O inicio do ano e o desafio de pertence
A primeira segunda-feira do ano costuma carregar um peso simbólico. Ela não é apenas mais um dia da semana, mas um marco silencioso entre o que ficou para trás e o que ainda será construído. É nesse espaço que muitas perguntas emergem — especialmente as que envolvem pertencimento, comunhão e continuidade.
Iniciar algo novo, como visitar uma nova comunidade de fé, pode ser inspirador. Há frescor, novas linguagens, novas pessoas, novas possibilidades. Ainda assim, o coração nem sempre acompanha o entusiasmo do momento. Muitas vezes, ele se volta para lugares onde a comunhão já foi construída com tempo, história e vínculos reais. A familiaridade não é inimiga da fé; ela é fruto de relações cultivadas com paciência.
Um dos grandes dilemas da vida cristã não é apenas onde estar, mas como permanecer. A experiência de rupturas repetidas pode gerar um receio legítimo: o medo de se envolver, criar laços e, mais adiante, enfrentar novamente a dor da separação. Quando isso acontece, surgem duas tentações opostas — mergulhar sem discernimento ou se fechar por completo como forma de autoproteção.
A tradição bíblica e a sabedoria espiritual nos ensinam outro caminho. Nem o impulso precipitado, nem o isolamento defensivo. Há um tempo certo para observar, para ouvir, para discernir. Deus nunca constrói às pressas. Ele estabelece fundamentos antes de levantar paredes. A comunhão verdadeira não nasce de decisões emocionais, mas de processos amadurecidos.
Pertencer é um chamado, mas também é um aprendizado. E aprender exige tempo. Em alguns momentos, a decisão mais sábia não é escolher imediatamente, mas permitir que o próprio caminho revele onde há paz, constância e solidez. O coração que confia não se apressa — ele caminha com reverência, discernimento e fidelidade.
Começar um novo ano com esse tipo de reflexão é, por si só, um sinal de maturidade espiritual. Afinal, permanecer também é uma forma profunda de fé.
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