O Grande “EU SOU”: quando Deus Se revela em Cristo

Há declarações nas Escrituras que não admitem superficialidade. Elas exigem reverência, silêncio interior e disposição para ouvir como os antigos ouviam. Entre essas declarações estão as palavras de Jesus registradas no Evangelho de João: “Eu sou”. Não são frases comuns, nem simples figuras de linguagem. São afirmações que ecoam a revelação mais sagrada do Antigo Testamento e colocam Jesus no centro da identidade divina.

Quando Deus Se revela a Moisés no deserto e diz: “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3:14), Ele afirma Sua eternidade, autoexistência e soberania. Séculos depois, Jesus assume essa mesma linguagem. Para um judeu do primeiro século, isso não passava despercebido. Ao dizer “Eu sou”, Jesus não apenas ensina — Ele Se revela.

Ao afirmar “Eu sou o pão da vida”, Jesus se apresenta como a resposta definitiva à fome da alma. Assim como o maná sustentou Israel no deserto, Ele sustenta o homem em sua peregrinação espiritual. Não se trata de prosperidade material, mas de vida que vem do céu, vida que permanece quando tudo o mais falha.

Quando declara “Eu sou a luz do mundo”, Jesus confronta as trevas morais, espirituais e existenciais. Luz, na tradição bíblica, não é sentimento, mas revelação. É aquilo que mostra o caminho, denuncia o erro e oferece direção segura. Seguir essa luz é caminhar com discernimento, como sempre foi ensinado nas Escrituras.

Ao dizer “Eu sou a porta”, Cristo afirma exclusividade. Em tempos antigos, a porta era proteção, acesso e segurança. Não havia múltiplos caminhos. Essa declaração confronta o relativismo moderno e reafirma uma verdade antiga: a salvação não é difusa, é pessoal e passa por Cristo.

Na expressão “Eu sou o bom pastor”, Jesus retoma uma imagem profundamente enraizada na história de Israel. O pastor verdadeiro não explora o rebanho, não foge diante do perigo e não governa à distância. Ele conhece, cuida, corrige e, se necessário, dá a vida pelas ovelhas. É liderança com sacrifício, como sempre foi esperado do Deus de Israel.

Quando Jesus afirma “Eu sou a ressurreição e a vida”, Ele vai além do consolo. Ele não aponta apenas para um evento futuro, mas para Sua própria pessoa. A esperança cristã não está apenas no que Deus fará, mas em quem Ele é. A morte, que sempre foi o maior inimigo, é confrontada por Aquele que tem autoridade sobre ela.

Em “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Jesus encerra qualquer tentativa de fé sem compromisso. Ele não diz que aponta um caminho, mas que Ele é o caminho. Não oferece apenas verdades, mas Se apresenta como a própria verdade. Não promete vida abstrata, mas vida plena, reconciliada com Deus.

Por fim, ao declarar “Eu sou a videira verdadeira”, Jesus ensina algo que os antigos já sabiam: vida espiritual não é independência, é permanência. O ramo não produz por esforço próprio, mas por conexão. Frutificar sempre foi consequência de permanecer ligado à fonte.

Essas declarações não foram feitas para impressionar, mas para revelar. Elas nos chamam de volta a uma fé sólida, enraizada, bíblica, que reconhece Jesus não apenas como mestre ou exemplo, mas como o próprio Deus que Se deu a conhecer.

Em tempos de fé diluída, o “EU SOU” continua sendo o mesmo. Firme, eterno, suficiente. E, como sempre foi, Ele ainda pergunta, não com palavras, mas com Sua presença: Quem dizes que Eu sou?

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