A manjedoura no Natal
Podemos dizer ainda que as Escrituras são como a estrela que guiou os sábios do Oriente. A estrela tinha valor real, brilho e direção — mas não era o destino final. Seu propósito era conduzir até a casa onde estava o Salvador. Da mesma forma, não podemos permitir que nossa curiosidade intelectual, histórica ou linguística se torne tão absorvente que nos faça esquecer para onde a Palavra está nos levando. Quando a estrela cumpre seu papel, ela desaparece diante da presença do Menino. Quando a Escritura cumpre o seu, ela nos coloca face a face com Jesus Cristo.
Outra imagem igualmente fiel é a da caixa que expõe uma joia preciosa. A caixa pode ser bem trabalhada, antiga e bela, mas sua razão de existir é revelar a joia. Admirar a caixa e ignorar o brilho do tesouro é um erro grave. Assim, estudar a Bíblia sem chegar a Cristo é deter-se no invólucro e desprezar o conteúdo mais precioso. A Escritura é santa, inspirada e indispensável — mas sua glória maior é apontar para o Filho de Deus.
Por isso, não é suficiente simplesmente possuir uma Bíblia. Não basta lê-la regularmente, amá-la com devoção, estudá-la com disciplina ou conhecê-la em profundidade. Tudo isso é bom, necessário e digno — como sempre foi na fé cristã histórica. Mas a pergunta decisiva permanece: o Cristo da Bíblia é o centro da nossa vida? Ele governa nossos afetos, decisões, esperanças e obediência?
Se a resposta for negativa, então toda a leitura, por mais correta que seja, torna-se estéril. Pois o grande objetivo da Bíblia não é produzir especialistas no texto, mas discípulos de Cristo. O caminho antigo da fé sempre ensinou isso: a Palavra foi dada para nos levar ao Verbo vivo. Quando Cristo ocupa o centro, a Escritura cumpre plenamente sua missão — e nossa fé encontra descanso, sentido e vida verdadeira.
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