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Obra do Criador

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 Esta semana, ao acordar e abrir a porta de minha cozinha para cuidar de minhas suculentas, me deparei com um pequeno botão vermelho na suculenta denominada rabo de macaco. tudo fala, tudo transmite a criação incrível de Deus.  Ela não veio com pressa, veio no tempo que Deus determina. Silenciosa, esperou madura, como as obras que nascem da mão do Criador. Cresceu pendente, sustentada no ar, guardada por fios que protegem e aquecem, até que, no fim do seu caminho, a vida se abriu em flor. Uma chama delicada diante dos meus olhos, sinal de cuidado que não falhou. Nem anúncio, nem ruído — apenas graça. Sei que ficará pouco, como tantas bênçãos discretas. Mas ensina o que a fé antiga sempre soube: quem espera em Deus, floresce. Hoje eu paro, contemplo e agradeço. Toda beleza vem d’Ele.

Permaneça e espere

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Nas semanas que antecedem o Natal, meu coração sempre se volta para a espera. Não uma espera apressada, mas aquela que amadurece no silêncio, na Palavra e na lembrança de que Deus sempre agiu no tempo certo. O Natal não começa na manjedoura; ele começa no anseio profundo por redenção, luz e salvação. A Escritura nos lembra que há momentos em que caminhamos em trevas porque escolhemos caminhos que nos afastam de Deus. Buscamos respostas em muitas vozes, corremos atrás de soluções rápidas, e acabamos experimentando confusão, angústia e cansaço da alma. Essa escuridão não nasce do acaso, mas das escolhas de um coração que se afastou da fonte da luz. Ainda assim, a história da fé nunca termina nas trevas. Deus não abandona o homem à própria escuridão. Sobre aqueles que andavam na sombra, uma grande luz brilhou. Essa luz não foi conquistada por mérito humano, nem provocada por esforço religioso. Ela veio do céu, no tempo certo, como resposta graciosa de Deus à fragilidade humana. Mas há ...

O lar que Deus edifica

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  A pressa tornou-se a marca registrada de nossa geração. Vivemos debaixo da pressão constante do tempo, como se estivéssemos sempre atrasados para algo que nunca termina. Não temos mais tempo: corremos o dia inteiro, e, no final, percebemos que o essencial ficou de lado. O trabalho, que deveria sustentar a família, acabou ocupando o lugar dela. O domingo, antes dedicado ao descanso e à convivência, passou a ser mais um dia cheio de tarefas e compromissos. O lar, que deveria ser um refúgio, transformou-se quase numa pensão: as pessoas só se encontram para dormir, cada uma vivendo em seu próprio ritmo, em sua própria solidão silenciosa. A televisão, o computador e o celular assumiram o lugar da mesa de jantar, onde antes famílias inteiras conversavam, riam, compartilhavam suas preocupações e fortaleciam vínculos. A família já não encontra tempo para estar junta. Pais e filhos habitam a mesma casa, porém vivem isolados sob o mesmo teto. Cada quarto se tornou um pequeno mundo, uma m...

Quando a vida volta a fluir

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“Zuwb”: Quando a Vida Flui da Fonte Eterna A riqueza das Escrituras se manifesta, muitas vezes, em palavras que, ao serem traduzidas, perdem nuances que iluminam verdades espirituais profundas. Uma dessas palavras é o verbo hebraico זוּב (zuwb) , frequentemente traduzido como “fluir”, “jorrar”, “emanar” ou “descarregar”. Embora à primeira vista pareça apenas um termo descritivo de movimento, seu uso bíblico revela implicações espirituais de grande profundidade. Zuwb pertence ao campo semântico do derramar contínuo. Em sua forma básica (qal), significa: Fluir , jorrar, derramar; Definhar , minguar (em sentido figurado, quando a vida está escoando); Ter um fluxo , como no caso da mulher com fluxo constante (Lv 15); Estar fluindo em estado contínuo (particípio). Seu espectro de sentido vai desde o movimento abundante de uma fonte transbordante até a perda de vitalidade pela descarga ininterrupta. Essa dupla significação — ora positiva, ora negativa — é um espelho da pr...

