Permanecer na Igreja não significa estar no coração do Pai


 A parábola do filho pródigo, em Lucas 15, costuma ser lembrada pela história do filho que saiu de casa, desperdiçou tudo e depois retornou arrependido. No entanto, o final do texto (Lc 15:25–32) revela uma mensagem igualmente profunda e necessária: a condição espiritual do filho que nunca saiu. Ele permaneceu na casa do pai, mas seu coração estava distante da alegria, da graça e do amor que ali habitavam.

Esse filho representa o cristão que está na Igreja, participa das atividades, conhece a doutrina e mantém uma aparência de fidelidade, mas vive espiritualmente endurecido. Ao longo dos anos, ele constrói máscaras que escondem sua real condição interior. Máscaras que não são visíveis aos olhos humanos, mas que se tornam evidentes diante do coração do Pai.

O texto começa mostrando a máscara da desconfiança. Ao ouvir música e dança, o filho mais velho não se alegra; ele suspeita. A alegria na casa do Pai lhe parece exagerada. Essa atitude ainda é comum nos dias atuais. Quando Deus restaura vidas, traz avivamento e transforma histórias, muitos preferem criticar, questionar e desacreditar, revelando um coração que perdeu a sensibilidade espiritual.

Em seguida surge a máscara da rebeldia. Ele não procura o pai para entender o que está acontecendo, mas questiona os servos. É a postura de quem evita a autoridade espiritual e busca confirmações externas para justificar sua própria resistência. Um coração rebelde raramente busca o diálogo sincero; prefere alimentar opiniões que reforçam seu ressentimento.

A narrativa também expõe a máscara do fingimento. O filho mais velho sempre soube quem era o irmão, mas nunca o amou verdadeiramente. Sua fidelidade era apenas externa. Ele permanecia na casa, mas não compartilhava do coração do pai. Isso revela uma verdade dura: é possível servir a Deus sem amar o que Ele ama.

Quando o filho se recusa a entrar na festa, vemos a máscara da desobediência e da indignação. O pai sai para convidá-lo, demonstrando o mesmo amor que teve pelo filho pródigo. Ainda assim, ele rejeita o convite. Aqui aprendemos que a proximidade física com as coisas de Deus não garante comunhão verdadeira. A obediência parcial não substitui um coração rendido.

O texto também revela a desafinação espiritual. O filho mais velho não consegue participar da alegria da casa porque não está em harmonia com ela. Quando o louvor, a Palavra e a oração deixam de gerar prazer, algo já se desalinhou no interior. A fé passa a ser apenas obrigação, não mais relacionamento.

Seu discurso expõe ainda egoísmo, avareza, ódio e incredulidade. Ele enumera seus serviços, cobra recompensas e acusa o irmão com dureza. Sua visão é baseada no mérito, não na graça. Ele estava na casa do pai, mas não cria plenamente nas promessas nem compreendia a generosidade daquele amor.

O pai encerra a conversa com uma declaração profunda: era justo alegrar-se, pois o que estava morto reviveu. Essa afirmação revela o centro da parábola. A verdadeira espiritualidade não se mede pelo tempo de Igreja, mas pela capacidade de amar, perdoar, restaurar e celebrar a vida transformada.

A mensagem final é um chamado necessário para a Igreja de hoje. Precisamos examinar o coração e remover as máscaras construídas ao longo dos anos. Permanecer na casa do Pai deve significar participar de sua alegria, compartilhar de seu amor e acolher aqueles que retornam.

Amar o irmão perdido e tomar parte na alegria do Pai não é um detalhe da fé cristã. É o seu coração.

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