Resenha Obra: Alan Rennê Alexandrino Lima: A Bíblia que Jesus Usava
Autor: Alan Rennê Alexandrino Lima
Área: Bíblia – Antigo Testamento e Judaísmo do Segundo Templo
Natureza da obra: Introdução bíblica e histórico-canônica
A obra A Bíblia que Jesus Usava apresenta uma contribuição relevante para os estudos bíblicos ao conduzir o leitor à compreensão do cânon das Escrituras tal como conhecido e utilizado por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. O autor parte do pressuposto de que a correta interpretação da mensagem de Cristo exige o reconhecimento do contexto bíblico, histórico e religioso no qual Ele estava inserido, especialmente o uso do Tanakh como Escritura sagrada.
A apostila desenvolve-se a partir da apresentação da estrutura do cânon hebraico — Lei, Profetas e Escritos — demonstrando como essa organização moldou a forma de leitura, interpretação e citação das Escrituras no período do Segundo Templo. O autor evidencia que Jesus não apenas conhecia profundamente essas Escrituras, mas as utilizava como autoridade final em seus ensinamentos, confrontos e parábolas. Essa abordagem reforça a unidade entre Antigo e Novo Testamento, afastando leituras fragmentadas ou supersessionistas.
Metodologicamente, a obra combina análise histórico-canônica com leitura bíblica contextualizada, evitando tanto o anacronismo quanto interpretações teológicas descoladas do ambiente judaico do primeiro século. O autor destaca passagens do Novo Testamento nas quais Jesus e os apóstolos fazem uso direto das Escrituras hebraicas, demonstrando continuidade teológica e fidelidade ao texto sagrado recebido.
Do ponto de vista acadêmico, o livro é particularmente útil para estudantes de teologia, professores de Bíblia e líderes cristãos interessados em aprofundar sua compreensão do Antigo Testamento como Escritura viva e cristocêntrica. Embora tenha caráter introdutório, a obra apresenta fundamentos sólidos que favorecem uma hermenêutica mais responsável e historicamente informada.
Conclui-se que A Bíblia que Jesus Usava é uma leitura relevante para a formação bíblica e teológica, pois resgata a centralidade do Antigo Testamento na fé cristã e reafirma a continuidade da revelação divina. A obra contribui para uma leitura mais fiel das Escrituras, alinhada à prática e ao ensino de Jesus, fortalecendo tanto o estudo acadêmico quanto a aplicação pastoral.
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