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Mostrando postagens com o rótulo DISCIPULADO

Resenha do livro de Paul David Tripp: Você acredita?

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  Livro: Você Acredita? Autor: Paul David Tripp Ano de publicação: 2013 Introdução: Paul Tripp parte da constatação de que muitos cristãos conhecem doutrinas corretas, mas vivem desconectados delas no cotidiano. O livro desafia o leitor a examinar se suas crenças moldam decisões, reações, relacionamentos e prioridades, ou se permanecem apenas no campo intelectual. Número de capítulos: 14 capítulos Conteúdo (visão geral): Cada capítulo aborda uma crença essencial da fé cristã — como soberania de Deus, pecado, graça, redenção, eternidade e obediência — e demonstra como essas verdades devem impactar a vida prática. Tripp expõe a distância frequente entre confissão e prática, chamando o leitor a uma fé coerente e encarnada. Conclusão: Você Acredita? conclui afirmando que a fé bíblica verdadeira transforma a maneira de viver. O livro convida a uma fé madura, que se expressa em submissão diária a Deus, arrependimento contínuo e obediência consciente, sustentada pela graça. Pontos for...

Fé que con fessa, Fé que se vive

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  Existe uma diferença silenciosa — e muitas vezes dolorosa — entre a fé que confessamos com palavras e a fé que realmente vivemos no cotidiano. Sabemos dizer o que cremos, repetimos verdades bíblicas com clareza e afirmamos confiar em Deus. No entanto, quando a vida pressiona, nem sempre nossas escolhas revelam essa mesma confiança. A fé professada habita o discurso. A fé vivida se manifesta nas decisões. É possível afirmar que Deus é soberano e, ainda assim, viver controlando tudo por medo. É possível dizer que confiamos em Sua provisão e, ao mesmo tempo, agir movidos por ansiedade constante. Essa distância não nasce da falta de informação, mas de um coração que ainda não aprendeu a descansar plenamente em Deus. Com o passar do tempo, especialmente ao envelhecer, essa tensão se torna mais evidente. As forças diminuem, as certezas humanas enfraquecem e já não conseguimos sustentar uma fé apenas intelectual. A vida exige coerência. Aquilo que não foi integrado ao coração começa a...

O Evangelho que não se ajusta

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Há um desconforto crescente quando o evangelho é anunciado como ele sempre foi. Não porque a mensagem tenha mudado, mas porque o coração humano continua resistindo ao seu conteúdo central. O verdadeiro problema do cristianismo contemporâneo não é perseguição externa, mas adaptação interna. O evangelho tem sido moldado para caber na cultura, quando, desde o início, ele existe para confrontá-la. O evangelho não começa com as necessidades do homem, mas com a santidade de Deus. Ele não surge para melhorar a autoestima, organizar a vida ou oferecer conforto emocional. Ele começa com uma declaração incômoda: o homem está espiritualmente morto e separado de Deus. Qualquer mensagem que omita essa realidade já não anuncia o evangelho bíblico, mas uma versão diluída, inofensiva e socialmente aceitável. A cruz nunca foi um adorno religioso. Ela é o anúncio do fim do homem como centro. Nela, Deus declara que o velho modo de viver não pode ser reformado, apenas crucificado. Por isso, o evangelho ...

Resenha Livro: Imitação de Cristo de Tomás De Kempis

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  Autor: Tomás de Kempis Ano de publicação: c. 1420–1427 Editora (Brasil): diversas edições clássicas; amplamente publicado por editoras católicas e ecumênicas Gênero: Espiritualidade cristã / Devocional clássico 🟦 Introdução Imitação de Cristo é uma das obras mais lidas da história do cristianismo, depois da Bíblia. Escrita no contexto da Devotio Moderna , movimento espiritual que valorizava a piedade interior, a humildade e a vida prática com Deus, a obra convida o leitor a abandonar a superficialidade religiosa e a buscar uma vida profundamente enraizada em Cristo. Tomás de Kempis escreve com simplicidade deliberada. Seu objetivo não é impressionar intelectualmente, mas formar o caráter cristão , moldando o coração à semelhança de Jesus. A obra é direta, confrontadora e pastoral — fiel ao espírito dos antigos mestres espirituais. 🟦 Estrutura da Obra O livro é dividido em 4 livros , com aproximadamente 98 capítulos curtos , escritos como máximas espirituais e meditações...

Permanecer em Cristo

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A vida cristã nunca foi pensada como mero assentimento intelectual ou cumprimento exterior de normas religiosas. Desde o início, o chamado do evangelho foi relacional: seguir, permanecer, caminhar com Cristo . A intimidade com Jesus não é um luxo espiritual para poucos, mas o coração da fé cristã vivida de forma plena. Intimidade, no sentido bíblico, não se confunde com sentimentalismo. Trata-se de comunhão contínua, cultivada no silêncio, na oração perseverante e na escuta atenta da Palavra. Os antigos compreendiam que a alma precisa ser treinada para permanecer diante de Deus. Não há profundidade sem disciplina, nem maturidade sem constância. O convite de Cristo é sempre pessoal. Ele chama pelo nome, conduz ao recolhimento e ensina a permanecer. Essa permanência não afasta o cristão do mundo, mas o reposiciona dentro dele. Quanto mais profunda a comunhão, mais alinhada se torna a vontade. O coração passa a desejar aquilo que agrada a Deus, e a obediência deixa de ser peso para se t...

