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Mostrando postagens com o rótulo Exegese Bíblica

Resenha artigo Luke 9:51-24:53 da Baker Exegetical Commentary on the New Testament

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  Autor: Darrell L. Bock Série: Baker Exegetical Commentary on the New Testament Ano de publicação (original): 1996 Idioma original: Inglês Edição em português: Não há publicação integral deste volume em português no Brasil até o momento. Introdução Luke 9:51–24:53 constitui o segundo e conclusivo volume do comentário de Darrell L. Bock ao Evangelho de Lucas. Esta parte da obra cobre o chamado “caminho para Jerusalém”, culminando na paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Bock conduz o leitor por uma leitura exegética cuidadosa, revelando Lucas como um teólogo profundamente preocupado com o discipulado, o sofrimento messiânico e a fidelidade de Deus às Suas promessas. O tom da obra é acadêmico, porém reverente, marcado por profundo respeito ao texto bíblico. Estrutura e número de capítulos O volume abrange Lucas 9:51 até 24:53 , sendo organizado em unidades textuais expositivas. A primeira grande seção analisa a jornada de Jesus rumo a Jerusalém , destaca...

Resenha Livro: the Son of Man

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  Autor: C. W. Johnson Ano de publicação (original): 1999 Idioma original: Inglês Edição em português: Não há registro de publicação oficial em português no Brasil até o momento Introdução The Son of Man é uma obra teológica concentrada em um dos títulos cristológicos mais densos e, ao mesmo tempo, mais frequentemente mal compreendidos das Escrituras: “o Filho do Homem”. C. W. Johnson conduz o leitor por uma investigação bíblica cuidadosa, mostrando que essa expressão não é apenas uma referência à humanidade de Jesus, mas um título carregado de significado escatológico, messiânico e profundamente enraizado no Antigo Testamento, especialmente no livro de Daniel. Estrutura e número de capítulos O livro é organizado em capítulos temáticos (o número varia conforme a edição), estruturados de forma progressiva. Os capítulos iniciais exploram o uso do termo “Filho do Homem” no Antigo Testamento , com atenção especial a Daniel 7. Em seguida, Johnson analisa o emprego do...

Torre de Babel: Gênesis 11 não condena a tecnologia, mas a pretensão humana

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 O episódio da Torre de Babel, em Gênesis 11 , costuma ser lido de forma superficial: Deus teria se incomodado com uma torre alta demais, ou com o avanço tecnológico de uma civilização antiga. No entanto, a exegese clássica — especialmente como apresentada em Gênesis: Introdução e Comentário — revela algo muito mais profundo e atual: Babel não é o pecado da técnica, mas da autonomia coletiva sem Deus . O texto não critica a capacidade humana de construir, mas a motivação que sustenta essa construção. “Façamos um nome para nós” A chave interpretativa do texto está na própria declaração do povo: “Façamos para nós um nome”. No Antigo Testamento, “nome” está diretamente ligado a: identidade, autoridade, memória, legado. Ao decidir “fazer um nome”, a humanidade expressa o desejo de autofundação . É a tentativa de construir identidade, segurança e permanência sem referência a Deus . Kidner observa que Babel representa a ambição de uma unidade humana baseada no orgul...

Genealogias que pregam: Por que Gênesis não usa listas de nomes por acaso

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Para muitos leitores modernos, as genealogias de Gênesis parecem interrupções cansativas na narrativa: longas listas de nomes e idades que, à primeira vista, pouco acrescentam à história. Contudo, na leitura exegética clássica — como destaca Gênesis: Introdução e Comentário — essas genealogias não são apêndices burocráticos. Elas são teologia condensada em forma de nomes . Nada em Gênesis está ali apenas para “registrar dados”. As genealogias pregam , silenciosamente. Genealogia como estrutura teológica No mundo antigo, genealogias não serviam apenas para traçar descendência biológica. Elas tinham funções claras: preservar identidade, legitimar promessas, mostrar continuidade histórica. Em Gênesis, elas fazem algo ainda mais profundo: costuram a promessa de Deus através do tempo . Entre Adão e Noé, e depois entre Noé e Abraão, o texto constrói uma linha contínua que afirma que a história humana não está à deriva. Kidner observa que as genealogias funcionam como ponte...

