A Visão Que João Viu — E Que a Maioria dos Cristãos Não Percebe
“E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem...” (Apocalipse 1:12–13)
João não descreve “castiçais” de maneira casual. Ele está contemplando menorás — o candelabro sagrado de sete hastes que ardia continuamente no Templo. Para um judeu do primeiro século, como João, essa imagem seria impossível de confundir.
A menorá jamais foi apenas um ornamento litúrgico. Ela era o sinal visível da presença contínua de Deus, um lembrete permanente de que a luz divina não se apaga. No Templo, sua chama ardia sem cessar como uma declaração silenciosa, porém poderosa:
Deus está aqui. Deus permanece. Deus habita no meio do Seu povo.
Ao ver Jesus em meio às menorás, João não está descrevendo simbolismos abstratos. Ele está entrando numa visão profundamente enraizada na linguagem do Templo, na realidade da Aliança e nas estruturas da fé de Israel. É o Apocalipse como João realmente o compreenderia — e não como, muitas vezes, nós o lemos hoje, descolados das raízes hebraicas que lhe dão forma.
O texto que muitos cristãos já leram inúmeras vezes está entrelaçado de camadas que se perdem na tradução. Em hebraico, menorá não significa apenas “lâmpada”, mas a representação da presença de Deus entre o Seu povo. Quando isso volta a ser compreendido, a visão do Apocalipse ganha profundidade e sentido.
E então tudo muda.
Esta Estação de Luz Revela Uma Conexão Sagrada
Neste período do ano, menorás brilham na celebração de Hanukkah — o memorial do milagre da luz que não se apagou. Quando os macabeus retomaram o Templo profanado, encontraram óleo suficiente apenas para um dia. Contudo, a menorá permaneceu acesa por oito dias.
O recado não era apenas de resistência.
Era de promessa.
Uma afirmação silenciosa, fiel e eterna:
A luz de Deus não se apaga.
Ao mesmo tempo, velas de Advento são acesas em expectativa do nascimento de Cristo — a verdadeira Luz do mundo. Essas histórias não são opostas. Não competem entre si. São fios de uma mesma tapeçaria reveladora, que une a fé de Israel e a fé da Igreja sob o mesmo Deus, o mesmo brilho, a mesma esperança.
A menorá que João contempla no Apocalipse não é um objeto do passado; é um símbolo vivo. Ela forma uma ponte entre as tradições, iluminando um tema que percorre toda a Escritura: a presença inextinguível de Deus, ardendo desde o Templo terrestre até a sala do trono celestial.
Quando devolvemos ao Apocalipse seu contexto judaico, o livro inteiro se ilumina. A linguagem de João deixa de parecer estranha; torna-se reconhecível, coerente, familiar.
É a mesma Aliança.
O mesmo Templo.
A mesma Luz para a qual tanto Hanukkah quanto o Natal apontam — cada um à sua maneira, cada um à sua época, mas ambos anunciando o Deus que habita conosco.
E esta estação do ano é o momento perfeito para redescobrir o que sempre esteve ali — apenas esperando para ser notado.
O Que Mais Está Escondido No Texto Que Você Conhece De Cor?
Se os sete candelabros são, de fato, menorás, o que mais temos deixado passar?
A visão de João é repleta de elementos que ecoam o serviço sacerdotal e a vida do Templo:
-
Os 24 anciãos, que lembram os turnos sacerdotais instituídos por Davi.
-
O altar celestial, correspondente ao altar do incenso.
-
A subida da fumaça, como as orações dos santos.
-
As trombetas, usadas nas festas e nos chamados solenes de Israel.
-
As vestes sacerdotais, refletidas na descrição do próprio Cristo glorificado.
O Apocalipse não é uma colcha de símbolos aleatórios — é uma construção cuidadosamente arquitetada com imagens, sons e referências que qualquer judeu do primeiro século identificaria de imediato. São as vigas estruturais da visão de João.
Quando essas peças retornam ao seu lugar, a mensagem do livro não se dilui.
Pelo contrário, se fortalece.
