A Vergonha Não Define Você
A vergonha é uma das dores mais silenciosas da alma. Diferente da culpa, que diz “eu fiz algo errado”, a vergonha sussurra “há algo errado comigo”. Ela toca identidade, valor e pertencimento.
A primeira menção à vergonha aparece logo após a Queda. Adão e Eva percebem que estão nus e se escondem (Gênesis 3:7–10). O pecado não trouxe apenas culpa; trouxe exposição, medo e distanciamento. Desde então, a humanidade convive com a tentativa constante de cobrir-se — com desempenho, imagem, controle ou silêncio.
A vergonha cresce em ambientes de rejeição. Palavras duras, abandono, abuso ou fracasso reiterado podem formar narrativas internas de inutilidade. A pessoa passa a acreditar que é indigna de amor ou respeito.
Contudo, o evangelho interrompe essa história. Hebreus declara que Cristo suportou a cruz, desprezando a vergonha (Hebreus 12:2). A cruz era instrumento de humilhação pública. Jesus não apenas levou culpa; Ele assumiu desonra. Ele entrou na experiência da rejeição para redimir aqueles que se sentem rejeitados.
Romanos afirma que não há condenação para os que estão em Cristo (Romanos 8:1). A ausência de condenação não é apenas jurídica; é relacional. Deus não apenas perdoa; Ele recebe.
A vergonha convida ao esconderijo. O evangelho convida à luz. Quando entendemos que nossa identidade é definida por Cristo e não por falhas ou rejeições, a vergonha perde autoridade.
A última palavra não é exposição humilhante. É adoção graciosa.
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