Quando o riso se torna promessa: o significado de Yitzḥaq (Isaque) e a redenção do riso na fé bíblica

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Quando o Senhor visitou Abraão e Sara, prometendo-lhes um filho na velhice, a reação humana diante do impossível foi o riso . No entanto, esse riso — inicialmente expressão de incredulidade e cansaço — seria transformado pelo próprio Deus em símbolo de fé e promessa . A história do nascimento de Isaque é um retrato vívido de como o divino redime até as reações mais humanas, convertendo o riso de dúvida em uma melodia de esperança. O riso da incredulidade: o contexto humano de Sara Em Gênesis 18:12 lemos: 📖 “Depois de envelhecida, e sendo também o meu senhor já velho, terei ainda prazer?” O texto hebraico diz: וַתִּצְחַ֥ק שָׂרָ֖ה בְּקִרְבָּ֣הּ לֵאמֹ֑ר אַחֲרֵ֤י בְלֹתִי֙ הָֽיְתָה־לִּ֣י עֶדְנָ֔ה וַאדֹנִ֖י זָקֵֽן׃ Vattitzḥaq Sarah beqirbah lemor: acharei veloti haytah li ‘ednah, va’adoni zaken. A palavra וַתִּצְחַק ( vattitzḥaq ) vem da raiz צ־ח־ק ( tz-ḥ-q ) , que significa rir, escarnecer, brincar . Essa raiz, curiosamente, pode ser positiva ou negativa, dependendo do contexto...

Plano Anual das Esposas de Fé 2026

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 O Plano Anual das Esposas de Fé será publicado no apps da biblia on line da YouVersion Pegue os links aqui:  Download The Bible App Now - 100% Free O início de um novo ano sempre traz a sensação de recomeço. As agendas são abertas, novas metas são traçadas, decisões são revistas e expectativas são renovadas. No coração de uma esposa cristã, esse movimento interior costuma vir acompanhado de orações, desejos de mudança e o clamor sincero por direção divina para guiar o lar. Foi dessa necessidade real, espiritual e cotidiana que nasceu o Plano Anual das Esposas de Fé — um devocional de 365 dias pensado exclusivamente para mulheres casadas cristãs que desejam fortalecer sua vida espiritual, emocional e familiar ao longo de todo o ano. Mais que um devocional, este é um caminho espiritual de doze ciclos , onde cada mês traz um tema específico para aprofundar áreas essenciais da vida da esposa. A proposta é permitir que o Espírito Santo conduza um processo contínuo de transformaç...

Hebraico Bíblico: O VALE DA SOMBRA DA MORTE

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  Salmo 23:4 Hebraico (Texto Massorético): גַּם כִּי־אֵלֵךְ בְּגֵיא צַלְמָוֶת לֹא־אִירָא רָע כִּי־אַתָּה עִמָּדִי שִׁבְטְךָ וּמִשְׁעַנְתֶּךָ הֵמָּה יְנַחֲמֻנִי׃ Gam ki-elekh b’gê tsalmavet lo ira ra ki attah ‘immadi; shivtekha u-mish‘antekha hemah yenahamuni. Português (ARA): “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.” 1. O Vale das Trevas — Bege Tsalmavet A expressão “tsalmavet” vem da junção de duas palavras hebraicas: tsel = sombra mavet = morte Mas literalmente significa “vale de escuridão profunda” — o lugar onde a luz é escassa, onde o caminho é incerto e o perigo é real. Mais do que uma metáfora para a morte física, é o símbolo da provação , das fases em que a alma atravessa sombras internas, medos e lutas espirituais. “O vale da sombra é onde Deus muitas vezes te leva.” A luta pode vir do inimigo, mas o caminho até o vale é conduzido por Deus . Ele não a...

ENTRE LÁGRIMAS E FEIXES - QUANDO DEUS TRABALHA NO INVISÍVEL

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  A vida cristã é marcada por estações. Há tempos de sol e há tempos de sombra; há dias de colheita e dias em que o campo parece vazio. Entre o plantar e o colher existe o silêncio — e é justamente nesse intervalo que Deus faz o seu trabalho mais profundo. O coração humano, acostumado com resultados imediatos, muitas vezes se desespera quando o fruto não aparece, esquecendo-se de que a semente precisa primeiro morrer para, depois, florescer . O Salmo 126:5–6 nos recorda: “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.” Esse texto não é apenas uma poesia antiga; é um retrato espiritual da jornada de todo aquele que crê. As lágrimas não são sinais de fracasso, mas de investimento. O solo que recebe o pranto do justo se torna terreno fértil para uma colheita que o tempo não pode roubar. Muitos confundem fé com sentimento. Acham que crer é não sentir dor, não chorar, não vacilar. Mas a...

