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Mostrando postagens de fevereiro 10, 2026

Sofrimento: Meu filho morreu

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Há frases que nunca deveriam fazer parte do vocabulário de um pai ou de uma mãe. “Meu filho morreu” é uma delas. Ainda assim, em breve fará dois anos desde que precisei aprender a pronunciá-la — primeiro em silêncio, depois em lágrimas, depois com a voz embargada, e hoje com uma reverência dolorosa diante de Deus. Não escrevo como quem já superou a perda, mas como quem continua caminhando com uma ausência que reorganizou toda a vida. O tempo não apagou o amor, não diminuiu a saudade, não simplificou as perguntas. Apenas me ensinou que sobreviver espiritualmente exige mais do que resistência emocional; exige uma fé que seja capaz de existir dentro do luto. Nos primeiros meses, tudo parecia suspenso. O mundo seguia, mas eu não. Havia uma estranheza quase ofensiva no fato de as pessoas rirem, planejarem o futuro, discutirem banalidades, enquanto dentro de mim havia um silêncio pesado. Descobri rapidamente que a dor não se manifesta apenas em lágrimas. Ela aparece em cansaço inexplicável, ...

Quando nossas emoções governam mais do que a fé

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Um dos maiores desafios da vida cristã contemporânea não é a ausência de fé declarada, mas a dificuldade de lidar biblicamente com o mundo interior. Muitos cristãos confessam verdades corretas, frequentam ambientes religiosos e afirmam confiar em Deus, mas vivem emocionalmente desorganizados, reagindo mais aos sentimentos do que à Palavra. O resultado é uma espiritualidade instável, vulnerável a circunstâncias, relações e estados emocionais momentâneos. A Escritura nunca tratou emoções como inimigas a serem eliminadas, nem como autoridades finais a serem obedecidas. Elas são respostas do coração a algo que valorizamos, tememos ou desejamos. Por isso, emoções revelam muito mais do que estados psicológicos passageiros: revelam prioridades, amores, medos e falsas seguranças. Ignorar esse aspecto da vida interior produz uma fé superficial, incapaz de lidar com conflitos reais. O problema não é sentir tristeza, ansiedade, culpa ou raiva. O problema é permitir que essas emoções assumam o pap...

Resenha da obra de Thomas R. Schreiner: Somente pela Fé: a doutrina da justificação

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 SCHREINER, Thomas R. Somente pela fé: a doutrina da justificação . São Paulo: Vida Nova, 2010. Em Somente pela fé , Thomas R. Schreiner, teólogo do Novo Testamento e um dos principais estudiosos da tradição reformada contemporânea, apresenta uma exposição sistemática e bíblica da doutrina da justificação. A obra surge em um contexto de intensos debates teológicos, especialmente em torno da chamada “Nova Perspectiva sobre Paulo”, oferecendo uma defesa robusta da compreensão histórica protestante da justificação pela fé somente. O autor estrutura o livro a partir de uma análise exegética detalhada das principais passagens paulinas, com destaque para Romanos e Gálatas. Schreiner demonstra que a justificação, no pensamento bíblico, possui caráter forense, isto é, refere-se a um veredito jurídico proferido por Deus, no qual o pecador é declarado justo com base exclusivamente na obra redentora de Cristo. Essa justiça, segundo o autor, é imputada ao crente e recebida unicamente pela fé...