MENORÁ ENTRE NÓS
INTRO
Dm | Bb | F | C
Dm | Bb | Gm | A
VERSO 1
Dm
No silêncio do Teu santo lugar
Bb
A luz ainda arde
F
Não se apagou
C
Entre o ouro e o mistério
Dm
Tua presença permanece
Bb
Fiel ao que prometeu
Gm
Não é chama comum
A
Não é fogo humano
VERSO 2
Dm
É glória que habita
Bb
Entre nós
Dm
João viu o que os olhos não explicam
Bb
Ouviu o que o céu insiste em dizer
F
Tu andas no meio do Teu povo
C
Não distante
Dm
Não ausente
Bb
Mas presente
Gm
A luz não está no castiçal
A
A luz está em Ti
PRÉ-REFRÃO
Gm
Como no Templo antigo
Dm
Como no princípio
Bb
Faz morada
A
Outra vez
REFRÃO
Dm
Vem habitar entre nós
Bb
Acende o que se apagou
F
Queima o óleo da alma
C
Até transbordar
Dm
Vem, presença santa
Bb
Luz que não se vai
Gm
Menorá viva
A
Entre nós
VERSO 3
Dm
Se o azeite é pouco
Bb
Ainda assim Tu ages
F
Se a noite é longa
C
Tua luz permanece
Dm
O que era profanado
Bb
Tu santificas
Gm
O que estava em ruínas
A
Tu restauras
REFRÃO (variação)
Dm
Vem habitar entre nós
Bb
Não só como memória
F
Mas como glória viva
C
A nos cercar
Dm
Vem, presença eterna
Bb
De ontem até o fim
Gm
Menorá acesa
A
Dentro de mim
PONTE (livre – oração cantada)
Bb
Não queremos só Teus feitos
Dm
Queremos Teu rosto
Bb
Não queremos só a luz
Dm
Queremos a fonte
Gm
Permanece
Dm
Permanece
Bb
Permanece
A
Aqui
ÚLTIMO REFRÃO (crescente)
Dm
Vem habitar entre nós
Bb
Como no santo lugar
F
Que a Tua presença
C
Seja o nosso altar
Dm
Vem, Espírito eterno
Bb
Luz que não se extingue
Gm
Menorá do céu
A
Arde em mim
FINAL (suave)
Dm
Arde…
Bb
Arde…
Dm
Permanece…
Dm | Bb | Gm | Dm
Tom: Ré menor (Dm)
Armadura: 1 bemol (Bb)
Compasso: livre (base 4/4, com rubato)
Andamento: ♩ = 65
Clave: Sol
INTRO (instrumental – piano ou cordas)
(melodia opcional, sustentada)
D – F – G – A
A – G – F – D
VERSO 1
(recitativo – poucas notas, respeitando a fala)
No si-lên-cio do Teu san-to lu-gar
D F G F E D
A luz ain-da ar-de
D F G F
Não se a-pa-gou
E F D
En-tre o ou-ro e o mis-té-rio
D F G A G F E
Tu-a pre-sen-ça per-ma-ne-ce
D F G F E D
Fi-el ao que pro-me-teu
D F G A G F
Não é cha-ma co-mum
E F G F
Não é fo-go hu-ma-no
E D C D
VERSO 2
É gló-ria que ha-bi-ta
D F G F
En-tre nós
E D
Jo-ão viu o que os o-lhos não ex-pli-cam
D F G A G F E D
Ou-viu o que o céu in-sis-te em di-zer
D F G A G F E
Tu an-das no mei-o do Teu po-vo
F G A Bb A G FNão dis-tan-te
E F
Não au-sen-te
E F
Mas pre-sen-te
G F E
A luz não es-tá no cas-ti-çal
D F G A G F
A luz es-tá em Ti
E D
PRÉ-REFRÃO
(crescendo leve)
Co-mo no Tem-plo an-ti-go
G A Bb A G
Co-mo no prin-cí-pi-o
F G A G F
Faz mo-ra-da ou-tra vez
E F G F E
REFRÃO
(melodia ampla, notas longas)
Vem ha-bi-tar en-tre nós
D F G A G F
A-cen-de o que se a-pa-gou
F G A Bb A G
Quei-ma o ó-le-o da al-ma
A Bb A G F
A-té trans-bor-dar
G F E D
Vem, pre-sen-ça san-ta
F G A G F
Luz que não se vai
E F G F
Me-no-rá vi-va
G A Bb A
En-tre nós
G F D
PONTE (oração cantada – livre)
Não que-re-mos só Teus fei-tos
F G A G F
Que-re-mos Teu ros-to
E F G F
Não que-re-mos só a luz
F G A G
Que-re-mos a fon-te
F E D
Per-ma-ne-ce…
G F E
Per-ma-ne-ce…
F E D
Per-ma-ne-ce a-qui
E F D
ÚLTIMO REFRÃO (intenso)
Vem ha-bi-tar en-tre nós
D F G A G F
Co-mo no san-to lu-gar
F G A Bb A G
Que a Tu-a pre-sen-ça
A Bb A G F
Se-ja o nos-so al-tar
G F E D
Vem, Es-pí-ri-to e-ter-no
F G A G F
Luz que não se ex-tin-gue
E F G A
Me-no-rá do céu
Bb A G
Ar-de em mim
F E D
FINAL
(ritardando – pianíssimo)
Ar-de…
D F
Ar-de…
E D
Per-ma-ne-ce…
D (sustain)
Comentários
Postar um comentário