. Mas, se as raízes forem rasas, bastará um período de seca ou uma tempestade mais forte para comprometer toda a plantação. O que sustenta a colheita não é apenas o que se vê acima da terra, mas o que foi cuidadosamente estabelecido abaixo dela. Assim também acontece no ministério. Programas podem ser bem organizados, eventos podem ser impactantes e a agenda pode estar cheia. Contudo, quando surgem crises, mudanças de liderança ou queda de participação, tudo revela o quanto a estrutura interna estava preparada — ou não — para suportar pressão. A fé cristã sempre ensinou que firmeza nasce de fundamento. Não se trata de entusiasmo momentâneo, mas de prática constante, ordem e responsabilidade. Um ministério sólido precisa de organização intencional, pois Deus é Deus de ordem, não de confusão. Um dos fundamentos essenciais é o cuidado com prioridades. Mui...