Resenha Obra de Michal Horton: Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade.
HORTON, Michael. Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade. São Paulo: Vida Nova, 2017. 64 p.
Michael Horton, teólogo reformado e professor de teologia sistemática, é conhecido por sua defesa consistente da ortodoxia protestante histórica. Em Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade, o autor analisa criticamente as tentativas contemporâneas de aproximação entre o evangelicalismo e o catolicismo romano, especialmente à luz de documentos ecumênicos produzidos nas últimas décadas. A obra se insere no debate teológico sobre unidade cristã, verdade doutrinária e identidade confessional.
O livro está organizado em seis capítulos, além de uma conclusão e bibliografia. Horton inicia discutindo o escândalo das divisões visíveis no cristianismo e o apelo moderno por unidade, ressaltando que tal unidade não pode ser construída à custa do evangelho. Em seguida, examina se os evangélicos podem ser considerados “católicos” no sentido histórico do termo, argumentando que a Reforma não foi uma ruptura com a igreja antiga, mas um esforço de restauração da fé apostólica.
Na sequência, o autor inverte a pergunta ao questionar se os católicos romanos podem ser considerados evangélicos. Horton demonstra que, embora haja convergências em termos de piedade e linguagem espiritual, subsistem divergências doutrinárias centrais, sobretudo no que diz respeito à doutrina da justificação. Para o autor, o uso contemporâneo do termo “evangélico” tem sido esvaziado de seu conteúdo teológico original, tornando-se mais associado à prática devocional do que à confissão doutrinária.
Os capítulos centrais apresentam os principais obstáculos à unidade: a autoridade das Escrituras (princípio formal da Reforma) e o conteúdo do evangelho, especialmente a justificação somente pela graça, mediante a fé, por causa de Cristo (princípio material da Reforma). Horton sustenta que o ensino oficial da Igreja Católica Romana, conforme expresso no Concílio de Trento e reafirmado no catecismo moderno, permanece incompatível com o evangelho bíblico conforme compreendido pela tradição reformada.
Nos capítulos finais, o autor aborda outros entraves teológicos, como a supremacia papal, a mariologia e a doutrina do purgatório, argumentando que tais ensinamentos carecem de fundamento bíblico e contradizem a tradição da igreja primitiva. Horton conclui que a verdadeira unidade cristã deve ser fruto da fidelidade à verdade revelada, e não de acordos institucionais ou redefinições doutrinárias.
Do ponto de vista acadêmico, a obra se destaca pela clareza argumentativa, fidelidade histórica e rigor teológico. Embora assuma explicitamente uma perspectiva reformada, Horton dialoga com fontes patrísticas, conciliares e bíblicas, o que confere densidade à análise. A linguagem é acessível, sem perder profundidade, tornando o livro adequado tanto para estudantes quanto para líderes e pesquisadores.
Conclui-se que Evangélicos, católicos e os obstáculos à unidade é uma contribuição relevante para o debate ecumênico contemporâneo, especialmente por reafirmar que a unidade cristã autêntica deve estar alicerçada no evangelho bíblico e na autoridade das Escrituras, preservando a herança teológica histórica da fé cristã.
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