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Mostrando postagens com o rótulo fé histórica

Resenha da obra de Lichale Horton: Bom demais para ser verdade

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 HORTON, Michael. Bom demais para ser verdade: encontrando esperança num mundo de ilusões . São Paulo: Vida Nova, 2010. Nesta obra, Michael Horton examina criticamente o cenário religioso contemporâneo marcado pelo pragmatismo, pelo moralismo terapêutico e pela centralidade do indivíduo. O autor argumenta que grande parte do cristianismo moderno abandonou o evangelho histórico em favor de mensagens utilitaristas, centradas na autoajuda, no sucesso pessoal e na experiência subjetiva. Horton estrutura sua análise demonstrando como a cultura pós-moderna moldou a teologia popular, substituindo categorias bíblicas como pecado, graça, arrependimento e redenção por discursos de autoestima, prosperidade e bem-estar emocional. Para o autor, essa distorção resulta em um “evangelho” que parece atraente, mas que carece do conteúdo redentor da fé cristã histórica. O eixo central da obra é a defesa do evangelho como boa notícia objetiva: a obra consumada de Cristo em favor de pecadores incapa...

Unidade Cristã: Quando a Verdade Sustenta a Comunhão

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Ao longo da história da igreja, a unidade sempre foi um anseio profundo do coração cristão. Desde as palavras de Jesus em sua oração sacerdotal — “para que todos sejam um” — até os desafios enfrentados pela igreja contemporânea, a busca pela comunhão permanece central. No entanto, essa unidade nunca foi pensada como algo superficial, meramente institucional ou emocional. A unidade cristã verdadeira sempre esteve ancorada na verdade do evangelho. Nos primeiros séculos, a igreja enfrentou perseguições externas e conflitos internos. Ainda assim, manteve-se unida não por uniformidade cultural ou política, mas por uma fé comum, cuidadosamente preservada. Credos, confissões e concílios surgiram não como instrumentos de divisão, mas como salvaguardas da fé recebida “uma vez por todas”. A unidade era protegida pela clareza doutrinária, não pelo silêncio teológico. Com o passar do tempo, especialmente na modernidade, a ideia de unidade passou a ser reinterpretada. Em um mundo cansado de conf...

Cristo: o prazer esquecido da fé cristã

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  Em muitos ambientes cristãos, a fé tem sido apresentada como um meio para alcançar resultados: paz emocional, soluções rápidas, prosperidade ou alívio de dores pessoais. Sem perceber, o centro se desloca. Cristo deixa de ser o fim e passa a ser apenas um instrumento. Quando isso acontece, algo essencial se perde: o deleite em quem Ele é. A fé cristã, desde suas origens, sempre foi marcada por admiração, reverência e alegria profunda em Cristo. Não uma alegria superficial, mas aquela que nasce do encontro real com sua pessoa. O cristão não é chamado apenas a obedecer a Jesus, mas a conhecê-lo, contemplá-lo e amá-lo. A obediência verdadeira surge desse amor, não do medo nem da obrigação religiosa. Quando Cristo é reduzido a um “meio”, a vida espiritual se torna pesada. A oração vira tarefa, a leitura bíblica se transforma em cobrança e a fé perde sua doçura. Mas quando Cristo é reconhecido como o maior tesouro, tudo muda. A disciplina espiritual deixa de ser um fardo e passa a s...

Palavras que Revelam o Deus Vivo

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Vivemos numa época de excesso de palavras e escassez de reverência. Fala-se muito sobre Deus, mas nem sempre se fala a partir de Deus . Conceitos, slogans religiosos e frases de efeito circulam com facilidade, enquanto o conhecimento profundo do Deus vivo se torna cada vez mais raro. Este é um dos grandes desafios da fé cristã contemporânea: distinguir entre falar sobre Deus e realmente conhecê-Lo . Na tradição cristã histórica, as palavras nunca foram vistas como meros instrumentos de comunicação, mas como meios de revelação. Deus Se dá a conhecer por meio de palavras cuidadosamente escolhidas, carregadas de sentido, peso e santidade. Cada atributo revelado — santidade, fidelidade, justiça, graça, soberania — não é um adjetivo abstrato, mas uma janela para o caráter do próprio Deus. Tratar essas palavras com superficialidade é reduzir o próprio Deus. Conhecer Deus exige precisão reverente. Não porque possamos dominá-Lo intelectualmente, mas porque Ele decidiu Se revelar de maneira ...