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Mostrando postagens de fevereiro 9, 2026

Resenha Livro de James W. Wire - Dando nome ao elefante

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  Referência básica SIRE, James W. Dando nome ao elefante: cosmovisão como conceito . Publicação original em inglês: 2004. Objetivo da obra Sire propõe clarificar o conceito de “cosmovisão” (worldview), amplamente usado em círculos cristãos e acadêmicos, examinando suas origens filosóficas, seu desenvolvimento histórico e seu uso contemporâneo. Síntese do conteúdo O autor rastreia a evolução do termo desde a filosofia alemã até sua apropriação por pensadores cristãos no século XX. Analisa definições concorrentes, distinguindo cosmovisão como estrutura intelectual, narrativa fundamental ou compromisso existencial. Sire discute também o papel da imaginação, da cultura e das artes na formação das cosmovisões, defendendo que elas não se limitam a sistemas racionais, mas moldam afetos, práticas e percepções. Avaliação crítica O ponto forte da obra é a precisão conceitual e o diálogo interdisciplinar entre filosofia, teologia e estudos culturais. Em alguns trechos, a densidade hi...

Fé que cresce

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  A maturidade espiritual cristã não é medida pela quantidade de conteúdos consumidos, mas pela transformação concreta da vida à luz das Escrituras. Vivemos em uma geração amplamente exposta a devocionais rápidos, frases motivacionais e experiências religiosas intensas, porém muitas vezes desconectadas de arrependimento, obediência e perseverança. O resultado é uma fé verbalmente confiante, mas fragilmente enraizada. O Novo Testamento não trata a vida cristã como um estado emocional a ser mantido, mas como um caminho a ser percorrido com temor, fidelidade e constância. A Escritura apresenta o crescimento espiritual como um processo que envolve confrontação do coração, renovação da mente e submissão progressiva à vontade de Deus. Jesus não convidou discípulos a sentirem algo, mas a segui-lo. Seguir implica renúncia, discernimento, correção e disposição para ser moldado. A maturidade cristã exige que o crente abandone leituras ingênuas da fé, reconheça suas áreas de autoengano e acei...

Azeite que flui do secreto

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  A narrativa que sustenta esta reflexão  encontra-se em 2 Reis 4:1–7 , quando a viúva de um dos filhos dos profetas clama ao profeta Eliseu diante de uma crise extrema. Seu marido havia morrido, as dívidas permaneciam, e seus filhos corriam o risco de serem levados como escravos. Diante da pergunta do profeta — “Que te hei de fazer? Dize-me, que é o que tens em casa?” — ela responde com simplicidade e quase vergonha: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite” (2 Rs 4:2). É a partir desse “quase nada” que Deus inicia o milagre. Eliseu então orienta algo aparentemente estranho à lógica humana: “Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas. Então entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas” (2 Rs 4:3–4). O texto faz questão de frisar: vasilhas vazias, e não poucas . Na leitura pastoral, essas vasilhas representam vidas , famílias , filhos , casamentos feridos , pa...