Carta para Deus
Meu Deus e Pai,
Eu sinto muito. Eu não sei quantas vezes já repeti essas palavras em orações silenciosas, entre lágrimas e soluços, mas hoje preciso escrevê-las. Preciso confessar, preciso derramar diante de Ti tudo o que pesa no meu coração, porque não quero mais carregar essa culpa, essa dor de saber que tantas vezes Te entristeci.
Desde o começo, desde o primeiro suspiro de vida que Tu me deste, tenho sido alvo do Teu amor. Um amor que me envolve, que me cerca, que me sustenta. Um amor tão grande, tão puro, que eu sequer sou capaz de compreender completamente. E, ainda assim, quantas vezes escolhi o caminho errado? Quantas vezes fui indiferente à Tua voz, ao Teu chamado? Quantas vezes permiti que meu coração endurecesse diante do Teu toque suave, resistindo à Tua graça, resistindo à Tua mão estendida?
Eu sei que Te causei dor, e isso me corrói por dentro. Não porque Tu sejas um Deus vingativo, pronto a castigar-me, mas justamente porque sei que és um Pai amoroso. E, por isso, dói mais. Porque sei que cada vez que me afastei, eu não apenas me machuquei, mas Te feri também. Porque Teu amor é real, e tudo o que Tu desejas é o meu coração entregue por inteiro, sem reservas, sem máscaras, sem desculpas.
Quantas vezes eu corri para os braços errados? Quantas vezes procurei consolo em coisas passageiras, em pessoas que não podiam preencher o vazio que só Tu podes preencher? Quantas vezes tentei construir minha vida sobre areia, ignorando a Rocha que sempre esteve firme diante de mim? Eu Te causei dor quando duvidei do Teu cuidado, quando questionei o Teu silêncio, quando quis controlar tudo com minhas próprias mãos, como se Tu não fosses suficiente. Como se Tua vontade não fosse melhor do que a minha.
Meu coração se entristece ao lembrar das oportunidades que desperdicei. Dos momentos em que poderia ter escolhido o amor, mas escolhi o orgulho. Das vezes em que poderia ter sido luz, mas preferi me esconder. Das palavras que poderia ter dito para abençoar, mas me calei. Ou pior, das palavras que disse sem pensar, ferindo, afastando, destruindo ao invés de edificar.
Eu sinto muito, Pai. Sinto muito por cada oração que não fiz, por cada vez que deixei a Bíblia fechada sobre a mesa, como se Tua Palavra não fosse essencial para minha vida. Sinto muito por cada desculpa que dei para justificar minha falta de tempo, minha falta de entrega, minha falta de amor por Ti e pelo próximo. Sinto muito por cada vez que me curvei diante do medo, ao invés de confiar em Ti. Por cada vez que escolhi o conforto ao invés da obediência. Por cada vez que me preocupei mais com o que as pessoas pensam do que com o que Tu pensas de mim.
Mas hoje, Pai, eu me volto para Ti. Eu não apenas lamento, eu me arrependo. Eu reconheço minha fraqueza, minha incapacidade de viver sem Ti, minha total dependência da Tua graça. Sei que não posso mudar o passado, mas sei que Tu podes redimir cada erro, cada queda, cada momento em que falhei. Sei que Tu és o Deus que transforma pranto em dança, cinzas em beleza, culpa em redenção. E é nisso que me agarro agora.
Não quero mais ser morno. Não quero mais viver uma fé superficial. Não quero mais que minha vida seja uma sequência de altos e baixos espirituais. Quero ser constante em Ti, enraizado no Teu amor, sustentado pela Tua verdade. Quero Te buscar com todo o meu coração, sem reservas, sem medo. Quero aprender a confiar mais, a descansar mais, a ouvir mais e falar menos. Quero que minha vida seja uma resposta ao Teu amor, um testemunho da Tua graça, um reflexo da Tua luz.
Pai, recebe meu arrependimento. Recebe meu coração quebrantado. Sei que Tu és um Deus de recomeços, e é isso que eu peço hoje: um recomeço em Ti. Um novo fôlego, uma nova chama, um novo coração. Molda-me, transforma-me, faz-me mais parecido com Jesus. Não porque eu mereça, mas porque Tu és bom, porque Tu és misericordioso, porque és meu Pai.
Eu Te amo. Eu Te quero. E hoje, mais do que nunca, eu Te peço: não me deixes ir. Segura-me firme em Teus braços e não me deixes soltar. Pois em Ti, e somente em Ti, eu sou verdadeiramente livre.
Amém.
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