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Discípulos ou Consumidores? O chamado de Cristo à maturidade, obediência e fidelidade além da cultura do consumo religioso

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 Há uma diferença profunda entre seguir a Cristo e consumir experiências religiosas. A primeira envolve rendição, transformação e perseverança. A segunda gira em torno de preferência pessoal, conveniência e satisfação imediata. Essa diferença, embora nem sempre percebida, tem moldado o perfil de muitos cristãos contemporâneos. Vivemos em uma cultura de consumo. Escolhemos produtos, serviços e até relacionamentos com base no que nos oferece retorno imediato. Não é surpresa que essa lógica tenha atravessado as portas das igrejas. Muitos avaliam a comunidade cristã como consumidores avaliam um restaurante: qualidade da “experiência”, intensidade da música, carisma do líder, utilidade prática da mensagem. Quando deixam de “sentir algo”, mudam de ambiente. Mas o chamado de Jesus nunca foi para consumidores religiosos. Foi para discípulos. Discípulo é aquele que aprende para obedecer, que segue para se conformar ao Mestre. O discipulado não começa com preferências; começa com negação. ...

O chamado bíblico à comunhão que transforma

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  Da Solidão à Vida em Corpo Vivemos em uma geração hiperconectada e profundamente solitária. Redes sociais multiplicam contatos, mas não constroem comunhão. Igrejas podem estar cheias aos domingos, enquanto corações permanecem isolados durante a semana. A solidão contemporânea não é apenas emocional; ela é também espiritual. Desde o princípio, a Escritura afirma que o isolamento não corresponde ao projeto criacional de Deus. Antes mesmo da entrada do pecado no mundo, o Senhor declarou: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Essa afirmação revela que a comunhão não é um detalhe secundário da vida humana, mas parte da própria estrutura da criação. Contudo, a queda introduziu distanciamento, culpa e autoproteção. O ser humano passou a esconder-se — primeiro de Deus, depois uns dos outros. O resultado foi uma humanidade relacionalmente ferida. E essa realidade atravessa os séculos, alcançando também a igreja contemporânea. Muitos cristãos adotaram uma espiritualidade indivi...

Resenha da Obra: David Vandrunen: Glória somente a Deus: vivendo para a glória de Deus em um mundo secular

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 VANDRUNEN, David. Glória somente a Deus: vivendo para a glória de Deus em um mundo secular . São Paulo: Vida Nova, 2015. Em Glória somente a Deus , David VanDrunen, teólogo reformado e especialista em ética cristã, desenvolve uma reflexão sistemática sobre o princípio reformado Soli Deo Gloria e suas implicações para a vida cristã em um contexto cultural marcado pela secularização. A obra busca demonstrar que a glória de Deus não se restringe ao culto ou à vida eclesiástica, mas orienta toda a existência humana. O autor fundamenta sua argumentação na teologia bíblica e na tradição reformada, mostrando que o propósito último da criação, da redenção e da história é a manifestação da glória divina. VanDrunen enfatiza que a vida cristã deve ser compreendida à luz da soberania de Deus sobre todas as esferas da realidade, incluindo trabalho, política, cultura e relações sociais. Um dos eixos centrais da obra é a distinção entre os dois reinos — o reino redentivo e o reino comum — co...

Infertilidade e Fé: Permanecendo Firmes em Meio à Frustração

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Quando Deus Permanece Fiel em Meio à Dor Fé madura para tempos que não escolhemos Há sofrimentos que reorganizam a vida. Eles não pedem permissão, não respeitam cronogramas e não se ajustam às nossas expectativas espirituais. Entram na história pessoal e desmontam a sensação de controle que julgávamos ter. É nesse ponto que a fé deixa de ser teórica e se torna concreta. Grande parte da espiritualidade contemporânea não prepara o cristão para dores prolongadas. Muitos foram ensinados que fé suficiente produz alívio imediato. Quando isso não acontece, surgem perguntas perigosas: “Deus está me punindo?”, “Minha fé é fraca?”, “Ele realmente se importa?”. A Escritura, no entanto, apresenta um caminho mais profundo e mais realista. A Bíblia não ignora o sofrimento Os salmos estão repletos de lamento. Homens piedosos clamaram “até quando?” sem que Deus os repreendesse por falta de espiritualidade. O sofrimento não é um desvio inesperado na vida cristã; ele faz parte da experiência em um ...

Quando o desejo governa o coração

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  O perigo silencioso de uma fé moldada pelos impulsos A Escritura é direta ao tratar do pecado: ele não começa no comportamento, mas no coração. A cultura contemporânea ensina que desejos são neutros, que sentimentos são soberanos e que impulsos precisam apenas de “expressão saudável”. A Bíblia, porém, apresenta outra narrativa. Tiago afirma que cada um é tentado quando atraído e enganado pelo próprio desejo. O problema central não está fora de nós, mas dentro. Vivemos uma geração que espiritualiza emoções e justifica escolhas com base na intensidade do que sente. Contudo, intensidade não é sinônimo de verdade. O coração humano, embora regenerado pela graça, ainda carrega inclinações que precisam ser confrontadas diariamente pela Palavra. Quando o desejo governa, a fé se torna instável, moldada pelo humor do momento e não pela revelação de Deus. O pecado raramente se apresenta como rebeldia explícita. Ele se disfarça de necessidade legítima: descanso que vira preguiça, zelo que...

Recomeçar sem Ilusões: Fé e Responsabilidade no Recasamento

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 O recasamento é um dos temas mais delicados da vida cristã contemporânea. Ele envolve dor, perdas, decisões passadas, consequências presentes e expectativas futuras. Justamente por isso, não pode ser tratado nem com dureza implacável, nem com permissividade emocional. A Escritura exige de nós algo mais profundo: verdade, arrependimento e responsabilidade. Recomeçar não é apagar a história. É assumir que ela existe e que precisa ser interpretada à luz da Palavra de Deus. O evangelho não oferece amnésia espiritual; oferece redenção. E redenção não é negação de erros, mas transformação de postura. Um dos grandes perigos ao falar sobre recasamento é cair em dois extremos. O primeiro é o legalismo que reduz a pessoa ao seu passado, como se a graça não fosse capaz de agir. O segundo é a superficialidade que transforma graça em justificativa para decisões apressadas. Nenhum desses caminhos é bíblico. A graça que salva também disciplina. O perdão que acolhe também ensina. Recasar-se nã...

Resenha Livro: Conversa cruzada: falando a verdade em amor

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 EMLET, Michael R. Conversa cruzada: falando a verdade em amor . São Paulo: Vida Nova, 2014. Em Conversa cruzada , Michael R. Emlet, conselheiro bíblico e teólogo pastoral, aborda a comunicação humana a partir de uma perspectiva profundamente enraizada na antropologia bíblica. A obra parte do pressuposto de que a fala humana nunca é neutra: palavras revelam o coração, moldam relacionamentos e expressam compromissos espirituais. Nesse sentido, o autor insere a comunicação no centro da vida cristã prática. O livro está estruturado de modo pastoral e formativo, analisando como o pecado distorce a linguagem, transformando-a em instrumento de dominação, autoproteção, julgamento ou manipulação. Emlet demonstra que conversas difíceis, conflitos interpessoais e silêncios carregados não são apenas problemas comunicacionais, mas expressões de desordens mais profundas do coração humano. A proposta central da obra é a redenção da fala por meio do evangelho. Emlet sustenta que, à medida que ...