Resenhas Livros Gordon Fee

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  Cristologia Paulina Autor: Gordon D. Fee Publicação: 2007 (inglês) | edições posteriores em português Tema: A compreensão de Cristo nas cartas do apóstolo Paulo Introdução Neste livro, Gordon Fee propõe uma leitura cuidadosa e reverente da cristologia presente nas epístolas paulinas, sem impor sistemas teológicos posteriores ao texto. Seu objetivo é ouvir Paulo em seu próprio contexto histórico, linguístico e pastoral. Fee sustenta que Paulo possui, sim, uma cristologia elevada, enraizada na fé judaica e revelada à luz da ressurreição. Estrutura e resumo dos capítulos O livro é organizado tematicamente, acompanhando os principais eixos cristológicos: Jesus como Kyrios – Fee demonstra como o título “Senhor”, aplicado a Jesus, ecoa o nome divino do Antigo Testamento, inserindo Cristo na identidade do Deus único de Israel. Cristo e a criação – Passagens como Colossenses 1 e 1 Coríntios 8 são analisadas para mostrar o papel ativo de Cristo na criação. Encarnação ...

O Evangelho Acima de Tudo: Quando a mensagem não pode ser substituída

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Em meio a tantas práticas, métodos e estruturas religiosas, existe sempre o risco de perdermos o essencial. A fé cristã nunca foi construída sobre rituais vazios, performances espirituais ou símbolos desconectados da verdade. Ela nasce, cresce e se sustenta na proclamação do evangelho. Quando a mensagem central é deslocada, mesmo boas práticas podem se tornar distrações. Ao longo da história da Igreja, sempre houve a tentação de confundir meios com fins. O que deveria servir à mensagem passa a ocupar o lugar da própria mensagem. O evangelho, porém, não é acessório; é o coração pulsante da fé cristã. Ele anuncia não o que o homem pode fazer por Deus, mas o que Deus fez pelo homem em Cristo. Quando a proclamação do evangelho perde centralidade, a fé se esvazia de poder transformador. Permanecem formas, permanecem discursos, permanecem atividades — mas falta vida. O cristianismo histórico sempre entendeu que a Palavra anunciada, acompanhada pelo agir do Espírito, é o instrumento princip...

O Vaso e a Planta: quando a forma perde o propósito

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  Há uma imagem simples, antiga e profundamente verdadeira que ajuda a discernir a saúde de qualquer comunidade cristã: o vaso e a planta . Ela não é sofisticada, não é moderna, mas carrega a sabedoria das coisas que sempre foram feitas assim — e por isso funcionam. O vaso representa os ministérios, departamentos, programas, agendas e organizações da igreja. A planta representa as pessoas: homens e mulheres que precisam ser nutridos, cuidados, regados e expostos à luz para crescerem em Cristo. O vaso existe para servir a planta. Nunca o contrário. A função correta do vaso Um vaso tem valor porque: contém a terra, protege as raízes, favorece o crescimento, organiza o espaço. Ele não produz vida. Ele apenas cria condições para que a vida se desenvolva. Um vaso pode ser simples ou elaborado, antigo ou novo, desde que cumpra sua função principal: sustentar uma planta viva . Na igreja, programas e ministérios têm exatamente esse papel. Eles organizam, facilitam, acolhem e direcionam....

A Regra 7–38–55 e o Chamado Cristão à Coerência do Coração

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  A chamada regra 7–38–55 surgiu a partir de estudos do psicólogo Albert Mehrabian, na década de 1960, sobre comunicação emocional. Sua conclusão ficou conhecida em três números: 7% do impacto da mensagem vêm das palavras ; 38% vêm do tom de voz ; 55% vêm da linguagem corporal . Mehrabian observou que, quando alguém fala sobre algo carregado de sentimento, o corpo e o tom revelam mais do que a frase em si. Em outras palavras: quando coração, voz e postura não combinam, o ouvinte percebe. Embora apresentada como descoberta moderna, essa regra apenas evidencia algo que o cristianismo bíblico e a tradição já ensinavam há séculos: o exterior reflete o interior , e nenhuma palavra sustenta a verdade se não vier ancorada em um coração íntegro. 1. Palavra, Tom e Corpo: Um Retrato da Alma A fé cristã nunca separou “o que se diz” de “como se vive”. Jesus afirmou que “a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45). Quando a regra 7–38–55 afirma que o corpo e o tom...

