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SALOMÃO FOI PROSPERO?

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  SALOMÃO FOI PROSPERO?   Sim,  Salomão foi próspero , mas a prosperidade dele precisa ser entendida nos  dois sentidos bíblicos : o material e o espiritual/moral — e como os dois se relacionam dentro da aliança. A tradição bíblica sempre tratou Salomão como um exemplo complexo:  imensamente abençoado  por Deus e, ao mesmo tempo,  um alerta  sobre o perigo de se afastar do Senhor mesmo no auge da prosperidade. A seguir, uma explicação equilibrada, enraizada na Escritura e nos idiomas originais. 1. A prosperidade de Salomão veio diretamente da resposta de Deus Quando Deus apareceu a Salomão em Gibeom (1Rs 3), o rei pediu  sabedoria  —  ḥokhmáh  (חָכְמָה). Deus respondeu concedendo-lhe: Sabedoria extraordinária Fama  ( kavod  – כָּבוֹד, honra) Riqueza  ( ʿōšer  – עֹשֶׁר) Poder e influência A prosperidade dele, portanto, foi  resultado da aliança , não de ambição pessoal. 2. Salomão prosperou material...

Jesus revelado na história: misericórdia, caminho e esperança

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  A fé cristã está firmemente enraizada na história. Ela não nasce de mitos intemporais, mas do testemunho de acontecimentos concretos vividos, narrados e preservados com cuidado. O retrato de Jesus apresentado pelos evangelhos destaca um Messias profundamente humano, atento aos marginalizados e comprometido com o propósito redentor de Deus ao longo do tempo. Desde os primeiros relatos, Jesus surge como aquele que visita seu povo com misericórdia. Sua vinda é apresentada como cumprimento de antigas promessas, não como ruptura com o passado. Deus age na história de forma paciente e fiel, conduzindo os eventos em direção à restauração. A vida de Jesus revela que a salvação não acontece fora do mundo, mas dentro dele. O ministério de Jesus é marcado por movimento. Ele caminha, ensina, confronta e acolhe. Seu caminho não é apenas geográfico, mas espiritual. Ao longo dessa jornada, Ele forma discípulos, corrige expectativas equivocadas e redefine o que significa seguir a Deus. A fé n...

Fuga do Paraíso: Quando o Ser Humano Corre da Presença de Deus

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A narrativa bíblica do paraíso não começa com expulsão, mas com comunhão. O jardim foi criado como espaço de encontro, provisão e relacionamento. No entanto, a primeira reação humana após o pecado não foi arrependimento, mas fuga. Antes mesmo de Deus expulsar o homem do Éden, o ser humano já havia decidido se esconder. Essa inversão revela uma verdade profunda: a maior ruptura não foi geográfica, mas relacional. A fuga do paraíso não começa quando Deus fecha o jardim, mas quando o coração humano se afasta da presença divina. O texto bíblico mostra que, após a desobediência, Adão e Eva ouviram a voz de Deus e se esconderam. O que antes era som de comunhão tornou-se motivo de medo. O problema não estava na presença de Deus, mas na consciência humana agora marcada pela culpa. Desde então, a história da humanidade pode ser lida como uma longa tentativa de fuga. Fuga da responsabilidade, fuga da verdade, fuga da luz. O pecado não apenas quebra mandamentos; ele distorce a percepção de Deus. ...

Prosperidade é ausência da falta..... Só isso mesmo???????

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Reduzir prosperidade à ausência de falta é simplificar algo que, biblicamente, sempre foi muito mais amplo, profundo e relacional. Na Bíblia, prosperidade nunca foi só “não faltar” — sempre foi “estar pleno”. O termo mais forte no hebraico é שָׁלוֹם — shalom , que não significa “paz” no sentido moderno, mas: inteireza , plenitude , vida no lugar certo , relações restauradas , caminhos alinhados , propósito florescendo , proteção e provisão , terra, família e futuro preservados . Perceba: Shalom não é ausência de algo, é presença de tudo o que Deus disse que é bom. No grego do Novo Testamento, o equivalente é εὐοδόομαι — euodóomai: Significa prosperar no caminho , literalmente “ser guiado a um bom caminho”, “ter sucesso no progresso”, “ir bem ao longo da jornada”. Não é apenas ter, é avançar com Deus . Então, prosperidade bíblica NÃO é: apenas dinheiro apenas suprimento apenas ausência de falta Prosperidade bíblica É: Relacionamento correto com Deu...

