Cristo: o prazer esquecido da fé cristã
Em muitos ambientes cristãos, a fé tem sido apresentada como um meio para alcançar resultados: paz emocional, soluções rápidas, prosperidade ou alívio de dores pessoais. Sem perceber, o centro se desloca. Cristo deixa de ser o fim e passa a ser apenas um instrumento. Quando isso acontece, algo essencial se perde: o deleite em quem Ele é.
A fé cristã, desde suas origens, sempre foi marcada por admiração, reverência e alegria profunda em Cristo. Não uma alegria superficial, mas aquela que nasce do encontro real com sua pessoa. O cristão não é chamado apenas a obedecer a Jesus, mas a conhecê-lo, contemplá-lo e amá-lo. A obediência verdadeira surge desse amor, não do medo nem da obrigação religiosa.
Quando Cristo é reduzido a um “meio”, a vida espiritual se torna pesada. A oração vira tarefa, a leitura bíblica se transforma em cobrança e a fé perde sua doçura. Mas quando Cristo é reconhecido como o maior tesouro, tudo muda. A disciplina espiritual deixa de ser um fardo e passa a ser resposta natural de um coração que encontrou algo infinitamente maior do que a si mesmo.
O verdadeiro problema de muitas crises espirituais não é falta de atividade religiosa, mas falta de encantamento por Cristo. Conhecemos métodos, doutrinas e rotinas, mas pouco paramos para considerar quem Ele é: o Filho obediente, humilde, cheio de graça e verdade, que revela perfeitamente o coração do Pai. A contemplação de Cristo não é fuga da realidade; é o fundamento de uma fé sólida e perseverante.
A tradição cristã sempre ensinou que o coração humano é moldado por aquilo que ama. Se amamos resultados, nossa fé será instável. Se amamos Cristo, nossa fé se tornará firme. O evangelho não começa com “faça”, mas com “veja”. Veja quem Ele é. Veja sua beleza. Veja sua glória revelada na cruz. É dessa visão que nasce uma vida transformada.
Retomar uma fé centrada em Cristo é também um retorno ao caminho antigo. Não se trata de inovação espiritual, mas de fidelidade. Os cristãos que vieram antes de nós compreenderam que a alegria mais profunda da vida cristã não está em controlar circunstâncias, mas em pertencer a Cristo e se alegrar nEle.
Cristo não é um meio para alcançar algo maior. Ele é o maior bem. Quando essa verdade volta ao centro, a fé reencontra sua simplicidade, sua força e sua alegria. E o coração, finalmente, descansa onde sempre deveria ter descansado.
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