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Entre os desejos sexuais e o Senhorio de Deus

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Poucos temas exigem tanta honestidade quanto este. Os desejos sexuais tocam áreas profundas da identidade humana, envolvendo corpo, emoções, memória e imaginação. Ignorá-los não os enfraquece; absolutizá-los, porém, os transforma em senhores. A fé cristã sempre afirmou que o problema não está na existência dos desejos, mas em quem governa a vida quando eles falam mais alto . Vivemos numa cultura que associa liberdade à ausência de limites. Nesse contexto, qualquer chamado ao domínio próprio soa como repressão. A Escritura, contudo, apresenta uma visão diferente: liberdade verdadeira não é seguir todo impulso, mas viver sob o senhorio de Deus. Quando Deus governa, os desejos encontram lugar, direção e propósito. Quando Ele é removido do centro, os desejos passam a ocupar um trono que não lhes pertence. O coração humano é um campo de disputas. Não existem áreas neutras. Aquilo que não é conscientemente submetido a Deus acaba sendo governado por outra força. Muitos conflitos na área se...

Quando o Pastor Também Precisa Ser Pastoreado

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  O ministério pastoral carrega um paradoxo silencioso: quem cuida de muitos, muitas vezes não é cuidado por ninguém. A expectativa constante de firmeza, disponibilidade e maturidade espiritual cria, ao longo do tempo, um isolamento disfarçado de zelo. O pastor aprende a ouvir dores, aconselhar crises e sustentar outros, mas nem sempre encontra espaço seguro para reconhecer as próprias fragilidades. A vocação pastoral não elimina a humanidade. Pelo contrário, ela a expõe. O pastor continua sendo um homem ou uma mulher sujeito ao cansaço, à tentação, à frustração e ao desânimo. Quando essa realidade é ignorada, cria-se um terreno perigoso onde o esgotamento espiritual se confunde com fidelidade, e o silêncio interior é interpretado como força. A Escritura nunca apresentou o pastor como alguém autossuficiente. O chamado pastoral nasce da dependência de Deus e se sustenta nela. Pastores que deixam de ser pastoreados correm o risco de transformar o ministério em função, e não em voca...

Viva Como Quem Já Ressuscitou

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Há uma tentação persistente na vida cristã: tratar a ressurreição como um evento do passado ou uma promessa distante, reservada para o fim dos tempos. Quando isso acontece, a fé perde chão no cotidiano. A ressurreição, porém, não foi dada apenas para ser celebrada; foi dada para ser vivida . Ela inaugura um modo novo de existir aqui e agora. Viver como quem já ressuscitou significa resistir aos atalhos religiosos que prometem resultados rápidos sem transformação profunda. A fé cristã não é fuga da realidade, mas compromisso com ela. A ressurreição não nos retira do mundo; ela nos envia de volta a ele com um coração renovado, um ritmo diferente e uma esperança que não depende de circunstâncias favoráveis. O cotidiano é o lugar onde a ressurreição se torna visível. Não nos grandes gestos, mas na fidelidade silenciosa; não na pressa, mas na perseverança; não no espetáculo, mas na obediência comum. Viver ressuscitadamente é aprender a permanecer quando seria mais fácil desistir, a amar q...

Palavras que Revelam o Deus Vivo

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Vivemos numa época de excesso de palavras e escassez de reverência. Fala-se muito sobre Deus, mas nem sempre se fala a partir de Deus . Conceitos, slogans religiosos e frases de efeito circulam com facilidade, enquanto o conhecimento profundo do Deus vivo se torna cada vez mais raro. Este é um dos grandes desafios da fé cristã contemporânea: distinguir entre falar sobre Deus e realmente conhecê-Lo . Na tradição cristã histórica, as palavras nunca foram vistas como meros instrumentos de comunicação, mas como meios de revelação. Deus Se dá a conhecer por meio de palavras cuidadosamente escolhidas, carregadas de sentido, peso e santidade. Cada atributo revelado — santidade, fidelidade, justiça, graça, soberania — não é um adjetivo abstrato, mas uma janela para o caráter do próprio Deus. Tratar essas palavras com superficialidade é reduzir o próprio Deus. Conhecer Deus exige precisão reverente. Não porque possamos dominá-Lo intelectualmente, mas porque Ele decidiu Se revelar de maneira ...

O céu governa mesmo quando a terra geme

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Há momentos na vida em que os acontecimentos parecem fugir a qualquer explicação lógica. Crises irrompem sem aviso, perdas interrompem trajetórias, mudanças forçadas desmontam planos cuidadosamente construídos. Nesses momentos, somos tentados a interpretar a realidade como caos, acaso ou abandono. A fé cristã, porém, nos conduz por um caminho mais profundo e mais reverente: nada escapa ao governo de Deus. A soberania divina não é uma ideia abstrata; é uma verdade que sustenta o coração quando tudo ao redor vacila. Deus não reage à história — Ele a governa. Mesmo quando não compreendemos Seus caminhos, Ele permanece ativo, justo e sábio. Há acontecimentos que não são meros acidentes, mas atos permitidos, conduzidos ou usados por Deus para cumprir propósitos eternos que ultrapassam nossa compreensão imediata. Reconhecer isso não elimina a dor, mas redefine o sentido dela. A fé madura não nega o sofrimento, mas o submete ao trono de Deus. Quando entendemos que o Senhor continua agindo ...

Uma Fé ativa

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 Vivemos em uma época em que a fé é frequentemente reduzida a palavras corretas e convicções mentais. Muitos sabem no que creem, conseguem explicar doutrinas e defender ideias, mas vivem como se essas verdades não tivessem força prática. A fé bíblica, porém, nunca foi apenas intelectual. Ela sempre foi ativa, visível e transformadora. Crer, à luz das Escrituras, é confiar a ponto de obedecer. É permanecer firme quando as circunstâncias não cooperam. É continuar andando quando o caminho é difícil e o resultado não é imediato. A fé autêntica não se limita a concordar com verdades espirituais; ela molda decisões, sustenta a perseverança e governa a maneira como enfrentamos sofrimento, espera e frustração. A tradição cristã sempre ensinou que fé e vida caminham juntas. Onde há fé verdadeira, há compromisso. Onde há confiança em Deus, há obediência, ainda que custosa. Não porque o cristão seja forte em si mesmo, mas porque confia em um Deus fiel. Fé ativa não é perfeição moral, mas fi...

Por Que Faço o Que Não Quero Fazer

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Poucas perguntas são tão honestas — e tão desconfortáveis — quanto esta: por que faço exatamente aquilo que eu mesmo rejeito? Não se trata de falta de informação, nem de ausência de valores. Muitas vezes sabemos o que é certo, desejamos o que é bom, mas agimos contra a própria consciência. Esse conflito interno revela uma verdade incômoda: querer não é o mesmo que governar. A fé cristã nunca romantizou o ser humano. A Escritura descreve com clareza essa divisão interior: mente que concorda com o bem, vontade enfraquecida, desejos desalinhados. O problema não é apenas comportamento; é governo. Algo dentro de nós insiste em ocupar o trono que deveria pertencer a Deus. Vivemos em uma cultura que normaliza o descontrole, chama fraqueza de identidade e trata vício como destino. O evangelho confronta tudo isso. Ele não nega o conflito, mas também não o aceita como sentença final. Há uma luta real dentro de nós, e ignorá-la não produz libertação — apenas repetição. Fazer o que não se quer...