O Filho do Homem: identidade, autoridade e esperança

 Entre os muitos títulos atribuídos a Jesus, poucos são tão densos e, ao mesmo tempo, tão discretos quanto “Filho do Homem”. Longe de ser uma simples referência à humanidade, essa expressão carrega um peso teológico profundo, enraizado nas Escrituras de Israel e carregado de esperança escatológica. Ao utilizá-la para falar de si mesmo, Jesus escolhe um caminho que revela e oculta, confronta e convida.

Nas tradições veterotestamentárias, especialmente nas visões proféticas, o “Filho do Homem” aparece como figura representativa do povo santo, mas também como alguém investido de autoridade divina. Trata-se de uma imagem que une céu e terra, sofrimento e exaltação. Essa tensão é fundamental para compreender a identidade e a missão de Jesus.

Nos Evangelhos, o título surge em contextos decisivos. Ele é usado quando Jesus fala de sua autoridade para perdoar pecados, de seu caminho de sofrimento e de sua futura vindicação. Não é um título imposto por outros; é a forma escolhida por Jesus para interpretar a própria missão. Ao fazê-lo, Ele se afasta de expectativas políticas imediatas e aponta para um Reino que se estabelece por meios inesperados.


O Filho do Homem não se apresenta como conquistador armado, mas como servo obediente. O caminho passa pela rejeição, pela cruz e pela entrega. Essa escolha revela uma verdade central da fé cristã: a autoridade divina não se manifesta pela dominação, mas pela fidelidade. O sofrimento não é sinal de fracasso, mas parte do desígnio redentor.

Ao mesmo tempo, o título aponta para o futuro. O Filho do Homem é aquele que será exaltado, que virá com glória e estabelecerá justiça. A esperança cristã não se limita ao presente; ela olha para a consumação da história. Essa expectativa não gera escapismo, mas perseverança. Saber que a história caminha para a restauração sustenta a fidelidade no presente.

Essa visão moldou profundamente a espiritualidade da Igreja primitiva. Os cristãos aprenderam a viver entre o “já” e o “ainda não”, entre a cruz e a glória. O Filho do Homem reina, ainda que de modo velado. Seu governo não se impõe pela força, mas se afirma na fidelidade daqueles que permanecem firmes em meio às pressões.

Recuperar essa compreensão é essencial em tempos de triunfalismo ou desalento. O título “Filho do Homem” lembra que a identidade de Jesus une humildade e majestade, sofrimento e esperança. Ele é o Senhor que caminha com os seus, que compartilha a dor humana e que, ao final, trará justiça e restauração plenas.

Viver à luz dessa verdade é aprender a perseverar com confiança. O Filho do Homem já foi revelado, já venceu, e sua vitória orienta o presente e ilumina o futuro.

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