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Mostrando postagens de janeiro 27, 2026

Quando o que parece espiritual não vem de Deus

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Quando a força interior ocupa o lugar do Espírito Um dos enganos mais sutis da vida espiritual é confundir intensidade humana com ação divina. Em muitos contextos religiosos, aquilo que é forte, eloquente, emocionalmente envolvente ou carismático passa a ser automaticamente interpretado como espiritual. No entanto, a Escritura ensina que nem tudo o que produz impacto procede do Espírito de Deus. Existe uma fonte interior que pode gerar experiências religiosas convincentes sem produzir transformação verdadeira. O ser humano foi criado com capacidades naturais poderosas. A mente raciocina, as emoções mobilizam, a vontade sustenta decisões e a personalidade influencia pessoas. Esses recursos, em si, não são maus. O problema surge quando passam a ser usados como base da vida espiritual e do serviço cristão. Nesse ponto, a alma deixa de servir e começa a governar. Quando a alma assume o controle, surgem práticas espirituais que funcionam externamente, mas carecem de vida interior. Discursos...

A falsa segurança de ser "bonzinho"

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  Desde cedo, o ser humano aprende a medir valor por comportamento. Fazer o bem, evitar erros graves e manter uma conduta aceitável tornam-se critérios para julgar a si mesmo e aos outros. Com o tempo, essa lógica também é transferida para a relação com Deus. Muitos passam a crer que uma vida moralmente correta é suficiente para garantir aceitação espiritual. Essa ideia, embora amplamente difundida, não encontra apoio nas Escrituras. A moralidade tem seu lugar na vida social e revela limites necessários para a convivência humana. No entanto, ela nunca foi apresentada como solução para o problema central do homem. O erro está em tratar o comportamento como raiz, quando ele é apenas fruto. A Bíblia não descreve o ser humano como alguém que precisa apenas de ajustes externos, mas como alguém que necessita de redenção interior. O grande equívoco da confiança na moralidade é supor que Deus avalia o homem da mesma forma que os homens se avaliam entre si. Aos olhos humanos, comparação ...

O perigo de confiar em sua capacidade

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Há uma tendência antiga e persistente na espiritualidade humana: confiar na própria capacidade interior como fonte de vida, discernimento e poder espiritual. Em muitos contextos religiosos, essa confiança é vista como maturidade, equilíbrio emocional ou até como sinal de unção. Contudo, quando examinada à luz das Escrituras, essa postura revela um perigo silencioso e profundo. O ser humano possui faculdades naturais poderosas. A mente é capaz de raciocínio sofisticado, as emoções influenciam decisões, a vontade sustenta perseverança, e a personalidade pode exercer grande influência sobre outros. Esses recursos, quando bem desenvolvidos, produzem resultados visíveis e frequentemente impressionantes. O problema surge quando tais capacidades passam a ocupar o lugar que pertence exclusivamente à ação do Espírito de Deus. A fé cristã nunca ensinou que transformação espiritual nasce do potencial humano. Pelo contrário, o caminho bíblico sempre foi o da cruz: a negação do domínio da vida natu...

Sonhos no Velho Testamento a luz do Hebraico Bíblico

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 Na Bíblia Hebraica, a palavra usada para “sonho” é ḥalôm (חֲלוֹם). O termo não descreve apenas uma experiência noturna comum, mas frequentemente aponta para um espaço onde Deus intervém na história humana. Ele aparece mais de sessenta vezes nas Escrituras e surge em momentos decisivos da narrativa bíblica, quando o rumo de vidas inteiras — e até de nações — é redefinido. Em Gênesis 28 , Jacó está fugindo, cansado e vulnerável, deitado ao relento, usando uma pedra como travesseiro. Nada ali sugere espiritualidade extraordinária. No entanto, é nesse estado de fragilidade que ele vê, em sonho, a escada (ou rampa) que liga a terra aos céus, com mensageiros de Deus subindo e descendo. O ḥalôm revela algo que Jacó ainda não percebia acordado: o Deus da aliança não o abandonara. A aplicação pessoal é profunda. Muitas vezes, quando nos sentimos deslocados, inseguros ou entre etapas da vida, o Senhor continua ativo, sustentando suas promessas. O sonho não cria a fidelidade divina; ele ap...