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Igreja Imperfeita ou Igreja Doente? Aprenda a Discernir a Diferença

“Não existe igreja perfeita. Se você encontrar uma e entrar, você vai estragar.” A frase é espirituosa, mas precisa ser confrontada. É verdade que não existe igreja perfeita, porque a Igreja é formada por pessoas imperfeitas. Entretanto, usar a nossa própria imperfeição para justificar uma igreja doente, abusiva, desordenada ou distante das Escrituras é outra coisa. A Bíblia não nos chama a procurar uma igreja perfeita, mas uma igreja fiel. Uma igreja pode ter falhas e, ainda assim, honrar a Palavra, reconhecer seus erros, exercer disciplina, cuidar das pessoas, cultivar comunhão e manter Cristo no centro. Imperfeição é inevitável; infidelidade não deve ser normalizada. Além disso, dizer que “você vai estragar a igreja quando entrar” pode parecer uma declaração de humildade, mas também pode produzir uma espécie de cinismo espiritual: como se não houvesse diferença entre maturidade e imaturidade, entre pecado e fraqueza, entre desordem e processos legítimos de crescimento. A igreja prim...

Quando o dinheiro deixa de ser ferramenta e se torna senhor

 Há assuntos que os cristãos costumam considerar espirituais: oração, jejum, leitura da Bíblia, evangelização, dons, ministério. Há também aqueles que, muitas vezes, colocamos em uma categoria aparentemente diferente, como salário, investimentos, compras, dívidas, patrimônio e planejamento financeiro. O problema é que Jesus nunca fez essa separação com a facilidade com que nós fazemos. Dinheiro é uma questão profundamente espiritual. Essa é uma das provocações centrais de Money Matters: Faith, Life, and Wealth , de R. Paul Stevens e Clive Lim. Ao examinarem a relação entre fé, vida e riqueza, os autores mostram que o dinheiro não pode ser compreendido simplesmente como um instrumento neutro que usamos conforme nossa vontade. Ele está ligado aos desejos, aos medos, às ambições, à segurança e à maneira como enxergamos nossa própria vida diante de Deus. Talvez por isso Jesus tenha falado tanto sobre dinheiro. Não porque dinheiro seja o maior problema da humanidade, mas porque aquilo q...

Série A Preparação da Noiva - 5. QUANDO O FUTURO DE DEUS ENTRA NO PRESENTE

Vivendo a realidade do Reino enquanto aguardamos sua consumação Nas aulas anteriores, avançamos na compreensão do Reino de Deus a partir de sua presença na história e de sua relação com a pessoa de Jesus Cristo. Aprendemos que o Reino não pode ser reduzido a uma realidade exclusivamente futura, nem a uma experiência apenas interior. Também vimos que a proclamação de Jesus apresentava uma reivindicação central: o governo de Deus havia chegado. A aula anterior mostrou ainda como Gerhardus Vos contribuiu para essa compreensão ao destacar a natureza teológica e intencional da proclamação do Reino feita por Jesus. A partir dessa base, chegamos à contribuição de George Eldon Ladd e àquilo que se tornou conhecido como a compreensão do “já e ainda não” , ou escatologia inaugurada. Essa compreensão é fundamental porque nos ajuda a responder uma pergunta que acompanha toda a experiência cristã: como podemos experimentar hoje aquilo que pertence ao futuro de Deus? Se o Reino será plenamente estab...

Quando a Bíblia é lida a partir de uma cultura: o que a Igreja da Etiópia pode nos ensinar

Estamos acostumados a pensar que simplesmente abrimos a Bíblia, lemos um texto e descobrimos o seu significado. Parece algo objetivo e direto. Afinal, se a Palavra de Deus é a mesma, não deveria sua interpretação ser sempre exatamente igual? O livro An Ethiopian Reading of the Bible , de Keon-Sang An, nos conduz a uma reflexão muito mais profunda. Ao estudar a maneira como a Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo interpreta as Escrituras, o autor demonstra que a leitura da Bíblia nunca acontece no vazio. Todo leitor está inserido em uma história, uma comunidade, uma tradição e uma realidade cultural que influenciam a maneira como ele compreende o texto bíblico. Isso não significa que a Bíblia seja relativa ou que cada pessoa possa fazer dela o que quiser. Muito pelo contrário. A questão levantada pelo estudo é mais séria: precisamos reconhecer que nós também lemos a Bíblia a partir de algum lugar . A Bíblia atravessa culturas A Igreja Etíope possui uma história cristã extraordinariamente anti...

O Propósito é Cristo: Quando o Ministério Deixa de Ser o Centro

Existe um perigo silencioso na caminhada cristã: podemos começar olhando para Cristo e, ao longo do caminho, passar a olhar para aquilo que fazemos para Ele. O ministério, a igreja, os projetos, os dons, as estruturas e até mesmo as experiências espirituais podem ocupar tanto espaço que aquilo que deveria ser instrumento passa a ocupar o lugar do propósito. Efésios 4:11-13 nos ajuda a recuperar essa perspectiva. Paulo apresenta os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, mas não termina neles. Ele aponta para uma finalidade muito maior: “até que todos cheguemos [...] à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13, NAA). Isso significa que o ministério não é o destino. É instrumento. O apostólico inicia, lança a semente e envia. O evangelista anuncia e alcança. O pastor cuida e acompanha. O mestre contribui para a formação do entendimento. O profético mantém diante da Igreja a visão do propósito e do cumprimento. Cada dimensão possui seu lugar, mas todas devem ...

