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Implorando Perdão do Islamismo? Fé, Política e Verdade Histórica

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  Em determinados momentos da história recente, líderes religiosos e políticos têm defendido gestos públicos de pedido de perdão ao islamismo em nome do cristianismo, muitas vezes motivados por episódios históricos de conflito, como as Cruzadas ou tensões entre o Ocidente e o mundo islâmico. Essa prática levanta uma questão delicada e necessária: até que ponto tais pedidos refletem arrependimento legítimo, e quando se tornam concessões políticas que confundem fé, história e responsabilidade espiritual? A Bíblia ensina claramente que o arrependimento é pessoal e moral, não ideológico. Ele está sempre ligado à confissão de pecados reais, cometidos por indivíduos ou comunidades específicas, e acompanhado de mudança de atitude. O arrependimento bíblico nunca é genérico, simbólico ou usado como ferramenta diplomática. Quando se perde esse princípio, corre-se o risco de transformar um conceito espiritual profundo em um gesto vazio. Historicamente, é verdade que houve períodos em que a ...

Queremos o Deus do Poder, mas Negamos o Deus da Fornalha?

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  Há perguntas que não surgem da curiosidade, mas da dor. Esta é uma delas. Ela brota quando percebemos que nosso coração, tão facilmente enganado, deseja apenas o lado confortável da fé — e rejeita o lado que nos molda. Vivemos um tempo em que muitos querem o Deus que abre portas, mas não o Deus que permite o vale. Queremos o Deus que dá livramentos espetaculares, mas não o Deus que nos leva à fornalha da provação a fim de purificar o que precisa morrer em nós. Essa busca seletiva revela um problema antigo: criamos um Deus à nossa medida. Um Deus para resolver, não para reger. Um Deus para nos tirar de situações difíceis, não para caminhar conosco dentro delas. 1. A fé bíblica nunca prometeu isenção da fornalha Quando abrimos as páginas da Escritura, não encontramos um povo que foi poupado da dor, mas um povo sustentado na dor. Abraão enfrentou o monte Moriá. José enfrentou a masmorra. Daniel enfrentou a cova. Elias enfrentou o deserto. Paulo enfrentou o espinho. Nenhum de...

Como houve luz se o sol ainda não havia sido criado?

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A pergunta permanece tão viva hoje quanto no primeiro versículo: como poderia haver luz antes do sol? A resposta bíblica não é científica no sentido moderno, mas ontológica e teológica . Gênesis não começa explicando mecanismos; começa revelando ordem, sentido e origem . Quando o texto hebraico afirma: “וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי אוֹר וַיְהִי־אוֹר” — “E Deus disse: haja luz, e houve luz” (Gn 1:3), a palavra usada é אוֹר (’ôr) . Não é uma luz derivada, refletida ou instrumental. É luz em si , não dependente de astros. No pensamento hebraico, ’ôr está associada à manifestação da vida , à revelação do que estava oculto, à possibilidade de percepção. Não é apenas algo que ilumina objetos; é aquilo que torna a realidade habitável . Em contraste, a escuridão inicial é chamada חֹשֶׁךְ (ḥōshekh) — não o mal, mas a ausência de forma, direção e distinção . Antes da criação, não havia conflito entre bem e mal; havia indistinção . Por isso, o texto diz que Deus “separou” a luz das trevas. O ve...

O Espírito Santo e a Escritura: Revelação, Inspiração e Iluminação

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A fé cristã sempre confessou que a Bíblia não é um livro comum. Ela procede de Deus, aponta para Cristo e foi comunicada por meio da ação pessoal e intencional do Espírito Santo. Quando se perde essa convicção, a Escritura é reduzida a literatura religiosa; quando ela é preservada, a Palavra permanece viva, autoritativa e transformadora. O ensino do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 2 nos oferece uma estrutura segura e profunda para compreender como o Espírito Santo atua na origem, na transmissão e na compreensão da verdade divina. O Espírito Santo como Pessoa que Revela Antes de tudo, é necessário afirmar algo essencial: o Espírito Santo não é uma força impessoal, nem uma energia abstrata. Ele é uma Pessoa divina, que conhece, sonda, decide e comunica. Paulo afirma que “o Espírito tudo perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”. Isso significa que somente o Espírito conhece plenamente os desígnios eternos do Pai. Aquilo que estava oculto no coração de Deus não poderia ser al...

Estudar a Bíblia Salva?

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 Os judeus contemporâneos de Jesus Cristo enfrentaram um paradoxo profundo e, ao mesmo tempo, solene. Eram homens e mulheres profundamente comprometidos com o estudo das Escrituras. Não se pode negar seu zelo. Dedicavam-se com disciplina, reverência e rigor ao Antigo Testamento. Como o próprio Jesus reconheceu, eles “examinavam cuidadosamente as Escrituras” (cf. Jo 5.39). E, de fato, examinavam. Esse estudo não era superficial. Passavam horas analisando minúcias do texto sagrado, contando palavras, letras, repetições e estruturas. Sabiam que a eles haviam sido confiados “os oráculos de Deus” (Rm 3.2). Havia ali um profundo senso de responsabilidade espiritual e histórica. Nada disso é desprezível. Pelo contrário, trata-se de um legado de zelo que atravessou séculos e preservou fielmente o texto bíblico. O problema, porém, não estava no estudo em si, mas na expectativa depositada nele. De alguma forma, muitos passaram a acreditar que o acúmulo de conhecimento bíblico detalhado lh...

Relacionamento que Define a Unção

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Distância, proximidade e nossos líderes espirituais A relação entre Elias e Eliseu   lança luz sobre a forma como nos relacionamos com nossos líderes espirituais . A Escritura mostra que não basta reconhecer autoridade, ouvir bons ensinos ou estar inserido em um ambiente espiritual saudável. Há uma diferença profunda entre respeitar um líder e caminhar com ele . Os filhos dos profetas reconheciam Elias como referência espiritual. Sabiam discernir o que Deus estava prestes a fazer, honravam o profeta e faziam parte do mesmo movimento espiritual. Ainda assim, mantinham certa distância. Eles não atravessam o Jordão, não acompanham o profeta até o fim, não compartilham o peso final do caminho. Permanecem como observadores atentos, porém protegidos. É uma postura comum: admiração sem convivência, respeito sem proximidade, escuta sem partilha. Eliseu escolhe outra forma de relacionamento. Ele não apenas aprende com Elias; ele serve , acompanha , observa o cotidiano , os silêncios, as d...

Inquisição Portuguesa no Brasil

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A atuação da Inquisição Portuguesa no Brasil ocorreu principalmente entre os séculos XVI e XVIII , período em que Portugal mantinha forte controle religioso sobre suas colônias. Embora o Brasil nunca tenha tido um tribunal inquisitorial permanente, a Inquisição esteve presente por meio das chamadas Visitações do Santo Ofício , enviadas diretamente de Lisboa. Essas visitas tinham como objetivo investigar, julgar e punir práticas consideradas heréticas ou contrárias à fé católica oficial. O tribunal da Inquisição Portuguesa foi formalmente instituído em 1536 , com autorização papal, e permaneceu ativo até 1821 . No contexto brasileiro, sua atuação foi mais intensa entre 1591 e 1763 , especialmente nas regiões da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O foco principal das investigações recaía sobre os cristãos-novos — judeus convertidos ao cristianismo, muitos deles de forma forçada, que eram suspeitos de manter práticas judaicas em segredo. Entre os nomes ligados à Inquisição...