Eu amo animais, e você?


Sempre gostei de animais. Desde muito cedo, conviver com cachorros fez parte da minha vida — e não apenas com um. Hoje, tenho quatro. Minhas cachorras fazem parte da minha rotina, despertam meu cuidado, meu afeto e minha responsabilidade. Eu as amo. Não tenho vergonha de dizer isso.

Mas amar não significa confundir. Aprendi, ao longo do tempo, a amar respeitando os limites da criação — os meus e os delas. Respeito a mim mesma enquanto ser humano, com emoções, consciência, palavra e responsabilidade moral. E respeito a elas como animais, criaturas que merecem cuidado, zelo e proteção, mas que não carregam o peso nem a vocação da humanidade.

Talvez seja justamente por amar os animais que eu me recuso a usá-los como instrumento para rebaixar pessoas. E talvez seja por valorizar o ser humano que me esforço para não projetar nos animais aquilo que pertence às relações humanas. Há uma ordem sábia nisso. Quando cada coisa ocupa o seu lugar, o afeto se torna saudável, a convivência se torna justa e a dignidade — humana e da criação — permanece preservada.

É a partir desse equilíbrio que esta reflexão começa.

Quando os animais são elevados e o ser humano é rebaixado: um sinal do nosso tempo

Vivemos uma inversão silenciosa, porém profunda. Ao mesmo tempo em que os animais domésticos são progressivamente humanizados, o ser humano vem sendo desumanizado no discurso social, cultural e até político. Essa contradição revela mais do que modismos: expõe uma crise de valores, linguagem e visão de mundo.

Versículo base:

“E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou.” (Gênesis 1:27)

Desde o princípio, a dignidade humana não nasce da comparação com outras criaturas, mas da imagem divina que lhe foi confiada.

A humanização dos animais: afeto que ultrapassa limites

Hoje, animais domésticos ocupam espaços que historicamente pertenciam às relações humanas. São chamados de “filhos”, recebem atributos morais humanos e, em muitos discursos, são colocados como moralmente superiores às pessoas.

O cuidado com os animais é bíblico. O problema surge quando o afeto se transforma em substituição simbólica do humano, deslocando o valor central da pessoa.

Versículo:

“O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos ímpios é cruel.” (Provérbios 12:10)

A Escritura ensina cuidado, não equiparação. O animal é criação; o ser humano é imagem.

A desumanização do ser humano: quando pessoas viram animais

Paralelamente, cresce o uso de linguagem que reduz pessoas a animais ou pragas: chamar grupos humanos de “gado”, “ratos”, “vermes”, ou afirmar que um povo possui inteligência inferior à de um macaco.

Essa linguagem nunca é inocente. Ela prepara o terreno para desprezo, exclusão e violência.

Versículo:

“Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” (Tiago 3:9)

Desumanizar o outro é, em última instância, insultar o Criador.

Linguagem molda consciência

A Bíblia sempre tratou a palavra como força espiritual. O modo como falamos molda o modo como pensamos e, consequentemente, como agimos.

Quando alguém deixa de ser tratado como pessoa, passa a ser tratado como coisa.

Versículo:

“A morte e a vida estão no poder da língua.” (Provérbios 18:21)

Antes da violência física, há sempre a violência verbal.

Uma inversão perigosa

Essa inversão não eleva os animais; rebaixa o ser humano. Quando a dignidade humana é relativizada, tudo se torna negociável: o respeito, a empatia, a responsabilidade moral.

Sociedades adoecem quando perdem a noção clara do valor do humano.

Versículo:

“Por que te glorias no mal, ó homem poderoso?” (Salmos 52:1)

O problema nunca foi o animal ocupar seu lugar, mas o homem abandonar o seu.

Recuperar a dignidade do humano

Resgatar a dignidade humana não é negar o cuidado com a criação, mas reafirmar a ordem correta das coisas. O ser humano foi chamado a governar com responsabilidade, não a se auto-rebaixar nem a destruir o próximo com palavras.

Versículo:

“Que é o homem, para que dele te lembres? […] Fizeste-o pouco menor que os anjos e de glória e de honra o coroaste.” (Salmos 8:4–5)

Voltar a essa verdade não é retrocesso. É fidelidade ao que sempre sustentou sociedades justas: a sacralidade da vida humana.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Posso fazer sexo quando estou de jejum?

Eu sou uma Esposa de Fé

Sermão para aniversário - Vida guiada por Deus