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Eu sou do Senhor

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Que segurança profunda repousa nessas palavras tão simples: “Eu sou do Senhor.” O próprio Cristo nos resgatou com Seu sangue precioso (1 Pedro 1:18–19). Pertencemos a Ele, somos valiosos para Ele, e porque fomos comprados por Seu sacrifício (1 Coríntios 7:23), Ele mesmo se encarrega de guardar nossa vida (1 Pedro 1:5). Nenhuma força, visível ou invisível, é capaz de arrancar-nos de Suas mãos (João 10:28). Nossa existência está protegida além de qualquer instabilidade terrena, pois está “escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:3). Assim, tanto na vida quanto na morte, permanecemos sob a mesma verdade: somos dEle (Romanos 14:8). Mesmo quando as circunstâncias parecem nos lançar de um lado para outro, essa certeza — “Eu sou do Senhor” — se torna uma âncora para a alma, produzindo uma paz constante. É como experimentar, ainda aqui, um vislumbre da vida celestial. Se vier a dor, o cansaço, a escassez, a perseguição, correntes, prisões, fogo ou águas profundas, essas poucas palav...

Entre o alpendre e o altar

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  Joel 2 nos chama de volta ao lugar onde o povo sempre encontrou restauração: entre o alpendre e o altar . Esse espaço sagrado, mencionado pelos profetas e praticado nas gerações antigas, era o ponto onde sacerdotes choravam, intercediam e buscavam a misericórdia divina. Entre o lugar da reunião do povo (alpendre) e o lugar do sacrifício (altar), forma-se uma ponte espiritual onde vida, arrependimento e entrega se encontram. Neste plano bíblico, caminharemos pelo significado desse espaço, seus símbolos hebraicos e sua relevância para o coração cristão hoje. 1. O ALPENDRE (הָאוּלָם – ha-ulam ) Termo hebraico: אוּלָם – ulam Significado: vestíbulo, pórtico, entrada frontal do templo . Simboliza: A porta da aproximação diante de Deus. O lugar onde o povo permanece , mas não entra no Santo. O espaço do clamor público , onde todos veem o sacerdote intercedendo. No Templo de Salomão, o ulam era o pórtico gigantesco que antecedia o Lugar Santo. 2. O ALTAR (מִ...

Genesis 3 e consequências

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 A narrativa da Queda em Gênesis 3 é mais do que um relato antigo. Ela ecoa em cada lar, em cada casamento, em cada geração que luta para entender por que os relacionamentos se desgastam, por que há disputa, por que há feridas tão profundas entre homens e mulheres. A Bíblia nos mostra que a raiz da crise não está na criação, mas na rebelião. Deus criou harmonia; o pecado introduziu conflito. Deus estabeleceu ordem; o pecado estabeleceu rivalidade. E somente quando esse diagnóstico é aceito é que podemos caminhar rumo à cura. Este artigo busca, com base no texto sagrado (NIV), compreender como a Queda afetou a dinâmica entre homem e mulher e como Cristo restaura aquilo que o pecado destruiu. 1. A Sedução da Serpente e a Desconexão do Coração No diálogo entre Eva e a serpente, algo profundo acontece: a voz de Deus começa a ser marginalizada. A serpente exagera a proibição divina e desfigura o caráter do Criador, fazendo o mandamento parecer arbitrário e pesado. Eva responde: “…...

