Inquisição Portuguesa no Brasil

A atuação da Inquisição Portuguesa no Brasil ocorreu principalmente entre os séculos XVI e XVIII, período em que Portugal mantinha forte controle religioso sobre suas colônias. Embora o Brasil nunca tenha tido um tribunal inquisitorial permanente, a Inquisição esteve presente por meio das chamadas Visitações do Santo Ofício, enviadas diretamente de Lisboa. Essas visitas tinham como objetivo investigar, julgar e punir práticas consideradas heréticas ou contrárias à fé católica oficial.

O tribunal da Inquisição Portuguesa foi formalmente instituído em 1536, com autorização papal, e permaneceu ativo até 1821. No contexto brasileiro, sua atuação foi mais intensa entre 1591 e 1763, especialmente nas regiões da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O foco principal das investigações recaía sobre os cristãos-novos — judeus convertidos ao cristianismo, muitos deles de forma forçada, que eram suspeitos de manter práticas judaicas em segredo.

Entre os nomes ligados à Inquisição no Brasil, destaca-se o inquisidor Heitor Furtado de Mendonça, responsável pela Primeira Visitação do Santo Ofício ao Brasil (1591–1595). Ele percorreu cidades como Salvador, Olinda e Recife, instaurando processos, recolhendo denúncias e enviando acusados a Lisboa para julgamento. Sua atuação marcou profundamente a vida religiosa e social da colônia, criando um clima de medo e vigilância constante.

Outro personagem relevante foi Marcos Teixeira, inquisidor que conduziu a Segunda Visitação (1618–1621). Nesse período, intensificaram-se as acusações contra práticas judaizantes, como a observância do sábado, restrições alimentares e orações hebraicas feitas em segredo. Muitas denúncias partiam de vizinhos, familiares ou até membros da própria comunidade, incentivados pelo sistema inquisitorial.

Entre as vítimas conhecidas, podemos citar Branca Dias, cristã-nova residente em Pernambuco, acusada de judaísmo. Embora tenha vivido antes das visitações formais, seu nome aparece em diversos processos posteriores como símbolo da perseguição religiosa. Outro caso emblemático é o de Antônio José da Silva, conhecido como “O Judeu”, nascido no Rio de Janeiro em 1705. Ele foi acusado de práticas judaizantes e executado em Lisboa em 1739, tornando-se um dos exemplos mais conhecidos da violência inquisitorial contra brasileiros.

Do ponto de vista bíblico e cristão, a Inquisição representa uma grave distorção do Evangelho. A fé cristã jamais foi apresentada nas Escrituras como algo a ser imposto pela força. Jesus chamou ao arrependimento, nunca à coerção. A conversão genuína é obra do coração, não resultado de interrogatórios, punições ou medo institucionalizado.

A atuação da Inquisição Portuguesa no Brasil também revela os perigos da união entre poder religioso e poder estatal. Quando a Igreja assume funções de controle político e social, perde sua natureza profética. Em vez de anunciar a verdade com graça, passa a defender estruturas humanas. Esse erro histórico serve como alerta permanente para todas as gerações cristãs.

Reconhecer esse passado não enfraquece a fé cristã; pelo contrário, fortalece seu compromisso com a verdade. A história da Inquisição no Brasil nos ensina o valor da liberdade de consciência diante de Deus, princípio profundamente bíblico. A fé autêntica não nasce do medo, mas do convencimento produzido pela Palavra e pelo Espírito.

Estudar esse período é um exercício de memória, discernimento e responsabilidade. O Evangelho permanece santo, mesmo quando homens falham em representá-lo. Cabe à Igreja aprender com a história para que jamais volte a confundir zelo religioso com violência espiritual.




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