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Mostrando postagens de janeiro 12, 2026

Lberdade que responsabiliza

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 Desde os primeiros séculos, os cristãos aprenderam a viver como cidadãos de dois reinos. Sem negar a realidade histórica, mas também sem absolutizá-la, a fé cristã sempre afirmou que a verdadeira liberdade não nasce do poder humano, mas do reconhecimento de que o ser humano é criatura, não senhor de si mesmo. Essa compreensão molda profundamente a relação entre fé, liberdade e responsabilidade. A liberdade, na visão cristã, não é autonomia irrestrita. Ela é dom recebido, não conquista absoluta. O ser humano é livre porque foi criado à imagem de Deus, chamado a responder com responsabilidade à vida que lhe foi confiada. Essa liberdade encontra seu limite e seu sentido na verdade. Fora da verdade, a liberdade se corrompe e se transforma em opressão. A fé cristã nunca propôs fuga do mundo. Ao contrário, ela sempre chamou os crentes a viverem com consciência, discernimento e compromisso. No entanto, esse envolvimento não significa submissão cega a estruturas humanas. O cristão parti...

Discipulado fiel em tempos de conflito: perseverar até o fim

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 Desde o início, a fé cristã foi vivida em meio a tensões. A Igreja nunca floresceu em terrenos neutros. Perseguição, pressão cultural, sedução do poder e acomodação sempre fizeram parte do cenário no qual os discípulos foram chamados a permanecer fiéis. Por isso, o discipulado cristão não é um caminho confortável, mas um chamado à perseverança consciente e corajosa. A Escritura apresenta a história como um campo de conflito espiritual. Esse conflito não se manifesta apenas em oposição externa, mas também em tentações internas: medo, concessões graduais, perda do primeiro amor. O verdadeiro desafio não é apenas sobreviver, mas permanecer fiel . A fidelidade, mais do que o sucesso visível, sempre foi o critério do Reino. No centro dessa visão está a certeza de que Cristo reina. Ele não governa à distância, mas caminha no meio do seu povo. Sua presença sustenta a Igreja quando as circunstâncias são adversas. Essa convicção foi fundamental para os primeiros cristãos, que aprenderam ...

Diante do Deus Triúno

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Desde os primeiros séculos, a Igreja confessou que Deus é um em essência e três em pessoas . Essa confissão não nasceu de especulação filosófica, mas da experiência viva da salvação. Os cristãos aprenderam a conhecer Deus como Pai que chama, Filho que redime e Espírito que habita. A Trindade, portanto, não é um conceito abstrato, mas a própria estrutura da vida cristã. Crer no Deus triúno significa reconhecer que a fé cristã é, desde o princípio, relacional. Deus não é solidão eterna, mas comunhão perfeita. O Pai ama o Filho, o Filho obedece ao Pai, e o Espírito une, comunica e vivifica. Essa dinâmica divina fundamenta toda a compreensão cristã de amor, unidade e vida comunitária. A revelação do Pai não ocorre à distância. Ele se dá a conhecer por meio do Filho, que torna visível o caráter invisível de Deus. Ao contemplar Cristo, o cristão aprende quem Deus é: santo, misericordioso, fiel e próximo. O Filho não apenas fala sobre Deus; Ele é a Palavra viva que revela o coração do Pai. ...

O Filho do Homem: identidade, autoridade e esperança

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 Entre os muitos títulos atribuídos a Jesus, poucos são tão densos e, ao mesmo tempo, tão discretos quanto “Filho do Homem” . Longe de ser uma simples referência à humanidade, essa expressão carrega um peso teológico profundo, enraizado nas Escrituras de Israel e carregado de esperança escatológica. Ao utilizá-la para falar de si mesmo, Jesus escolhe um caminho que revela e oculta, confronta e convida. Nas tradições veterotestamentárias, especialmente nas visões proféticas, o “Filho do Homem” aparece como figura representativa do povo santo, mas também como alguém investido de autoridade divina. Trata-se de uma imagem que une céu e terra, sofrimento e exaltação. Essa tensão é fundamental para compreender a identidade e a missão de Jesus. Nos Evangelhos, o título surge em contextos decisivos. Ele é usado quando Jesus fala de sua autoridade para perdoar pecados, de seu caminho de sofrimento e de sua futura vindicação. Não é um título imposto por outros; é a forma escolhida por Jesu...

