Apenas um olhar
Foi apenas um olhar, e o tempo parou,
Um instante suspenso que a alma guardou.
Não houve palavra, promessa ou gesto,
Só um silêncio profundo e manifesto.
Foi apenas um olhar, e tudo mudou,
O fardo pesado no chão descansou.
As sombras fugiram, a dor se calou,
No brilho divino que me alcançou.
Foi apenas um olhar, mas nele havia
A graça infinita, a doce harmonia.
Chamava-me manso, sem culpa ou temor,
Abrindo caminhos de paz e amor.
Foi um olhar que rasgou a distância,
Revelando verdades em pura constância.
Um toque sem toque, um sopro sem vento,
A vida contida num breve momento.
Era um olhar de chegada ou partida?
De quem já viveu ou quem vê a vida?
Brilhava sereno, ardia calado,
Um fogo discreto, jamais apagado.
Olhar que redime, que sara e refaz,
Que envolve o perdido e lhe traz nova paz.
Não pede respostas, apenas se entrega,
Transforma a alma que nele se achega.
Sem perguntas, sem medo ou pressa,
Um olhar bastou para que eu soubesse:
Há encontros que falam sem precisar voz,
Há olhares que se unem eternamente a nós.
E assim, nesse instante de luz e verdade,
O amor me envolve com suavidade.
Foi apenas um olhar, mas bastou pra saber:
Em Cristo, pra sempre, eu quero viver.
No frio silêncio que o luto deixou,
Quando a dor gritou e ninguém escutou,
Eu ergui meus olhos sem forças, sem fé,
E foi Teu olhar que me pôs de pé.
Não houve palavras, promessas ou voz,
Só um brilho doce, tão perto de nós.
Olhar que acolhe, que entende a ferida,
Que em meio à morte devolve a vida.
Foi apenas um olhar, mas nele encontrei
A paz que meu pranto jamais concebeu.
O Deus que consola, que sofre e que vê,
Que chora comigo, mas diz: "Sou teu Deus."
E mesmo que a noite pareça vencer,
Que a ausência insista em querer me deter,
No fundo da alma ainda posso enxergar:
A vida renasce no Teu santo olhar.
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