O Espírito Santo e a leitura fiel das Escrituras

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Desde os primeiros séculos, a Igreja compreendeu que a leitura das Escrituras não é um exercício meramente intelectual. A Bíblia não foi entregue como um texto comum, mas como Palavra inspirada, confiada a um povo que aprende a escutá-la com reverência, obediência e discernimento espiritual. Por isso, a leitura fiel das Escrituras sempre esteve ligada à ação do Espírito Santo. O mesmo Espírito que inspirou os autores sagrados é aquele que conduz o leitor à compreensão verdadeira. Essa convicção não conduz ao subjetivismo, mas à responsabilidade. A Igreja antiga jamais separou espiritualidade de fidelidade textual. Ler no Espírito não significa ler acima do texto, mas mergulhar nele , respeitando seu contexto, sua linguagem e sua intenção original. Ao longo da história, dois desvios sempre ameaçaram a interpretação bíblica. O primeiro é o racionalismo frio, que reduz a Escritura a um documento histórico sem voz viva. O segundo é o misticismo descontrolado, que ignora o texto em nome d...

A serpente sem nome: Por que Gênesis 3 não chama a serpente de Satanás

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Um detalhe silencioso — e profundamente teológico — do livro de Gênesis é que, no relato da queda, a serpente nunca é identificada explicitamente como Satanás . Em Gênesis 3 , o texto hebraico se limita a chamá-la de nachash , isto é, “serpente”, acrescentando apenas um adjetivo moral: ela era “mais astuta” do que os outros animais do campo. Esse silêncio não é descuido. Ele é intencional . A exegese clássica, especialmente como apresentada em Gênesis: Introdução e Comentário , insiste que Gênesis não inicia a Bíblia com uma demonologia desenvolvida, mas com algo ainda mais sério: a responsabilidade humana diante da tentação . O termo nachash e sua sobriedade A palavra hebraica nachash não carrega, em si mesma, uma identidade demoníaca explícita. Ela designa um animal real, conhecido no mundo antigo, frequentemente associado à astúcia. O texto não diz que a serpente é um demônio disfarçado, nem que Satanás “entra” nela. Esse dado confronta leituras apressadas que importam para Gênesi...

Imagem de Deus

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  Imagem de Deus: não aparência, mas função O sentido original de tselem Elohim em Gênesis 1:26–28 Um dos conceitos mais citados — e, paradoxalmente, mais mal compreendidos — da Bíblia é a afirmação de que o ser humano foi criado “à imagem e semelhança de Deus”. Em leituras modernas, essa expressão costuma ser associada à autoestima, à racionalidade ou até a traços físicos espiritualizados. Contudo, a exegese clássica, especialmente como apresentada em Gênesis: Introdução e Comentário , aponta para um caminho muito mais antigo, sóbrio e teologicamente robusto: imagem não é aparência, é vocação . Gênesis não está descrevendo como Deus é, mas o que o homem foi chamado a fazer . O peso da palavra tselem A palavra hebraica tselem (imagem) aparece em outros contextos do Antigo Testamento e, de forma consistente, está ligada à ideia de representação visível de autoridade . No mundo do Antigo Oriente Próximo, reis colocavam estátuas — suas “imagens” — em territórios distantes para sina...