Meu filho é Missionário

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Uma única foto — uma mãe abraçando o filho em seu aniversário. Um gesto simples, mas carregado de significados: saudade, medo e, ao mesmo tempo, o mais puro orgulho. Orgulho de ver o filho deixar o conforto do lar para obedecer à voz de Deus, partindo com coragem, mesmo ciente de tudo o que isso custaria — para ele e para quem o ama. Pedro Viana e Matheus Viana  dedico este artigo e o plano bíblico a vocês, e também aos seus pais, Fabi e Pr. Wilson , que aprenderam a viver a fé que envia. Para acessar o plano, click neste link: https://www.bible.com/reading-plans/64379/ Quando o Chamado Não é Seu — Mas é do Seu Filho A difícil entrega dos pais de jovens missionários Há um momento na vida de alguns pais em que o coração é profundamente provado: o dia em que um filho ou uma filha chega com os olhos brilhando e diz: “Deus me chamou para ir.” Talvez seja para um outro país, um campo de missão carente, ou apenas para uma entrega integral no ministério. Para alguns pais, essa...

Quando a esposa ama primeiro

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 Em um mundo onde quase tudo é regido por trocas, o amor genuíno tornou-se uma raridade. Somos ensinadas a só dar se recebermos, a só servir se formos valorizadas, e a só permanecer se formos compreendidas. No entanto, o Evangelho de Cristo nos convida a viver o contrário: amar primeiro, servir primeiro, perdoar primeiro. Essa é a marca da esposa ajudadora — aquela que reflete a graça de Deus dentro do lar. A parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20:1–16) mostra um Dono generoso que paga o mesmo valor a todos, independentemente do tempo de serviço. Aos olhos humanos, isso parece injusto. Mas Jesus revela que o Reino de Deus não opera por mérito, e sim por graça. O Dono da vinha representa o próprio Deus, e nós somos os trabalhadores — servos chamados a agir com amor, ainda que o reconhecimento não venha. Da mesma forma, no casamento, quantas vezes a esposa sente que dá mais do que recebe? Ela ora, cuida, organiza, apoia, mas muitas vezes não é notada. Então o coração se fe...

Salmo 9 – A Justiça que Canta

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O Salmo 9 ( Tehillim ט ) é um cântico de Davi , um homem acostumado à batalha, mas cuja vitória se transforma em louvor. Ele não celebra a força da espada, e sim a fidelidade de Deus — o mishpat (מִשְׁפָּט), a justiça divina em movimento . Neste salmo, Davi ergue a voz para agradecer, mas sua gratidão nasce da poeira da guerra. Ele reconhece que o livramento não é apenas um triunfo pessoal, e sim uma revelação do caráter de Deus , que julga com equidade e restaura o que foi quebrado. A gratidão que se lança: הוֹדֶה יְהוָה בְּכָל־לִבִּי “Render-te-ei graças, Senhor, de todo o meu coração” (Salmo 9:1) O verbo hebraico הוֹדֶה ( hodeh ) , “eu te darei graças”, vem da raiz ידה ( yadah ) , que significa também “lançar” ou “confessar”. Na língua do salmo, agradecer é se lançar diante de Deus com verdade , entregando-se completamente. Assim, a gratidão bíblica não é uma emoção superficial, mas uma confissão de dependência . Davi diz que fará isso “de todo o coração” — bekhol libbi (ב...

Saudade que ora

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Saudade é um vento, não tem forma, não tem hora, chega e arrasta o coração. Às vezes é lágrima, às vezes é silêncio, às vezes é só o vazio dos dias. Mas no secreto, ela se curva, vira oração. Não falo só de ausências humanas — falo daquela falta que o mundo não preenche, da sede que a alma não esconde, do clamor que atravessa os ossos. É saudade de Ti, Senhor. Saudade do Teu olhar que quebra medos, da Tua voz que faz o caos se calar. Quando a saudade aperta, eu não fujo dela, eu a entrego. E no altar do meu peito, ela se transforma em canto: Um canto de espera, um canto de promessa, um canto que repete como refrão eterno: “Vem depressa, Jesus… Vem, para que a saudade se dissolva na eternidade da Tua presença.”

