Ser solteiro não é panela sem tampa: É propósito vivo

 Existe uma mentira repetida com naturalidade: a de que o solteiro é incompleto. Metade de algo. Um projeto em espera. Uma panela sem tampa. Essa ideia, embora pareça inofensiva, contradiz a verdade bíblica sobre identidade e propósito.

A Escritura nunca define o valor de uma pessoa pelo seu estado civil. Em Colossenses 2.10 lemos que estamos completos em Cristo. Não parcialmente completos. Não emocionalmente provisórios. Completos. Se a completude está em Cristo, então ela não depende da presença de um cônjuge.

Isso não significa negar a realidade da solidão. A solidão é uma experiência comum neste mundo marcado pela Queda. Em Gênesis 3 vemos que, após o pecado, surgem vergonha, isolamento e ruptura. A solidão nasce ali — não da ausência de casamento, mas da separação de Deus. Portanto, a raiz do vazio humano não é conjugal; é espiritual.

Muitos imaginam que o casamento resolverá definitivamente essa sensação de falta. Contudo, pessoas casadas também experimentam solidão. O matrimônio é uma dádiva, mas não é redenção. Quando transformamos relacionamento em solução absoluta, fazemos dele um ídolo. Êxodo 20.3 nos lembra que nenhum outro “deus” deve ocupar o lugar que pertence ao Senhor.

O solteiro não está em modo de espera. Efésios 2.10 afirma que fomos criados em Cristo para boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas. Isso é presente, não futuro condicionado ao altar. Deus não suspende propósito até que alguém apareça.

Há uma diferença entre sentir-se só e ser incompleto. Sentimentos são reais, mas não determinam identidade. O salmista declara que Deus faz que o solitário viva em família (Salmo 68.6). Essa família é, antes de tudo, a comunhão do povo de Deus. A igreja é corpo (1 Coríntios 12.27), e cada membro é necessário. Nenhum é acessório.

Cristo não chamou apenas casais para segui-lo. Ele chamou pessoas. Chamou discípulos. Chamou servos. Chamou amigos (João 15.15). Ele próprio viveu solteiro, e sua vida foi a mais plena que já existiu. Isso por si só deveria confrontar nossa mentalidade distorcida.

A verdadeira questão não é “Quando encontrarei alguém?”, mas “Estou vivendo como alguém que já pertence a Cristo?”. Quando buscamos primeiro o Reino de Deus (Mateus 6.33), nossa perspectiva muda. Em vez de usar pessoas para preencher carências, aprendemos a amá-las com maturidade.

Ser solteiro não é ausência de propósito. É uma estação que pode ser vivida com dignidade, responsabilidade e fruto espiritual. A inteireza não nasce do romance; nasce da união com o Senhor.

A solidão pode visitar o coração, mas não tem autoridade para definir identidade. Em Cristo, você não é metade aguardando complemento. Você é inteiro, redimido e chamado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Posso fazer sexo quando estou de jejum?

Sermão para aniversário - Vida guiada por Deus

Eu sou uma Esposa de Fé