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O senhorio de Cristo e a redefinição da realidade

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  A fé cristã não nasceu como uma filosofia religiosa entre tantas outras. Ela surgiu como uma confissão pública que reorganizava completamente a leitura da realidade: há um único Senhor, e Ele reina . Essa afirmação, simples na forma e profunda no conteúdo, redefiniu a maneira como os primeiros cristãos compreendiam Deus, o mundo e a própria vida. Confessar o senhorio de Cristo não significava apenas reconhecer sua autoridade espiritual, mas afirmar que toda a história estava agora sob um novo governo. Em um mundo marcado por impérios, poderes visíveis e hierarquias rígidas, declarar um Senhor crucificado e ressuscitado era um ato de coragem e fidelidade. O senhorio de Cristo não competia com outros poderes; ele os relativizava. Essa convicção nasce do reconhecimento de que Deus não permaneceu distante. O Deus único, fiel às promessas feitas a Israel, agiu de modo decisivo na história humana. A vida, morte e ressurreição de Jesus não são episódios isolados, mas o ponto culmina...

Jesus como Senhor: o coração da fé apostólica

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  Há verdades que não nascem de sistemas filosóficos, mas de encontros transformadores. A fé cristã primitiva não surgiu de abstrações, mas da convicção inabalável de que Deus havia agido decisivamente na história por meio de Jesus. No centro dessa fé estava uma confissão simples, porém radical: Jesus é Senhor . Essa afirmação não era apenas devocional. No mundo antigo, “senhorio” significava autoridade, governo, pertencimento e lealdade. Declarar Jesus como Senhor era reposicionar toda a existência — espiritual, ética e comunitária — sob o domínio daquele que venceu a morte. Essa confissão brota do solo do monoteísmo judaico, não como ruptura, mas como cumprimento. O Deus único de Israel agora se revela de forma plena na pessoa do Filho. A fé apostólica compreende Jesus não apenas como mestre ou profeta, mas como aquele que participa da identidade divina. Ele não é um intermediário distante, mas o agente por meio do qual Deus cria, redime e sustenta todas as coisas. A linguagem...

Eu sou do Senhor

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Que segurança profunda repousa nessas palavras tão simples: “Eu sou do Senhor.” O próprio Cristo nos resgatou com Seu sangue precioso (1 Pedro 1:18–19). Pertencemos a Ele, somos valiosos para Ele, e porque fomos comprados por Seu sacrifício (1 Coríntios 7:23), Ele mesmo se encarrega de guardar nossa vida (1 Pedro 1:5). Nenhuma força, visível ou invisível, é capaz de arrancar-nos de Suas mãos (João 10:28). Nossa existência está protegida além de qualquer instabilidade terrena, pois está “escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:3). Assim, tanto na vida quanto na morte, permanecemos sob a mesma verdade: somos dEle (Romanos 14:8). Mesmo quando as circunstâncias parecem nos lançar de um lado para outro, essa certeza — “Eu sou do Senhor” — se torna uma âncora para a alma, produzindo uma paz constante. É como experimentar, ainda aqui, um vislumbre da vida celestial. Se vier a dor, o cansaço, a escassez, a perseguição, correntes, prisões, fogo ou águas profundas, essas poucas palav...