SÉRIE A PREPARAÇÃO DA NOIVA - "A sua esposa já se aprontou": o grande encontro

  Proposta: fechar a série chegando ao ápice em Apocalipse 19. Conteúdo principal Abrir com Apocalipse 19:7: "Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se preparou." Aqui está o ponto culminante da série. A expressão grega: ἡτοίμασεν ἑαυτήν — hētoimasen heautēn pode ser entendida como "ela se preparou" ou "ela se aprontou" . A noiva finalmente está pronta. Mas o texto imediatamente fala de suas vestes: "Foi-lhe permitido vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro." E João explica: "Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos." Aqui encontramos uma conclusão extraordinária. A preparação da Noiva não termina em perfume. Não termina em adornos. Não termina em aparência. Termina em uma vida que manifesta justiça. A série pode então retornar a tudo o que foi estudado: A noiva antiga se preparava. Rute lavou-se, ungiu-se e vesti...

O Ministério Profético: Quando Deus Nos Faz Enxergar Além do Presente

O ministério profético ocupa um lugar importante na edificação da Igreja. Em Efésios 4:11, Paulo apresenta os profetas entre aqueles que Cristo concedeu ao seu corpo para o aperfeiçoamento dos santos. Entretanto, compreender o profético exige mais do que associá-lo simplesmente a previsões sobre o futuro. Na perspectiva bíblica, o profético está profundamente relacionado à percepção do propósito de Deus e à capacidade de enxergar o presente à luz daquilo que Ele está realizando. O profeta não existe para alimentar curiosidade sobre o amanhã, mas para ajudar o povo de Deus a discernir o que está acontecendo dentro de uma perspectiva maior. Há momentos em que as circunstâncias presentes parecem contradizer as promessas e o propósito de Deus. Nesses momentos, precisamos de uma visão que ultrapasse aquilo que nossos olhos conseguem perceber. Essa realidade aparece de maneira muito interessante no Salmo 73. As circunstâncias estavam produzindo confusão no coração do salmista. Ele observava ...

Nobreza: Uma Vida Formada à Semelhança de Cristo

 A palavra “nobreza” pode despertar a ideia de posição, linhagem, poder ou distinção social. Na perspectiva bíblica, porém, existe uma nobreza muito mais profunda. Ela não é determinada pelo sobrenome que carregamos, pela posição que ocupamos ou pelo reconhecimento que recebemos. A verdadeira nobreza é percebida no caráter, nas escolhas e na maneira como uma pessoa conduz sua vida diante de Deus e dos homens. Isaías declara: “Mas o nobre projeta coisas nobres e, pela nobreza, está em pé” (Isaías 32:8, NAA). A nobreza, portanto, não permanece apenas nas intenções. Ela produz atitudes. O que existe dentro do coração encontra expressão nas decisões, nas palavras e na maneira como tratamos as pessoas. Isso nos leva a compreender que ninguém se torna nobre simplesmente por desejar parecer nobre. Existe uma formação interior que precisa acontecer. Uma pessoa pode ter boa aparência, posição, conhecimento ou influência e, ainda assim, possuir um caráter marcado pelo egoísmo, pela arrogân...

4. Vivendo o Casamento Debaixo do Governo de Deus

  JESUS É O REI DO MEU CASAMENTO Submissão ao Rei antes de querer governar o reino doméstico Nas aulas anteriores, vimos que o Reino de Deus não pode ser compreendido apenas como uma realidade futura. Cristo inaugurou o Reino na história, mas sua consumação ainda está por vir. Também aprendemos que existe uma diferença entre a criação de Deus e os sistemas de pensamento de uma era que se opõe ao governo divino. Agora precisamos avançar um passo: se o Reino de Deus já chegou e se ele representa o governo de Deus em ação, quem é o Rei que ocupa o centro desse Reino? A resposta das Escrituras é inseparável da pessoa de Jesus Cristo. O Reino não pode ser compreendido corretamente sem compreender quem é o Rei. Jesus não veio apenas trazer ensinamentos sobre uma vida melhor, oferecer princípios éticos ou anunciar uma esperança futura. Sua proclamação estava relacionada à chegada do governo de Deus e à sua própria identidade como aquele por meio de quem esse governo se manifesta. ...

3. Vivendo o Casamento debaixo do Governo de Deus

  O “JÁ” E O “AINDA NÃO” NO CASAMENTO Vivendo entre aquilo que Deus já começou e aquilo que ainda esperamos Na caminhada cristã, existe uma tensão que precisamos aprender a compreender sem tentar eliminá-la: o Reino de Deus já chegou, mas ainda não foi plenamente consumado. Em Cristo, uma nova realidade foi inaugurada, o governo de Deus entrou na história e a obra de redenção já está em andamento. Ao mesmo tempo, ainda aguardamos a manifestação plena desse Reino, a vitória definitiva sobre o pecado e a restauração de todas as coisas. Essa tensão, conhecida na teologia como o “já” e o “ainda não”, é fundamental para compreendermos não apenas a mensagem do Reino, mas também a maneira como devemos viver enquanto esperamos aquilo que Deus ainda realizará. Essa compreensão é particularmente importante para nós, mulheres que desejamos viver nossos casamentos debaixo do governo de Deus. Muitas das nossas frustrações surgem porque esperamos que aquilo que Deus começou se manifeste imedi...