Prosperidade Bíblica em Hebraico e Grego

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  Uma visão fiel à Escritura, aos idiomas originais e ao modo como o povo de Deus sempre entendeu esse tema. 1. No Hebraico: Prosperidade é Caminho, Relação e Ordem Divina a) שָׁלוֹם – Shalom Mais do que “paz”, shalom significa inteireza, bem-estar, harmonia, completude, segurança, saúde e estabilidade . Não aponta para riqueza rápida, mas para uma vida ordenada conforme a vontade de Deus. Ideia central: estar inteiro . Traduções: paz, segurança, bem-estar, prosperidade (dependendo do contexto). Uso clássico: Números 6:24–26; Salmos 35:27. b) צָלַח – tsalach Verbo que significa avançar, prosperar, ser bem-sucedido, progredir . É um tipo de prosperidade operada por Deus e ligada à fidelidade . Ex.: José prosperou porque “o Senhor era com ele” (Gn 39:2–3). Sentido de progresso que vem de fora: Deus abre caminho. c) בָּרַךְ – barakh (abençoar) “Prosperidade” na mentalidade hebraica nasce da bênção , e a bênção é a presença ativa de Deus concedendo vida...

O sábado antes da Lei

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  O descanso como princípio criacional em Gênesis 2:1–3 Um dos fatos mais surpreendentes — e menos explorados — do livro de Gênesis é que o sábado aparece antes de qualquer mandamento, antes de Israel existir e antes da Lei ser dada no Sinai . Em Gênesis 2:1–3 , o texto afirma que Deus “descansou” no sétimo dia, abençoou esse dia e o santificou. Essa declaração, aparentemente simples, carrega implicações teológicas profundas que a tradição exegética clássica sempre tratou com grande reverência. Segundo a leitura cuidadosa apresentada em Gênesis: Introdução e Comentário , o descanso de Deus não deve ser entendido de maneira antropomórfica simplista. Deus não se cansa. O verbo hebraico shavat não comunica exaustão, mas cessação intencional , conclusão deliberada de uma obra perfeitamente ordenada. O descanso não é pausa — é coroamento No pensamento moderno, descanso costuma ser associado à recuperação de forças. Em Gênesis, porém, o descanso divino representa algo muito mais elevado...

Quando o Céu Parece Demorar: oração perseverante, justiça e a fé que Jesus procura

Há uma pergunta de Jesus que não nos deixa confortáveis: “Quando o Filho do Homem vier, achará fé na terra?” (Lc 18:8). Não é uma curiosidade teológica. É um teste espiritual. Jesus liga essa pergunta a uma parábola muito concreta: uma viúva frágil diante de um juiz injusto , e uma causa que parece não avançar. A cena é simples — e justamente por isso é poderosa: quando a justiça tarda, o coração esfria; quando a resposta não vem, a oração vai murchando; quando a espera se estende, a fé é colocada na fornalha. E então Jesus ensina algo antigo, sólido, quase “à moda de Israel”: orar sempre e não desfalecer (Lc 18:1). Não é um convite para repetição vazia, mas para permanência . O tipo de piedade que atravessa anos, não apenas dias. 1) A viúva: o retrato da vulnerabilidade que clama por justiça No mundo bíblico, a viúva aparece ao lado do órfão e do estrangeiro como símbolo de vulnerabilidade social (cf. Dt 10:18; 24:17; Is 1:17). Não é apenas emoção: é realidade. Ela não tem “força” p...