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Infertilidade e Fé: Permanecendo Firmes em Meio à Frustração

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Quando Deus Permanece Fiel em Meio à Dor Fé madura para tempos que não escolhemos Há sofrimentos que reorganizam a vida. Eles não pedem permissão, não respeitam cronogramas e não se ajustam às nossas expectativas espirituais. Entram na história pessoal e desmontam a sensação de controle que julgávamos ter. É nesse ponto que a fé deixa de ser teórica e se torna concreta. Grande parte da espiritualidade contemporânea não prepara o cristão para dores prolongadas. Muitos foram ensinados que fé suficiente produz alívio imediato. Quando isso não acontece, surgem perguntas perigosas: “Deus está me punindo?”, “Minha fé é fraca?”, “Ele realmente se importa?”. A Escritura, no entanto, apresenta um caminho mais profundo e mais realista. A Bíblia não ignora o sofrimento Os salmos estão repletos de lamento. Homens piedosos clamaram “até quando?” sem que Deus os repreendesse por falta de espiritualidade. O sofrimento não é um desvio inesperado na vida cristã; ele faz parte da experiência em um ...

Quando o desejo governa o coração

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  O perigo silencioso de uma fé moldada pelos impulsos A Escritura é direta ao tratar do pecado: ele não começa no comportamento, mas no coração. A cultura contemporânea ensina que desejos são neutros, que sentimentos são soberanos e que impulsos precisam apenas de “expressão saudável”. A Bíblia, porém, apresenta outra narrativa. Tiago afirma que cada um é tentado quando atraído e enganado pelo próprio desejo. O problema central não está fora de nós, mas dentro. Vivemos uma geração que espiritualiza emoções e justifica escolhas com base na intensidade do que sente. Contudo, intensidade não é sinônimo de verdade. O coração humano, embora regenerado pela graça, ainda carrega inclinações que precisam ser confrontadas diariamente pela Palavra. Quando o desejo governa, a fé se torna instável, moldada pelo humor do momento e não pela revelação de Deus. O pecado raramente se apresenta como rebeldia explícita. Ele se disfarça de necessidade legítima: descanso que vira preguiça, zelo que...

Recomeçar sem Ilusões: Fé e Responsabilidade no Recasamento

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 O recasamento é um dos temas mais delicados da vida cristã contemporânea. Ele envolve dor, perdas, decisões passadas, consequências presentes e expectativas futuras. Justamente por isso, não pode ser tratado nem com dureza implacável, nem com permissividade emocional. A Escritura exige de nós algo mais profundo: verdade, arrependimento e responsabilidade. Recomeçar não é apagar a história. É assumir que ela existe e que precisa ser interpretada à luz da Palavra de Deus. O evangelho não oferece amnésia espiritual; oferece redenção. E redenção não é negação de erros, mas transformação de postura. Um dos grandes perigos ao falar sobre recasamento é cair em dois extremos. O primeiro é o legalismo que reduz a pessoa ao seu passado, como se a graça não fosse capaz de agir. O segundo é a superficialidade que transforma graça em justificativa para decisões apressadas. Nenhum desses caminhos é bíblico. A graça que salva também disciplina. O perdão que acolhe também ensina. Recasar-se nã...

Resenha Livro: Conversa cruzada: falando a verdade em amor

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 EMLET, Michael R. Conversa cruzada: falando a verdade em amor . São Paulo: Vida Nova, 2014. Em Conversa cruzada , Michael R. Emlet, conselheiro bíblico e teólogo pastoral, aborda a comunicação humana a partir de uma perspectiva profundamente enraizada na antropologia bíblica. A obra parte do pressuposto de que a fala humana nunca é neutra: palavras revelam o coração, moldam relacionamentos e expressam compromissos espirituais. Nesse sentido, o autor insere a comunicação no centro da vida cristã prática. O livro está estruturado de modo pastoral e formativo, analisando como o pecado distorce a linguagem, transformando-a em instrumento de dominação, autoproteção, julgamento ou manipulação. Emlet demonstra que conversas difíceis, conflitos interpessoais e silêncios carregados não são apenas problemas comunicacionais, mas expressões de desordens mais profundas do coração humano. A proposta central da obra é a redenção da fala por meio do evangelho. Emlet sustenta que, à medida que ...

Quando a Estrutura do Lar é Abalada: Direções Bíblicas para Cuidar dos Filhos Após o Divórcio

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O divórcio não é apenas a dissolução de um vínculo jurídico. Ele representa a ruptura de uma aliança que moldava a rotina, a identidade e o senso de segurança da família. Para os filhos, a separação não é um evento administrativo; é uma experiência que atinge afetos, percepção de estabilidade e confiança no futuro. Tratar desse tema exige sobriedade. Nem condenação simplista, nem relativização irresponsável. A Escritura reconhece tanto a gravidade da ruptura quanto a realidade da graça. Entre verdade e misericórdia, pais cristãos são chamados a agir com maturidade espiritual e responsabilidade prática. 1. A restauração começa no coração dos pais Antes de qualquer estratégia educacional, há uma necessidade espiritual. Se houve pecado — infidelidade, dureza de coração, abandono, violência — ele precisa ser reconhecido diante de Deus. Se houve desgaste progressivo, omissão ou imaturidade, também precisa ser tratado com honestidade. Filhos percebem incoerências. Quando pais vivem dominados...

Discernimeto Espiritual em tempos de confusão

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DISCERNIMENTO ESPIRITUAL: UMA NECESSIDADE, NÃO UMA OPÇÃO Ao longo da história da igreja, o discernimento espiritual nunca foi um tema periférico. Desde o período apostólico, a fé cristã precisou se desenvolver em meio a ensinos concorrentes, falsas interpretações e pressões culturais. A advertência de 1 João 4:1 não foi circunstancial, mas estrutural: provar os espíritos é parte da vida cristã madura. O discernimento não surgiu como refinamento teológico para especialistas, mas como mecanismo de preservação da verdade revelada. A igreja primitiva enfrentou distorções sérias acerca da pessoa de Cristo, da graça e da autoridade apostólica. Em Atos 17:11, os bereanos são apresentados como modelo porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se o que ouviam era fiel à revelação. Esse padrão permanece atual. A fé cristã nunca foi sustentada por carisma, popularidade ou impacto emocional, mas pela conformidade com a Palavra. No cenário contemporâneo, o desafio é intensificado pe...

Quando a igreja quer participar do chiqueiro

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A parábola do filho pródigo, registrada em Lucas 15:11–32, integra um conjunto de três narrativas sobre perda e restauração. Jesus a dirige a fariseus e escribas que murmuravam porque Ele recebia pecadores. Portanto, não é apenas uma história sobre um jovem rebelde, mas uma exposição do coração de Deus diante do arrependimento e uma confrontação direta da religiosidade endurecida. O filho mais novo pede a parte da herança que lhe cabia. Em termos culturais, isso equivalia a desejar a morte do pai. A ruptura começa no coração antes de se manifestar em geografia. Ele parte para longe, desperdiça os bens e, quando sobrevém a fome, experimenta a degradação. Cuidar de porcos e desejar sua comida representava impureza extrema para um judeu. A narrativa não suaviza a consequência do pecado. A distância da casa não produz autonomia duradoura, mas miséria progressiva. O texto afirma que ele “caiu em si”. A fome foi instrumento pedagógico. Deus, em Sua providência, muitas vezes usa circunstânci...