Libertando-se da auto-idolatria


Vivemos em uma geração marcada pelo excesso de exposição e pela escassez de profundidade. Nunca se falou tanto sobre autoestima, identidade e realização pessoal. Contudo, a Escritura nos alerta que nos últimos dias os homens seriam “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3:1–2). O problema não está em reconhecer o valor da vida humana, criada à imagem de Deus (Gênesis 1:27), mas em substituir o Criador pelo próprio eu.

O coração humano, desde a queda, inclina-se ao centro errado. Em Gênesis 3, o desejo de autonomia levou o homem a buscar ser como Deus. Essa mesma raiz continua ativa quando a vontade pessoal se torna autoridade suprema. Jesus ensinou um caminho oposto: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24). O discipulado cristão não é a exaltação do ego, mas sua rendição.

O apóstolo Paulo afirmou: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Essa declaração não anula a personalidade, mas a redime. O evangelho não destrói a identidade; ele a reposiciona sob o senhorio de Cristo. A verdadeira liberdade não nasce da autoafirmação, mas da submissão à vontade de Deus (João 8:36).

O amor próprio desordenado produz competição, comparação e frustração. Tiago adverte que onde há inveja e sentimento faccioso, ali há confusão (Tiago 3:16). O evangelho, por outro lado, gera humildade. Filipenses 2:3–4 orienta a considerar os outros superiores a si mesmo. Isso não é fraqueza; é maturidade espiritual.

Historicamente, a fé cristã sempre ensinou que a vida floresce quando Deus ocupa o centro. Agostinho declarou que o coração humano é inquieto até descansar em Deus. Essa verdade ecoa no Salmo 115:1: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória.”

Libertar-se do vício do próprio eu exige arrependimento, renovação da mente (Romanos 12:2) e prática constante da humildade. Não se trata de auto-ódio, mas de ordenação correta dos afetos. Amar a Deus acima de tudo (Mateus 22:37) coloca cada dimensão da vida em seu devido lugar.

Cristo não veio para alimentar nossa centralidade, mas para nos reconciliar com o Pai. Quando Ele é o centro, a vida encontra equilíbrio, propósito e paz. O espelho deixa de ser altar, e o coração volta a ser templo.


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