Onde está teu coração?
A vida espiritual corre o risco de se tornar mecânica. Práticas religiosas podem continuar, palavras corretas podem ser repetidas, e ainda assim o coração pode estar distante. O exame espiritual sempre foi um exercício valorizado pela fé cristã histórica, não como fonte de culpa constante, mas como caminho de alinhamento. Parar, refletir e reconhecer onde estamos é um ato de honestidade diante de Deus.
Essa reflexão exige silêncio. Em um mundo ruidoso e acelerado, o silêncio se tornou raro, mas necessário. É nele que as motivações são reveladas, os afetos são avaliados e as prioridades são expostas. O coração, quando não examinado, tende a se acomodar. Quando confrontado com a verdade, pode ser restaurado.
O exame espiritual também confronta ilusões. Nem toda tranquilidade é sinal de saúde; nem toda atividade é sinal de fidelidade. A fé madura aprende a distinguir entre aparência e realidade. Ela entende que Deus se interessa menos pela performance externa e mais pela disposição interior. Arrependimento sincero, quando necessário, sempre foi considerado sinal de vida espiritual, não de fracasso.
Responder honestamente à pergunta sobre onde está o coração conduz à restauração. Deus não confronta para destruir, mas para chamar de volta. A tradição cristã sempre ensinou que reconhecer o afastamento é o primeiro passo para o retorno. A graça se manifesta justamente nesse convite amoroso à consciência.
Resgatar o hábito do exame espiritual é recuperar uma prática antiga e saudável. Em vez de viver no automático, o cristão aprende a caminhar com atenção, humildade e dependência. Saber onde estamos diante de Deus é essencial para saber para onde estamos indo.
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