Estranha, Mas Eu Desde criança, sempre me senti um tanto deslocada. Eu brincava de boneca, gostava de conversar com minhas amigas, de dançar e até de jogar xadrez. Mas, mesmo no meio das brincadeiras, sentia uma sede diferente — uma fome de palavras. Lia tudo o que caía em minhas mãos, até os jornais velhos que vinham embrulhando a carne do açougue. Descobria no silêncio das letras um mundo que, talvez, me entendesse melhor do que eu mesma conseguia. (“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” – João 1:1) Na juventude, quando comecei a trabalhar, todo dia comprava jornal. Lia inteiro: economia, política, esportes, até os obituários. Nada me escapava. A leitura era minha forma de respirar. Trabalhar e estudar era minha rotina, e eu me orgulhava da força que vinha dessa dedicação. (“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” – Eclesiastes 9:10) Mas um dia, um acidente mudou a minha história. De repente, os limites que eu nunca conheci se instalaram no meu corpo. Tive que aprender a viver de outro jeito. Houve lágrimas, dor, frustrações, mas também houve superação. Descobri que a vida não é feita só de velocidade, mas também de pausas, e que até no silêncio forçado há aprendizado. (“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” – 2 Coríntios 12:9) Hoje, com 64 anos, sinto que carrego tanto caminho percorrido, mas ao mesmo tempo me vejo lutando contra algo ainda mais profundo: não uma exclusão social, mas uma exclusão de mim para mim. Eu mesma me excluo, às vezes por me achar estranha, às vezes por não mais me reconhecer. É uma sensação sutil, um diálogo interno que me distancia de quem fui e de quem sou. (“Ainda na velhice darão frutos, serão viçosos e florescentes” – Salmo 92:14) Sim, eu sou diferente. Talvez nunca tenha pertencido aos grupos que riem das mesmas piadas ou falam das mesmas coisas banais. E hoje percebo que essa diferença não precisa ser uma vergonha. É um traço. É a marca da minha caminhada. (“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” – Romanos 12:2) Escrevo como desabafo, mas também como lembrança: não importa quantos anos tenhamos, a sede de aprender, de pensar, de questionar nunca se apaga. O corpo pode impor limites, mas a mente continua fértil, cheia de perguntas, cheia de vida. (“Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos” – Salmo 32:8) Se me sinto excluída? Sim. Se dói? Dói. Mas talvez essa dor seja a prova de que ainda não me acomodei. Ainda quero mais. Ainda busco. Ainda leio. E, se for para ser estranha, que eu seja — mas estranha que pensa, que sente, que escreve, que permanece viva no meio de um mundo que tantas vezes insiste em nos apagar. (“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo” – João 16:33)

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 Eu escuto muito que sou estranha. Acho que devo ser mesmo, mas mesmo estranha, ainda sou eu.... Desde criança, sempre me senti um tanto deslocada. Eu brincava de boneca, gostava de conversar com minhas amigas, de dançar e até de jogar xadrez. Mas, mesmo no meio das brincadeiras, sentia uma sede diferente — uma fome de palavras. Lia tudo o que caía em minhas mãos, até os jornais velhos que vinham embrulhando a carne do açougue. Descobria no silêncio das letras um mundo que, talvez, me entendesse melhor do que eu mesma conseguia. Na minha casa nunca faltou livros e muitas vezes eu me pegava lendo enciclopédias, tipo Barsa, lendo-a como se fosse um livro, em ordem alfabética. Tínhamos muitos livros clássicos e aos 11 anos, já tinha lido Ilíada, Homero, A divina Comédia. Mas é lógico que não faltavam os livros infanto juvenis. No ano em que fiz 11 anos, já tinha lido a coleção completa de Monteiro Lobato pelo menos 3 vezes. Digo pelo menos, pois os que eu gostava mais eu relia sem par...