Gênesis não começa com o tempo, mas com ordem

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O silêncio teológico de Gênesis 1:1–2 e a soberania que antecede tudo Quando abrimos a Bíblia em Gênesis 1:1 , somos tentados a ler o texto com lentes modernas: “No princípio” parece, à primeira vista, uma afirmação científica sobre o início do tempo. No entanto, a tradição exegética clássica — especialmente aquela preservada em Gênesis: Introdução e Comentário — nos convida a algo mais profundo e reverente: Gênesis não se apressa em explicar quando tudo começou, mas se concentra em afirmar quem governa tudo o que existe. Esse detalhe, frequentemente ignorado, é decisivo. O texto bíblico não inaugura a Escritura com cronologias, medições ou disputas cósmicas. Ele começa com autoridade , ordem e intencionalidade . O que o texto hebraico realmente diz O hebraico de Gênesis 1:1–2 apresenta uma estrutura simples e poderosa. Não há descrição de batalha, nem genealogia de deuses, nem personificação do caos. Encontramos, sim, a expressão tohu va-bohu , geralmente traduzida como “sem...

Caim: religioso, não ateu: O pecado “à porta” e a psicologia moral de Gênesis 4

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Entre os relatos mais conhecidos — e, ao mesmo tempo, mais simplificados — de Gênesis está a história de Caim e Abel. Costuma-se resumir o episódio como um conflito entre um homem mau e outro bom, ou como a rejeição de um sacrifício “errado”. No entanto, a leitura exegética clássica revela algo bem mais profundo: Caim não é um incrédulo; ele é religioso . E é justamente isso que torna o texto tão perturbador. Na análise cuidadosa apresentada em Gênesis: Introdução e Comentário , Gênesis 4 se destaca por oferecer uma das descrições mais antigas e sofisticadas da dinâmica interna do pecado — uma verdadeira psicologia moral, rara na literatura antiga. Caim adora — e isso muda tudo O texto afirma que Caim trouxe uma oferta ao Senhor. Não há indício de idolatria, ateísmo ou desprezo explícito por Deus. Ele cultua. Ele se aproxima. Ele oferece. Esse detalhe é crucial. O problema não está na existência do culto, mas na qualidade da obediência . Abel oferece “das primícias”, enquanto Caim ofe...

Significado de "Keren": Chifre ou Raio de Luz?

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  No hebraico bíblico, a palavra "keren" (קֶרֶן) possui dois significados principais: "chifre" , representando força e poder, e "raio de luz" , simbolizando a iluminação e glória divina. Em Êxodo 34:29 , essa palavra é usada para descrever o rosto de Moisés após seu encontro com Deus no Monte Sinai. O texto original indica que raios de luz emanavam de seu rosto, mas um erro de tradução em alguns textos antigos levou à ideia de que Moisés tinha chifres . O erro de tradução em Êxodo 34:29 Em algumas traduções antigas da Bíblia, a palavra "keren" foi mal interpretada como "chifre", especialmente em versões em latim e italiano. Por exemplo: Vulgata Latina (Latim) : A versão da Vulgata, traduzida por São Jerônimo no século IV, descreve Moisés com "cornuta facies" (rosto com chifres), devido à interpretação da palavra "keren" como "chifre" ao invés de "raios de luz". Bíblia em Italiano (Diodati, 1607)...

Explicando Atos 15:20: Abster-se de comidas sacrificadas, da imoralidade sexual, da carne de animais sufocados e do sangue

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  Atos 15 narra o que é conhecido como o Concílio de Jerusalém , onde os apóstolos e presbíteros discutiram um tema central para a igreja primitiva: como os gentios (não judeus) que estavam se convertendo a Cristo deveriam se comportar em relação à Lei de Moisés. A questão surgiu porque alguns judeus cristãos estavam ensinando que era necessário que os gentios se circuncidassem e seguissem a Lei de Moisés para serem salvos (Atos 15:1). Isso criou uma grande controvérsia, pois colocava um peso adicional sobre os gentios. Resumo da Decisão do Concílio Os apóstolos, liderados por Pedro, Paulo, Barnabé e Tiago (o irmão de Jesus), reconheceram que Deus havia concedido o Espírito Santo aos gentios sem exigir que eles seguissem as práticas da Lei de Moisés, como a circuncisão. Portanto, não era necessário impor o fardo da Lei judaica sobre os convertidos gentios. A salvação era pela graça , tanto para os judeus quanto para os gentios. No entanto, para promover a unidade entre os cristão...