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Mostrando postagens de janeiro 10, 2026

Resenha Livro Esmurrando o Corpo de Watchman Nee

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  Autoria: Watchman Nee Título original: Discipline / I Discipline My Body (compilação de mensagens) Data de publicação: Década de 1930–1940 Tema central: Disciplina espiritual, domínio próprio e submissão do corpo ao Espírito Introdução da Obra No livro Esmurrando o Corpo , Watchman Nee parte das palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:27 para tratar de um tema frequentemente negligenciado na vida cristã: a disciplina espiritual. Desde a introdução, o autor deixa claro que a vida cristã não é guiada por sentimentos, impulsos ou desejos naturais, mas pelo governo do Espírito Santo. Nee não defende ascetismo extremo nem desprezo pelo corpo. Pelo contrário, ele ensina que o corpo é um instrumento criado por Deus, mas que precisa ser disciplinado para não se tornar senhor da vida espiritual. O livro nasce da preocupação pastoral do autor ao observar cristãos sinceros que fracassavam não por falta de fé, mas por ausência de domínio próprio. Estrutura da Obra 📘 Formato: c...

Eu amo animais, e você?

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Sempre gostei de animais. Desde muito cedo, conviver com cachorros fez parte da minha vida — e não apenas com um. Hoje, tenho quatro. Minhas cachorras fazem parte da minha rotina, despertam meu cuidado, meu afeto e minha responsabilidade. Eu as amo. Não tenho vergonha de dizer isso. Mas amar não significa confundir. Aprendi, ao longo do tempo, a amar respeitando os limites da criação — os meus e os delas. Respeito a mim mesma enquanto ser humano, com emoções, consciência, palavra e responsabilidade moral. E respeito a elas como animais, criaturas que merecem cuidado, zelo e proteção, mas que não carregam o peso nem a vocação da humanidade. Talvez seja justamente por amar os animais que eu me recuso a usá-los como instrumento para rebaixar pessoas. E talvez seja por valorizar o ser humano que me esforço para não projetar nos animais aquilo que pertence às relações humanas. Há uma ordem sábia nisso. Quando cada coisa ocupa o seu lugar, o afeto se torna saudável, a convivência se torna j...

Fidelidade que sustenta o chamado

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Vivemos tempos em que muitos confundem sucesso com velocidade, e crescimento com exposição. No entanto, a Escritura nos lembra que o verdadeiro avanço espiritual acontece na permanência . Paulo exorta Timóteo a permanecer naquilo que aprendeu, reconhecendo que a solidez da fé nasce da fidelidade aos fundamentos recebidos. Ao longo da história bíblica, Deus sempre formou líderes no processo , não na pressa. Timóteo cresceu sob a mentoria de Paulo, aprendendo não apenas doutrina, mas caráter, postura e perseverança. Da mesma forma, José, no Egito, não foi promovido por talento isolado, mas por sua capacidade de ouvir a Deus, interpretar os sonhos corretamente e servir com humildade mesmo em ambientes adversos. A fidelidade, na Bíblia, nunca é passiva. Ela exige sensibilidade espiritual, disposição para aprender, coragem para fugir do pecado e maturidade para caminhar em equipe. Homens e mulheres de Deus não se constroem sozinhos. Eles são forjados em relacionamentos, correções, obediên...

O Nome que Habita o Texto: YHWH, o Mistério Santo da Presença de Deu

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 Lemos “Deus” ou “Senhor” nas Bíblias em português e inglês, e isso nos parece suficiente. Contudo, ao retornarmos ao texto hebraico — como sempre fizeram os antigos — percebemos algo mais profundo e reverente: o Deus de Israel se dá a conhecer, antes de tudo, por um Nome pessoal . Esse Nome é YHWH , o mais frequente de toda a Escritura, aparecendo mais de 6.800 vezes no texto hebraico. Não se trata de um detalhe técnico. Trata-se do coração da fé bíblica, transmitida com zelo de geração em geração. Um Deus de Muitos Nomes, Mas Um Nome Central A Bíblia Hebraica jamais fala de Deus de forma genérica. Ela preserva uma riqueza de nomes e títulos , cada um revelando um aspecto do caráter divino: Elohim (o Deus poderoso), Adonai (o Senhor soberano), El (o Deus forte), El Ro’i (“o Deus que vê”). Ainda assim, YHWH permanece central. Ele não é apenas um título; é Nome de aliança , pronunciado nos encontros entre Deus e seu povo. Esse Nome não descreve Deus — Ele o revela . O Nome Sep...

