A vida não para - Parte 3

 

A Mentira da Vergonha e o Chamado à Inteireza

Se a ansiedade desgasta a alma e a luta interior cansa o espírito, a vergonha atinge o núcleo da identidade. Ela não fala apenas sobre erros cometidos, mas sussurra, de forma persistente, que o próprio ser humano é inadequado. A vergonha não pergunta o que foi feito; ela afirma quem a pessoa “é”. Por isso, seu efeito é tão profundo e silencioso.

Desde o princípio, a Escritura revela esse mecanismo. No Éden, após a queda, o primeiro impulso do homem não foi o arrependimento verbal, mas o esconderijo. O texto afirma: “E esconderam-se da presença do Senhor Deus” (Gênesis 3:8). A vergonha sempre empurra para o afastamento. Deus, porém, não responde com rejeição. Ele se aproxima e chama: “Onde estás?”. Essa pergunta não nasce da acusação, mas do desejo de restauração.

A vergonha alimenta o perfeccionismo e a performance religiosa. Ela ensina que é preciso provar valor, controlar a imagem e esconder fragilidades. Contudo, o evangelho segue outro caminho. O apóstolo João declara: “No amor não há medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (1 João 4:18). Onde o amor de Deus é plenamente recebido, a vergonha perde autoridade, porque já não há necessidade de se esconder.

Paulo reforça essa verdade ao lembrar que a fraqueza não é obstáculo para Deus, mas ambiente de ação da graça: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Coríntios 12:10). A tradição cristã nunca ensinou que a cura vem pela negação da fragilidade, mas pela aceitação do cuidado divino. Deus não forma personagens religiosos impecáveis; Ele forma pessoas inteiras.

Conclusão

Ansiedade, luta interior e vergonha não são sinais de abandono espiritual. São experiências humanas antigas, presentes nas páginas da Escritura e na história da fé. O que permanece constante não é a força do homem, mas a fidelidade de Deus. Ele vê o ansioso, sustenta o que luta e chama pelo nome aquele que se esconde.

A fé cristã tradicional não promete uma vida sem quedas, mas uma vida acompanhada. Não caminhamos sozinhos quando a alma aperta. Não lutamos sozinhos quando recaímos. Não nos escondemos sozinhos quando a vergonha tenta nos calar. Deus continua presente, chamando, restaurando e conduzindo, como sempre fez.

Parte 1: https://medita-na-palavra.blogspot.com/2026/01/a-vida-nao-para-parte-1.html

Parte 2: https://medita-na-palavra.blogspot.com/2026/01/a-vida-nao-para-parte-2.html

Parte 3: https://medita-na-palavra.blogspot.com/2026/01/a-vida-nao-para-parte-3.html

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