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Mostrando postagens de fevereiro 18, 2026

O Construtor Invisível

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Há imagens de Jesus que o tempo não apagou. Outras, porém, foram suavizadas, adaptadas e, em alguns casos, esvaziadas. Entre elas está a do Cristo que constrói. Não apenas o Salvador que perdoa, mas o Construtor que trabalha, mede, escolhe pedras, suporta o peso do tempo e entrega uma obra que permanece. As Escrituras não nos apresentam um Messias distante do esforço humano. O Filho eterno entrou na história como trabalhador, conhecido como aquele que edificava com as mãos antes de formar discípulos com palavras. Essa realidade não é acidental. Ela revela um padrão divino: Deus constrói de forma paciente, concreta e progressiva. Desde o Antigo Testamento, o Senhor se apresenta como Aquele que edifica. Ele planta, estabelece fundamentos, levanta muros e habita no meio daquilo que constrói (Sl 127; Êx 25). No Novo Testamento, essa linguagem não desaparece; ela se aprofunda. O Reino não é descrito como algo etéreo, mas como uma casa, um edifício espiritual, um templo vivo (Mt 7; 1Co 3;...

A Vergonha Não Define Você

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 A vergonha é uma das dores mais silenciosas da alma. Diferente da culpa, que diz “eu fiz algo errado”, a vergonha sussurra “há algo errado comigo”. Ela toca identidade, valor e pertencimento. A primeira menção à vergonha aparece logo após a Queda. Adão e Eva percebem que estão nus e se escondem (Gênesis 3:7–10). O pecado não trouxe apenas culpa; trouxe exposição, medo e distanciamento. Desde então, a humanidade convive com a tentativa constante de cobrir-se — com desempenho, imagem, controle ou silêncio. A vergonha cresce em ambientes de rejeição. Palavras duras, abandono, abuso ou fracasso reiterado podem formar narrativas internas de inutilidade. A pessoa passa a acreditar que é indigna de amor ou respeito. Contudo, o evangelho interrompe essa história. Hebreus declara que Cristo suportou a cruz, desprezando a vergonha (Hebreus 12:2). A cruz era instrumento de humilhação pública. Jesus não apenas levou culpa; Ele assumiu desonra. Ele entrou na experiência da rejeição para red...

Entre o Desejo e a Sepultura

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 As Escrituras descrevem o pecado como algo que promete prazer, mas conduz à morte. Provérbios afirma que certos caminhos parecem agradáveis aos olhos, mas terminam em destruição (Provérbios 14:12). A dependência é exatamente essa dinâmica: um convite sedutor que oculta suas consequências. O vício não começa com intenção de escravidão. Ele nasce de um desejo legítimo que se torna absoluto. O coração humano foi criado para adorar a Deus, mas, quando desloca essa adoração para substâncias, comportamentos ou prazeres, instala-se a idolatria. Jesus declarou que todo aquele que pratica o pecado torna-se escravo dele (João 8:34). A dependência é forma intensificada dessa escravidão. O que inicialmente parecia escolha transforma-se em domínio. A raiz não está apenas no hábito externo, mas no coração. Tiago ensina que cada um é tentado pela própria cobiça, que o atrai e seduz (Tiago 1:14–15). A luta contra o vício exige mais do que força de vontade; exige transformação interior. A boa ...

Relacionamentos que Curam

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 A fé cristã nunca foi projetada para ser vivida em isolamento. Desde o princípio, Deus declarou que não é bom que o homem esteja só. A redenção em Cristo não apenas reconcilia o pecador com Deus, mas também o insere em uma nova comunidade: o corpo de Cristo. A vida cristã é, portanto, relacional por natureza. O Novo Testamento apresenta inúmeros mandamentos que só podem ser obedecidos em comunidade: amar uns aos outros (João 13:34), levar as cargas uns dos outros (Gálatas 6:2), perdoar uns aos outros (Efésios 4:32) e encorajar uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11). Esses imperativos revelam que o cuidado mútuo não é acessório da fé; é expressão essencial dela. Relacionamentos significativos exigem intencionalidade. Aproximar-se de alguém requer humildade e disposição para ouvir. Tiago ensina que devemos ser prontos para ouvir e tardios para falar (Tiago 1:19). A escuta atenta comunica valor e cria espaço para que o outro seja compreendido. Muitas vezes, o cuidado começa com si...

Graça Revelada na Generosidade

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  Quando a Graça Vira Generosidade A generosidade cristã não começa no bolso. Começa no coração regenerado pela graça. Antes de ser um ato financeiro, é um movimento espiritual. O evangelho não nos ensina apenas a dar; ele nos ensina a viver como quem recebeu tudo. A Escritura afirma: “Porque vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês” (2 Coríntios 8:9). A generosidade nasce desse escândalo santo: Deus se entrega. A cruz é o maior ato de doação da história. Não foi transação; foi entrega voluntária, motivada por amor redentor. Quando compreendemos isso, dar deixa de ser obrigação e passa a ser resposta. A raiz bíblica da generosidade Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus foi chamado a refletir o caráter do Senhor por meio do cuidado com o necessitado. A lei ordenava que não se colhesse totalmente os campos, para que o pobre tivesse o que recolher (Levítico 19:9-10). O dízimo sustentava o culto e também amparava o estrang...

Jeremias 29:11 Não É Sobre Sua Promoção

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Entre as falácias exegéticas mais comuns nos púlpitos está a apropriação individualista de promessas que, no contexto original, foram dirigidas a situações históricas específicas. Um exemplo recorrente é o uso de Jeremias 29:11 como garantia pessoal imediata de prosperidade, sucesso profissional ou realização individual. O versículo afirma que Deus tem “planos de paz e não de mal”. Em muitos sermões, esse texto é apresentado como promessa direta de crescimento financeiro, estabilidade emocional ou ascensão ministerial. Contudo, quando analisado em seu contexto literário e histórico, percebe-se que a declaração foi feita a uma comunidade específica: os exilados em Babilônia. O cenário não era de promoção, mas de juízo. O povo havia sido deportado por causa de sua infidelidade. A promessa não indicava libertação imediata, mas um período prolongado de disciplina — setenta anos de exílio. A palavra de esperança estava inserida dentro de um chamado à perseverança em terra estrangeira, const...

Resenha obra de Sidney Greidanus – Pregando Cristo a partir de Gênesis

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  Autor: Sidney Greidanus Área: Homilética e Teologia Bíblica Editora: Cultura Cristã A obra Pregando Cristo a partir de Gênesis insere-se no campo da homilética bíblica com uma proposta metodológica clara: demonstrar como o livro de Gênesis pode e deve ser pregado de forma cristocêntrica sem recorrer a alegorias artificiais ou leituras desconectadas do sentido original do texto. O autor parte do princípio de que a pregação cristã fiel precisa respeitar a progressão da revelação bíblica e a unidade das Escrituras. Greidanus argumenta que Gênesis, embora pertença ao Antigo Testamento, ocupa um lugar fundamental na história da redenção. Por meio de uma leitura histórico-redentiva, o autor demonstra como temas como criação, queda, promessa, aliança e eleição apontam progressivamente para a obra de Cristo. O livro evita interpretações forçadas e defende que a cristocentricidade legítima nasce do próprio texto, quando este é interpretado dentro do cânon bíblico como um todo. M...