Preciso aprender a lamentar
Durante muito tempo, associei fé à força. Acreditei que crer em Deus significava seguir em frente sem olhar para trás, sem parar para chorar o que não deu certo, sem nomear perdas que não tinham forma concreta. Aprendi a agradecer rápido, a espiritualizar a dor e a seguir funcionando. Mas o tempo me ensinou algo que eu resisti em aceitar: há perdas que precisam ser lamentadas. Nem toda perda vem acompanhada de um funeral. Algumas são silenciosas. São sonhos que não se cumpriram, caminhos que não foram possíveis, versões de mim mesma que nunca se tornaram reais. Há futuros que imaginei com clareza e que, hoje, sei que não virão. E isso dói, mesmo quando a vida segue. Confesso que muitas vezes tentei ignorar esse luto. Disse a mim mesma que deveria estar satisfeita, que havia recebido muito, que outras pessoas passaram por dores maiores. Usei comparações e argumentos espirituais para não entrar em contato com o que eu sentia. Mas aquilo que não é lamentado não desaparece; apenas se ...