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Mostrando postagens com o rótulo estudando a Bíblia

A Trindade na Elaboração da Bíblia

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  Afirmar que Deus é o autor da Bíblia e que Jesus Cristo é o seu assunto principal é essencial — mas ainda não é completo. Precisamos acrescentar uma verdade igualmente fundamental: o Espírito Santo é o agente da revelação . Sem Ele, a Escritura não teria sido dada; e sem Ele, tampouco pode ser verdadeiramente compreendida. Por isso, a compreensão cristã da Bíblia é, em sua essência, trinitária . A Bíblia vem do Pai, pois nasce de Sua vontade soberana. Ela é centrada no Filho, pois todo o seu conteúdo converge para a pessoa e a obra de Cristo. E ela é inspirada pelo Espírito Santo, que moveu os autores humanos a escreverem aquilo que Deus quis comunicar. Não se trata de três atos separados, mas de uma única obra divina realizada em perfeita harmonia. Assim, a melhor definição da Bíblia também precisa refletir essa realidade: a Bíblia é o testemunho do Pai sobre o Filho, por meio do Espírito Santo. Essa definição preserva a fé da Igreja como sempre foi ensinada. Ela impede que ...

A manjedoura no Natal

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 As Escrituras, como Martinho Lutero costumava dizer, são a manjedoura — o berço humilde — no qual repousa o Menino Jesus. A imagem é simples e profundamente verdadeira. A manjedoura não existe para ser admirada por si mesma, mas para conduzir o olhar ao Bebê que nela está deitado. Inspecionar o berço e ignorar o Menino é perder o sentido de tudo. Assim também é com a Bíblia: ela nos conduz a Cristo e nos chama à adoração. Não há leitura correta das Escrituras que termine em mera análise; ela precisa culminar em reverência, fé e entrega. Podemos dizer ainda que as Escrituras são como a estrela que guiou os sábios do Oriente. A estrela tinha valor real, brilho e direção — mas não era o destino final. Seu propósito era conduzir até a casa onde estava o Salvador. Da mesma forma, não podemos permitir que nossa curiosidade intelectual, histórica ou linguística se torne tão absorvente que nos faça esquecer para onde a Palavra está nos levando. Quando a estrela cumpre seu papel, ela des...

Estudar a Bíblia Salva?

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 Os judeus contemporâneos de Jesus Cristo enfrentaram um paradoxo profundo e, ao mesmo tempo, solene. Eram homens e mulheres profundamente comprometidos com o estudo das Escrituras. Não se pode negar seu zelo. Dedicavam-se com disciplina, reverência e rigor ao Antigo Testamento. Como o próprio Jesus reconheceu, eles “examinavam cuidadosamente as Escrituras” (cf. Jo 5.39). E, de fato, examinavam. Esse estudo não era superficial. Passavam horas analisando minúcias do texto sagrado, contando palavras, letras, repetições e estruturas. Sabiam que a eles haviam sido confiados “os oráculos de Deus” (Rm 3.2). Havia ali um profundo senso de responsabilidade espiritual e histórica. Nada disso é desprezível. Pelo contrário, trata-se de um legado de zelo que atravessou séculos e preservou fielmente o texto bíblico. O problema, porém, não estava no estudo em si, mas na expectativa depositada nele. De alguma forma, muitos passaram a acreditar que o acúmulo de conhecimento bíblico detalhado lh...

Revelação de Deus

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A revelação divina ocupa um lugar central e insubstituível na fé cristã , e compreendê-la corretamente preserva o coração do evangelho tal como sempre foi crido e transmitido ao longo das gerações. Primeiro , a revelação divina não é apenas razoável — ela é absolutamente indispensável. A razão humana, embora valiosa, é limitada e finita. Por si só, jamais consegue transpor o abismo que separa a criatura do Criador. Podemos observar a criação, refletir sobre a moral, perceber vestígios da ordem divina, mas nunca chegar ao conhecimento salvador de Deus sem que Ele mesmo se revele. Deus não é descoberto; Ele é dado a conhecer. Foi assim desde o princípio: o Senhor tomou a iniciativa, falou, chamou, revelou-se. Sem essa revelação graciosa, permaneceríamos no escuro, tateando por respostas que não poderiam nos salvar. Segundo , a revelação divina acontece por meio de palavras. Deus escolheu comunicar-se de forma inteligível, usando linguagem humana, vocabulário acessível e estruturas comp...

Do Cristo Crucificado à Plena Maturidade Espiritual

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 As contraposições apresentadas por Paulo em 1 Coríntios 2 não são acidentais nem secundárias; elas são estruturais para a fé cristã e não devem ser negligenciadas. O apóstolo afirma que transmite sabedoria, mas faz questão de qualificá-la cuidadosamente, para que não seja confundida com aquilo que o mundo chama de sabedoria. Primeiro , essa sabedoria é comunicada aos maduros , não aos não cristãos nem àqueles que ainda estão nos primeiros passos da fé. Paulo não está criando uma elite espiritual, mas reconhecendo um princípio antigo e pastoral: há verdades que exigem crescimento, discernimento e tempo. A fé começa com o anúncio simples do evangelho, mas não termina ali. Assim como uma criança não assimila alimento sólido, o cristão imaturo ainda não está pronto para compreender plenamente os desígnios mais profundos de Deus. Segundo , trata-se de sabedoria de Deus , não da sabedoria deste mundo. Ela não nasce da observação humana, da filosofia ou do poder político. É uma sabedo...