A Trindade na Elaboração da Bíblia

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  Afirmar que Deus é o autor da Bíblia e que Jesus Cristo é o seu assunto principal é essencial — mas ainda não é completo. Precisamos acrescentar uma verdade igualmente fundamental: o Espírito Santo é o agente da revelação . Sem Ele, a Escritura não teria sido dada; e sem Ele, tampouco pode ser verdadeiramente compreendida. Por isso, a compreensão cristã da Bíblia é, em sua essência, trinitária . A Bíblia vem do Pai, pois nasce de Sua vontade soberana. Ela é centrada no Filho, pois todo o seu conteúdo converge para a pessoa e a obra de Cristo. E ela é inspirada pelo Espírito Santo, que moveu os autores humanos a escreverem aquilo que Deus quis comunicar. Não se trata de três atos separados, mas de uma única obra divina realizada em perfeita harmonia. Assim, a melhor definição da Bíblia também precisa refletir essa realidade: a Bíblia é o testemunho do Pai sobre o Filho, por meio do Espírito Santo. Essa definição preserva a fé da Igreja como sempre foi ensinada. Ela impede que ...

Autoconhecimento Cristão: Conhecer-se à Luz da Cruz

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 O autoconhecimento, no cristianismo, nunca foi um exercício de autoexaltação. Pelo contrário, conhecer-se à luz de Deus é um caminho de humildade. O salmista ora: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração”. Esse pedido revela maturidade espiritual, pois reconhece que nem sempre somos bons juízes de nós mesmos. A Escritura afirma que o coração humano é enganoso. Isso não significa que sejamos incapazes de crescer, mas que precisamos da revelação divina para enxergar quem realmente somos. O autoconhecimento cristão começa quando paramos de nos justificar e passamos a nos examinar diante da Palavra. Diferente da autoajuda moderna, que busca conforto e validação, o cristianismo busca verdade e transformação . Conhecer-se pode ser doloroso, pois revela orgulho, medo, idolatrias e feridas não tratadas. No entanto, aquilo que é revelado pode ser curado. A identidade cristã não nasce do “quem eu sou”, mas do “a quem eu pertenço”. Em Cristo, recebemos uma nova identidade, não baseada e...

A Felicidade Segundo Cristo: Cruz Antes da Coroa

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 O cristianismo nunca prometeu felicidade fácil. Pelo contrário, Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições. Ainda assim, Ele falou de alegria, bem-aventurança e vida plena. O problema moderno é confundir a felicidade bíblica com a satisfação emocional constante prometida pela cultura do consumo. Nas bem-aventuranças, Jesus declara felizes os pobres, os que choram, os mansos e os perseguidos. Essa afirmação só faz sentido quando entendemos que a felicidade cristã não está ligada às circunstâncias, mas ao alinhamento com o Reino de Deus . A alegria cristã nasce da comunhão com Deus, não da ausência de sofrimento. A teologia da prosperidade e a espiritualidade do sucesso criaram uma expectativa distorcida: se Deus está comigo, tudo dará certo. Essa lógica transforma Deus em meio para um fim egocêntrico. Na Escritura, porém, Deus é o fim último, não o instrumento. Jesus não fugiu da dor, nem ensinou seus discípulos a evitá-la. Ele ensinou a atravessá-la com sentido . A cruz prece...

Ética Cristã: Quando a Consciência Ainda Tem Vergonha

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 A ética cristã nunca foi mero conjunto de normas externas. Desde o Antigo Testamento, Deus chama seu povo a viver com coração íntegro , não apenas com aparência correta. A Escritura insiste que o verdadeiro problema humano não é a falta de leis, mas a dureza do coração. Por isso, falar de ética cristã é falar de consciência , arrependimento e temor do Senhor . Na tradição bíblica, a vergonha não é sinal de fraqueza moral, mas de lucidez espiritual. Quando Adão e Eva percebem sua nudez, não se trata apenas de vergonha física, mas da consciência de que algo foi quebrado. A vergonha surge como resposta à ruptura da comunhão com Deus. Onde não há vergonha, também não há arrependimento; e onde não há arrependimento, não há transformação. A sociedade contemporânea tenta eliminar qualquer sentimento de culpa ou vergonha, chamando-os de opressão emocional. No entanto, a Bíblia trata a culpa como um alarme da alma . O apóstolo Paulo afirma que a tristeza segundo Deus produz arrependimen...