Fé que con fessa, Fé que se vive

 


Existe uma diferença silenciosa — e muitas vezes dolorosa — entre a fé que confessamos com palavras e a fé que realmente vivemos no cotidiano. Sabemos dizer o que cremos, repetimos verdades bíblicas com clareza e afirmamos confiar em Deus. No entanto, quando a vida pressiona, nem sempre nossas escolhas revelam essa mesma confiança.

A fé professada habita o discurso. A fé vivida se manifesta nas decisões. É possível afirmar que Deus é soberano e, ainda assim, viver controlando tudo por medo. É possível dizer que confiamos em Sua provisão e, ao mesmo tempo, agir movidos por ansiedade constante. Essa distância não nasce da falta de informação, mas de um coração que ainda não aprendeu a descansar plenamente em Deus.

Com o passar do tempo, especialmente ao envelhecer, essa tensão se torna mais evidente. As forças diminuem, as certezas humanas enfraquecem e já não conseguimos sustentar uma fé apenas intelectual. A vida exige coerência. Aquilo que não foi integrado ao coração começa a pesar.

Muitas vezes, a fé professada funciona como uma proteção emocional. Dizemos que cremos para aliviar a culpa, para manter uma identidade religiosa ou para evitar perguntas mais profundas. A fé vivida, porém, exige entrega. Ela pede que nossas palavras sejam confirmadas pelas atitudes, especialmente quando obedecer custa algo.

Deus não nos chama apenas a crer corretamente, mas a viver de acordo com o que cremos. Isso não significa perfeição, mas integridade. A fé verdadeira não elimina dúvidas nem dificuldades; ela transforma a forma como lidamos com elas. Ela se expressa na paciência quando não entendemos, na obediência quando não concordamos e na confiança quando não vemos saída.

Há momentos em que percebo, com honestidade, que minha fé é mais falada do que praticada. Confio em Deus em teoria, mas hesito em entregar áreas concretas da vida. Esse reconhecimento não é derrota; é convite. Deus usa essas incoerências para nos conduzir a uma fé mais encarnada, menos idealizada e mais real.

A maturidade espiritual não consiste em saber mais, mas em viver melhor o que já sabemos. Com o tempo, Deus nos chama a alinhar discurso e prática, crença e conduta. A fé vivida não é barulhenta; ela é perseverante. Ela se manifesta nos pequenos atos de fidelidade diária, muitas vezes invisíveis aos outros, mas plenamente vistos por Deus.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Posso fazer sexo quando estou de jejum?

Eu sou uma Esposa de Fé

Sermão para aniversário - Vida guiada por Deus