O lar que Deus edifica

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  A pressa tornou-se a marca registrada de nossa geração. Vivemos debaixo da pressão constante do tempo, como se estivéssemos sempre atrasados para algo que nunca termina. Não temos mais tempo: corremos o dia inteiro, e, no final, percebemos que o essencial ficou de lado. O trabalho, que deveria sustentar a família, acabou ocupando o lugar dela. O domingo, antes dedicado ao descanso e à convivência, passou a ser mais um dia cheio de tarefas e compromissos. O lar, que deveria ser um refúgio, transformou-se quase numa pensão: as pessoas só se encontram para dormir, cada uma vivendo em seu próprio ritmo, em sua própria solidão silenciosa. A televisão, o computador e o celular assumiram o lugar da mesa de jantar, onde antes famílias inteiras conversavam, riam, compartilhavam suas preocupações e fortaleciam vínculos. A família já não encontra tempo para estar junta. Pais e filhos habitam a mesma casa, porém vivem isolados sob o mesmo teto. Cada quarto se tornou um pequeno mundo, uma m...

Tudo é de Deus

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  Tudo o que Temos Pertence a Cristo Não há vida secular e vida espiritual — há apenas vida em Cristo. 1. A ilusão moderna da divisão Vivemos tempos em que a fé foi empurrada para os domingos, enquanto o restante da semana é tratado como território “neutro”. Muitos servem a Deus no culto, mas servem a si mesmos nas decisões. Essa é a raiz de uma das heresias mais sutis do nosso tempo: a ideia de que existe uma vida espiritual e uma vida secular . Mas o Evangelho não nos convida a administrar duas existências; ele nos chama à rendição total . Cristo não veio para ser incluído na agenda — Ele veio para governá-la . 2. O senhorio de Cristo é absoluto Paulo afirma que “ tudo foi criado por Ele e para Ele ” (Cl 1:16). Essa palavra “tudo” não deixa espaço para exceções. Nossos dons, relacionamentos, emoções, finanças, tempo e trabalho — tudo tem um dono, e não somos nós. O cristianismo autêntico começa quando entendemos que não existe área “nossa”, mas apenas áreas ainda não ent...

Vida Secular x Vida Cristã

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 Se você chegou até aqui, provavelmente é causado pelo fato de querer saber mais em como lidar com a vida cristã e a vida secular, e resumindo quero apenas te afirmar:  Não há vida secular e vida espiritual — há apenas vida em Cristo. 1. A ilusão moderna da divisão Vivemos tempos em que a fé foi empurrada para os domingos, enquanto o restante da semana é tratado como território “neutro”. Muitos servem a Deus no culto, mas servem a si mesmos nas decisões. Essa é a raiz de uma das heresias mais sutis do nosso tempo: a ideia de que existe uma vida espiritual e uma vida secular . Mas o Evangelho não nos convida a administrar duas existências; ele nos chama à rendição total . Cristo não veio para ser incluído na agenda — Ele veio para governá-la . 2. O senhorio de Cristo é absoluto Paulo afirma que “ tudo foi criado por Ele e para Ele ” (Cl 1:16). Essa palavra “tudo” não deixa espaço para exceções. Nossos dons, relacionamentos, emoções, finanças, tempo e trabalho — tudo tem...

Ética como Fruto da Regeneração e Identidade

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  1. A regeneração: o novo nascimento espiritual A ética cristã não nasce do esforço humano , mas da obra interior do Espírito Santo . Jesus afirmou a Nicodemos: “Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3) A regeneração é o ato sobrenatural pelo qual o Espírito de Deus concede uma nova natureza ao homem. O pecador morto espiritualmente é vivificado, tornando-se capaz de amar a Deus e obedecer à Sua vontade. Sem essa transformação interior, qualquer tentativa de comportamento ético é apenas moralismo — aparência de bem, sem essência espiritual  2. A nova identidade em Cristo Quando alguém é regenerado, recebe uma nova identidade . O apóstolo Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17) A partir dessa nova condição, o cristão não vive mais guiado pelo “eu”, mas por Cristo . Sua conduta passa a refletir o caráter do Salvador. Por isso, a ética cristã é id...

Quando o Natal se Torna Idolatria: Um Chamado à Liderança Cristã

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O Natal é uma das épocas mais esperadas do calendário cristão. No entanto, também é uma das mais distorcidas. Para muitos líderes, dezembro virou o mês da performance: corais afinados, cenários impecáveis, peças teatrais elaboradas e sermões carregados de emoção. Mas precisamos fazer uma pergunta incômoda: temos pregado Cristo ou apenas produzido sentimentos passageiros? A encarnação do Filho de Deus não foi um espetáculo para entreter. Foi a intervenção mais radical da história: o Deus santo entrando em carne humana, sujeitando-se à miséria da humanidade, para salvar pecadores. Reduzir isso a lágrimas superficiais, a frases motivacionais ou a climas natalinos é trair o Evangelho. O perigo da plateia Lucas relata que o anúncio do nascimento de Jesus foi feito a pastores anônimos nos campos (Lc 2:11). Não havia plateia, apenas homens simples. O céu não se moveu para emocionar, mas para anunciar: nasceu o Salvador. Pergunto: quando você, líder, prepara sua mensagem natalina, pensa ma...