Permanecer em Cristo

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A vida cristã nunca foi pensada como mero assentimento intelectual ou cumprimento exterior de normas religiosas. Desde o início, o chamado do evangelho foi relacional: seguir, permanecer, caminhar com Cristo . A intimidade com Jesus não é um luxo espiritual para poucos, mas o coração da fé cristã vivida de forma plena. Intimidade, no sentido bíblico, não se confunde com sentimentalismo. Trata-se de comunhão contínua, cultivada no silêncio, na oração perseverante e na escuta atenta da Palavra. Os antigos compreendiam que a alma precisa ser treinada para permanecer diante de Deus. Não há profundidade sem disciplina, nem maturidade sem constância. O convite de Cristo é sempre pessoal. Ele chama pelo nome, conduz ao recolhimento e ensina a permanecer. Essa permanência não afasta o cristão do mundo, mas o reposiciona dentro dele. Quanto mais profunda a comunhão, mais alinhada se torna a vontade. O coração passa a desejar aquilo que agrada a Deus, e a obediência deixa de ser peso para se t...

O senhorio de Cristo e a redefinição da realidade

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  A fé cristã não nasceu como uma filosofia religiosa entre tantas outras. Ela surgiu como uma confissão pública que reorganizava completamente a leitura da realidade: há um único Senhor, e Ele reina . Essa afirmação, simples na forma e profunda no conteúdo, redefiniu a maneira como os primeiros cristãos compreendiam Deus, o mundo e a própria vida. Confessar o senhorio de Cristo não significava apenas reconhecer sua autoridade espiritual, mas afirmar que toda a história estava agora sob um novo governo. Em um mundo marcado por impérios, poderes visíveis e hierarquias rígidas, declarar um Senhor crucificado e ressuscitado era um ato de coragem e fidelidade. O senhorio de Cristo não competia com outros poderes; ele os relativizava. Essa convicção nasce do reconhecimento de que Deus não permaneceu distante. O Deus único, fiel às promessas feitas a Israel, agiu de modo decisivo na história humana. A vida, morte e ressurreição de Jesus não são episódios isolados, mas o ponto culmina...

Jesus como Senhor: o coração da fé apostólica

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  Há verdades que não nascem de sistemas filosóficos, mas de encontros transformadores. A fé cristã primitiva não surgiu de abstrações, mas da convicção inabalável de que Deus havia agido decisivamente na história por meio de Jesus. No centro dessa fé estava uma confissão simples, porém radical: Jesus é Senhor . Essa afirmação não era apenas devocional. No mundo antigo, “senhorio” significava autoridade, governo, pertencimento e lealdade. Declarar Jesus como Senhor era reposicionar toda a existência — espiritual, ética e comunitária — sob o domínio daquele que venceu a morte. Essa confissão brota do solo do monoteísmo judaico, não como ruptura, mas como cumprimento. O Deus único de Israel agora se revela de forma plena na pessoa do Filho. A fé apostólica compreende Jesus não apenas como mestre ou profeta, mas como aquele que participa da identidade divina. Ele não é um intermediário distante, mas o agente por meio do qual Deus cria, redime e sustenta todas as coisas. A linguagem...

Resenhas Livros Gordon Fee

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  Cristologia Paulina Autor: Gordon D. Fee Publicação: 2007 (inglês) | edições posteriores em português Tema: A compreensão de Cristo nas cartas do apóstolo Paulo Introdução Neste livro, Gordon Fee propõe uma leitura cuidadosa e reverente da cristologia presente nas epístolas paulinas, sem impor sistemas teológicos posteriores ao texto. Seu objetivo é ouvir Paulo em seu próprio contexto histórico, linguístico e pastoral. Fee sustenta que Paulo possui, sim, uma cristologia elevada, enraizada na fé judaica e revelada à luz da ressurreição. Estrutura e resumo dos capítulos O livro é organizado tematicamente, acompanhando os principais eixos cristológicos: Jesus como Kyrios – Fee demonstra como o título “Senhor”, aplicado a Jesus, ecoa o nome divino do Antigo Testamento, inserindo Cristo na identidade do Deus único de Israel. Cristo e a criação – Passagens como Colossenses 1 e 1 Coríntios 8 são analisadas para mostrar o papel ativo de Cristo na criação. Encarnação ...