Liberdade como chamado: A Fé vivida no mundo
A liberdade ocupa um lugar central na experiência humana, mas raramente é compreendida de forma plena. No discurso contemporâneo, ela costuma ser associada à autonomia absoluta, à ausência de limites e à afirmação irrestrita da vontade individual. A fé cristã, porém, apresenta uma compreensão mais profunda e exigente. A liberdade não é apenas um direito a ser defendido, mas um dom a ser vivido com responsabilidade diante de Deus e do próximo.
A Escritura revela que a liberdade não nasce do acaso nem da organização social, mas do próprio Criador. O ser humano é criado com dignidade, consciência e capacidade moral, chamado a responder livremente à vontade de Deus. Essa liberdade não é neutralidade espiritual; ela carrega direção. Desde o princípio, a liberdade humana é apresentada como vocação: viver de modo responsável dentro da ordem criada, reconhecendo Deus como Senhor.
Quando a liberdade é desconectada de sua fonte, ela se degenera. Em vez de conduzir à vida, passa a produzir fragmentação, opressão e perda de sentido. A fé cristã afirma que a verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que se deseja, mas em viver de acordo com aquilo para o qual fomos criados. Por isso, liberdade e obediência não são opostas, mas complementares.
Viver a fé no mundo significa exercer essa liberdade de forma concreta. O cristão não é chamado ao isolamento, nem à dominação, mas à presença responsável. A liberdade cristã se expressa em escolhas éticas, no compromisso com a justiça, na defesa da dignidade humana e na participação consciente na vida social. Trata-se de uma fé que não foge do mundo, mas também não se conforma a ele.
Esse chamado exige discernimento. Nem toda possibilidade disponível é moralmente legítima. Nem toda escolha permitida edifica. A liberdade cristã é guiada pela verdade, pelo amor e pela responsabilidade diante de Deus. Ela reconhece limites não como prisão, mas como proteção.
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