Chamadas para Ser Plenamente Vivas

 

Vivemos dias em que identidade tem sido confundida com performance, e valor com reconhecimento público. Contudo, desde as primeiras páginas das Escrituras, a Palavra revela que homem e mulher foram criados com propósito, dignidade e complementaridade diante de Deus. “Criou Deus o homem à sua imagem… homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). A identidade não nasce na cultura; nasce no Criador.

A narrativa bíblica não apresenta rivalidade entre os sexos, mas cooperação. Em Gênesis 2:18, quando o Senhor declara que “não é bom que o homem esteja só”, Ele estabelece o princípio da parceria. A expressão hebraica ezer kenegdo não sugere inferioridade, mas auxílio correspondente — alguém que está frente a frente, capaz de sustentar, confrontar e completar. Há honra nesse chamado.

O pecado distorceu essa harmonia (Gênesis 3:16), introduzindo tensão onde havia unidade. Porém, em Cristo, há restauração. O apóstolo Paulo afirma que “em Cristo Jesus… não pode haver homem nem mulher” como categorias de valor ou acesso à graça (Gálatas 3:28). Isso não elimina distinções criacionais, mas remove hierarquias de dignidade. A cruz não apaga o designo; ela o redime.

Jesus tratou mulheres com dignidade incomum para sua época. Ele dialogou com a samaritana (João 4), recebeu Maria aos seus pés como discípula (Lucas 10:39) e apareceu primeiro às mulheres após a ressurreição (Mateus 28:9-10). Em cada gesto, Ele reafirmou o valor feminino sem anular a estrutura criada por Deus.

A plenitude bíblica não está em romper com a criação, mas em restaurá-la à luz da redenção. Homens são chamados a amar sacrificialmente (Efésios 5:25), refletindo Cristo. Mulheres são chamadas a exercer sabedoria e força com dignidade (Provérbios 31:25). Ambos são convocados à maturidade espiritual (Efésios 4:13).

Ser plenamente viva não é adotar estereótipos nem rejeitar diferenças; é abraçar o chamado divino com responsabilidade, graça e temor do Senhor. A liberdade cristã não é autonomia absoluta, mas capacidade restaurada de viver segundo a vontade de Deus.

Quando compreendemos isso, deixamos de competir e começamos a cooperar. Deixamos de provar valor e passamos a refletir glória. O plano do Pai não aprisiona; ele estrutura. Não diminui; estabelece. Não limita; direciona.

A maturidade cristã exige que olhemos para trás, para o fundamento da criação, e para cima, para a obra consumada de Cristo. É nesse equilíbrio que homens e mulheres encontram libertação verdadeira: viver como Deus planejou, redimidos, restaurados e enviados.


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