Entre o Céu e a Terra: Oração Como Altar Vivo

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 A oração sempre ocupou um lugar central na espiritualidade bíblica. Para os antigos, ela não era apenas um momento devocional, mas um ato de aliança , um retorno consciente ao Deus que chama Seu povo pelo nome. Nas Escrituras, a oração está profundamente entrelaçada a uma linguagem simbólica rica, onde cada gesto e cada palavra carrega peso espiritual e teológico. No hebraico bíblico, um dos verbos mais usados para “orar” é פלל — palal , cuja raiz traz a ideia de intervir, julgar, mediar . Ou seja, quem ora se coloca diante de Deus reconhecendo que Ele é o Justo Juiz, e que cada súplica é um passo rumo ao realinhamento da vida com Sua vontade eterna. A oração, portanto, não é apenas um pedido; é um processo de discernimento e ajuste interior. Outro termo presente na Bíblia é שַׁחָה — shachah , que significa prostrar-se, curvar-se, render-se . Muitos atos de oração no Antigo Testamento envolvem esse gesto, lembrando que o corpo fala junto com a alma. Prostrar-se diante do Senhor ...

O Hebraico de Jeremias: A Árvore que Revela um Deus Atento

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Em Jeremias 1:11-12, Deus faz a Jeremias uma pergunta simples, mas carregada de significado: “O que você vê?”. O profeta responde: “Vejo um galho de amendoeira”. Então o Senhor declara: “Você viu corretamente, pois estou observando para garantir que minha palavra seja cumprida”. Essa breve visão não é apenas uma imagem poética; é uma chave espiritual para compreender o coração vigilante de Deus sobre Sua promessa. No hebraico, essa troca revela um jogo de palavras profundo. “Amendoeira” é  שָׁקֵד   (shaqed), enquanto “vigiando/velando” é  שֹׁקֵד   (shoqed). Duas palavras quase idênticas, que soam de forma semelhante, mas apontam para uma realidade divina: assim como a amendoeira é uma das primeiras árvores a florescer, despertando ainda no final do inverno, Deus se apresenta como aquele que “desperta cedo”, que está atento, zeloso e vigilante para cumprir o que prometeu. A amendoeira se torna, então, um símbolo visual da prontidão de Deus. Ela anuncia um novo ciclo...

A IGREJA DO DERRAMAMENTO DE JOEL

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  O derramamento do Espírito sempre foi promessa gloriosa, mas nunca automática. Ao longo da história bíblica, Deus visitou de forma intensa aqueles que se colocaram diante d’Ele com seriedade, humildade e quebrantamento. Não foi diferente nos dias de Joel, e não será diferente hoje. Uma igreja que deseja viver a plenitude do Espírito precisa trilhar o caminho antigo, aquele que Deus sempre honrou. Joel nos mostra esse percurso com clareza e profundidade. 1. Rasgar o coração (v. 12) O primeiro passo não é externo, é interno. Deus nunca se impressionou com gestos ensaiados; Ele olha para o coração. Rasgar o coração significa abrir-se diante de Deus com verdade — deixar cair as defesas, confessar pecados sem justificativas, admitir fraquezas e remover o que se acumulou dentro da alma. É escolher a sinceridade em vez da aparência; é permitir que Deus veja a dor, a culpa e até a frieza acumulada. Quando o coração é rasgado, o Espírito encontra um espaço onde Ele pode soprar nova...

Quando o Amor Decide Cobrir

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A ofensa revela o coração — não apenas o conflito Quando a ferida vem de alguém de fora, dói. Quando vem de alguém que amamos, abala. Mas Bevere insiste: a ofensa não é apenas um acontecimento externo; é um teste interno. Ela revela motivações, maturidade, inseguranças e até áreas que Deus deseja tratar em nós. A reação precipitada — o revide, a fala amarga, o comentário espalhado — apenas expõe o que ainda precisa de cura. O amor que cobre escolhe um caminho mais alto, aquele que sempre foi valorizado pelos cristãos ao longo dos séculos: o caminho da paciência e da honra. Por que o amor não revida O revide parece natural. Parece justo. Parece trazer alívio. Mas no fim, ele apenas amplia a ferida. Revidar é deixar a emoção governar; cobrir é deixar o caráter conduzir. O amor que cobre diz: “Eu não vou devolver na mesma moeda, porque não quero perpetuar o ciclo que me feriu.” Essa decisão não nasce da fraqueza, mas da força moral de quem aprendeu com Cristo a responder com mansidão...