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Resenha livro: ansiedade de Watchmann Nee

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Autoria: Watchman Nee Título original: Anxiety (compilação de mensagens) Data de publicação: Década de 1940 Tema central: Ansiedade como questão espiritual, descanso em Deus e confiança na soberania divina Introdução da Obra No livro Ansiedade , Watchman Nee aborda um tema universal e atemporal: a inquietação do coração humano diante das circunstâncias da vida. Diferente de abordagens modernas que tratam a ansiedade apenas como fenômeno emocional ou psicológico, Nee a examina sob a ótica espiritual. Logo na introdução, o autor estabelece que a ansiedade revela um conflito interior entre fé declarada e confiança real em Deus. Para Nee, a ansiedade não surge apenas do sofrimento, mas da tentativa humana de controlar aquilo que pertence exclusivamente à soberania divina. O livro nasce do contexto pastoral do autor, fruto de aconselhamento, observação da vida cristã prática e profunda meditação bíblica. Sua escrita é direta, confrontadora e ao mesmo tempo profundamente consoladora. Es...

O que significa, de fato, ser perdoado?

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Todos nós falhamos. Ferimos pessoas, erramos o alvo, carregamos culpas antigas e marcas que o tempo não apaga com facilidade. Isso faz parte da condição humana desde o Éden. A pergunta que atravessa as Escrituras, porém, não é se o ser humano cai, mas como relações quebradas podem ser restauradas — com Deus e com o próximo. Quando falamos de perdão, muitas vezes usamos uma linguagem superficial, quase terapêutica. Contudo, no mundo bíblico, especialmente no universo judaico em que Jesus viveu, o perdão é um conceito profundamente relacional, comunitário e histórico . Ele não nasce de abstrações, mas de alianças, rupturas e reconciliações reais. Perdão na Bíblia Hebraica: mais do que “esquecer” Na Bíblia Hebraica, o perdão não é apresentado como um simples “apagar da memória”. O verbo hebraico salach (סָלַח), geralmente traduzido como “perdoar”, aparece quase sempre tendo Deus como sujeito. Ele descreve um ato soberano de misericórdia que remove o peso da culpa , mas não nega a re...

A manjedoura no Natal

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 As Escrituras, como Martinho Lutero costumava dizer, são a manjedoura — o berço humilde — no qual repousa o Menino Jesus. A imagem é simples e profundamente verdadeira. A manjedoura não existe para ser admirada por si mesma, mas para conduzir o olhar ao Bebê que nela está deitado. Inspecionar o berço e ignorar o Menino é perder o sentido de tudo. Assim também é com a Bíblia: ela nos conduz a Cristo e nos chama à adoração. Não há leitura correta das Escrituras que termine em mera análise; ela precisa culminar em reverência, fé e entrega. Podemos dizer ainda que as Escrituras são como a estrela que guiou os sábios do Oriente. A estrela tinha valor real, brilho e direção — mas não era o destino final. Seu propósito era conduzir até a casa onde estava o Salvador. Da mesma forma, não podemos permitir que nossa curiosidade intelectual, histórica ou linguística se torne tão absorvente que nos faça esquecer para onde a Palavra está nos levando. Quando a estrela cumpre seu papel, ela des...

Soberania, Juízo e Responsabilidade: Uma Leitura Teológico-Pastoral sobre Intervenções entre Nações

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Introdução Ao longo da história, crises políticas e intervenções internacionais levantam uma pergunta antiga: quem tem autoridade para agir sobre outra nação? A Bíblia não responde com simplismos. Ela oferece uma lente mais profunda, moldada pela tradição profética de Israel, onde soberania, justiça e responsabilidade caminham juntas. Este artigo propõe uma leitura teológica e pastoral , sem paixões ideológicas, mas com temor diante do Deus que governa a história. 1. A soberania das nações não é absoluta As Escrituras afirmam que Deus “determinou tempos previamente estabelecidos e os limites da habitação das nações” (At 17:26). Isso revela que a soberania nacional é real , mas delegada . Nenhum governo é dono absoluto do seu povo ou do seu território. Quando líderes confundem autoridade com domínio irrestrito, entram no mesmo erro denunciado pelos profetas. Biblicamente, a soberania existe para servir à vida , proteger os vulneráveis e promover justiça. Quando isso é abandonado, a naç...

Vigie em Tempos de Guerra

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A fé cristã nunca prometeu neutralidade. Desde o Éden até a cruz, a Escritura revela que a história humana está inserida em um conflito espiritual real, ainda que invisível aos olhos naturais. Em muitos períodos, a igreja compreendeu essa verdade com clareza; em outros, preferiu o conforto da acomodação. Vivemos dias em que a vigilância espiritual não é opcional, mas essencial. A Bíblia ensina que o mal não atua apenas de forma escancarada. Ele se infiltra por meio da distração, da desobediência sutil e da perda do temor do Senhor. Quando o povo de Deus deixa de ouvir com atenção a voz divina, passa a caminhar guiado por impressões, emoções ou conveniências. O resultado é uma fé enfraquecida, incapaz de permanecer firme no dia mau. A vida espiritual exige posicionamento. Permanecer firme nem sempre significa avançar; muitas vezes significa resistir sem ceder terreno. A armadura espiritual descrita nas Escrituras não foi dada para exibição simbólica, mas para uso diário. Verdade, jus...

Resenha livro: Prepare-se para a Guerra de Rebecca Brown

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Autoria: Rebecca Brown Data de publicação: 1987 Tema central: Guerra espiritual, vigilância cristã, autoridade espiritual e discernimento Introdução da Obra Na introdução, a autora escreve com forte senso de urgência espiritual. Ela afirma que o mundo vive um tempo de intensificação do mal e que a igreja, muitas vezes acomodada, evita encarar essa realidade. A imagem bíblica do “Vale da Decisão” (Joel 3) é usada como pano de fundo teológico para chamar o leitor à responsabilidade espiritual. O livro é apresentado como uma continuação de sua obra anterior e como um alerta direto: não existe neutralidade na guerra espiritual. Estrutura do Livro 📘 Total de capítulos: 17 capítulos + Conclusão Resumo de Cada Capítulo Capítulo 1 – Saia da Cidade! Relata o início das perseguições e ataques espirituais, destacando a necessidade de obediência imediata à direção divina. O capítulo ensina que permanecer em ambientes espiritualmente contaminados pode trazer sérias consequências. Capítulo 2 ...

A autoridade dada aos profetas e apóstolos

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  Não foram apenas os apóstolos que compreenderam a autoridade singular que lhes fora concedida por Cristo; a igreja primitiva também a reconheceu com clareza e humildade . Com a morte do último apóstolo, a comunidade cristã entrou conscientemente numa nova etapa da história: a era pós-apostólica. Já não havia entre eles ninguém que pudesse falar com a autoridade de Paulo , Pedro ou João . Essa consciência não foi traumática; foi reverente e ordenada. Um testemunho especialmente claro dessa compreensão vem de Inácio de Antioquia (c. 110 d.C.). Atuando pouco depois do falecimento de João, Inácio estava plenamente ciente da mudança de época em que vivia. A caminho de Roma para o martírio, escreveu cartas pastorais às igrejas de Éfeso, Roma, Trales e outras comunidades. Em suas palavras, ecoa uma lucidez notável: “Não lhes dou mandamentos, como Pedro ou Paulo. Pois não sou um apóstolo, mas um homem condenado”. Essa afirmação é profundamente reveladora. Inácio era bispo — um líder re...