A Trindade na Elaboração da Bíblia

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Afirmar que Deus é o autor da Bíblia e que Jesus Cristo é o seu assunto principal é essencial — mas ainda não é completo. Precisamos acrescentar uma verdade igualmente fundamental: o Espírito Santo é o agente da revelação. Sem Ele, a Escritura não teria sido dada; e sem Ele, tampouco pode ser verdadeiramente compreendida. Por isso, a compreensão cristã da Bíblia é, em sua essência, trinitária.

A Bíblia vem do Pai, pois nasce de Sua vontade soberana. Ela é centrada no Filho, pois todo o seu conteúdo converge para a pessoa e a obra de Cristo. E ela é inspirada pelo Espírito Santo, que moveu os autores humanos a escreverem aquilo que Deus quis comunicar. Não se trata de três atos separados, mas de uma única obra divina realizada em perfeita harmonia. Assim, a melhor definição da Bíblia também precisa refletir essa realidade:
a Bíblia é o testemunho do Pai sobre o Filho, por meio do Espírito Santo.

Essa definição preserva a fé da Igreja como sempre foi ensinada. Ela impede que reduzamos a Escritura a um mero documento religioso ou a um produto da genialidade humana. Ao mesmo tempo, protege-nos de um misticismo desconectado do texto. Palavra, Cristo e Espírito caminham juntos; separá-los é perder o coração da revelação.

Surge, então, a pergunta decisiva: qual é o papel exato do Espírito Santo no processo da revelação? Para responder, precisamos voltar-nos humildemente para a própria Escritura. E um dos textos mais claros sobre isso encontra-se em 1 Coríntios 2.6–16.

Nesse trecho, o apóstolo Paulo ensina que as verdades de Deus não são descobertas pela sabedoria humana, mas reveladas pelo Espírito. É o Espírito quem esquadrinha as profundezas de Deus e as comunica ao ser humano. Ele não apenas inspirou o conteúdo da revelação no passado, mas também ilumina o entendimento do leitor no presente. Sem essa ação, a Palavra pode ser lida, analisada e até admirada — mas não discernida espiritualmente.

Aqui, mais uma vez, o caminho antigo da fé se mostra seguro. A Bíblia não é fruto da imaginação humana; ela procede de Deus. Não é um livro neutro; ela aponta para Cristo. E não é compreendida por esforço intelectual isolado; ela depende da obra contínua do Espírito Santo. É por isso que a leitura cristã das Escrituras sempre foi acompanhada de oração, reverência e dependência.

Assim, ao nos aproximarmos da Bíblia, não o fazemos apenas como estudiosos, mas como adoradores. Recebemos a Palavra do Pai, encontramos o Filho nas páginas sagradas e dependemos do Espírito para entendê-la e vivê-la. Essa é a leitura que gera vida — sólida, profunda e fiel ao Deus trino que sempre falou ao seu povo.

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