Obras das mãos humanas: quando o visível revela o invisível
Introdução
Na Epístola de Tiago, a fé não é avaliada apenas por intenções, mas pelo que se constrói, se usa e se faz. Tiago recorre a obras das mãos humanas — enxerto, espelho, leme, vestes e estrado — para ensinar verdades espirituais profundas. São objetos comuns que, observados com atenção, denunciam coerência ou contradição. O invisível do coração se torna visível nas obras.
O enxerto: palavra recebida que transforma
“Recebei com mansidão a palavra em vós enxertada” (Tg 1.21, ARA).
O enxerto pressupõe corte, união e tempo. Não é superficial. Assim também a Palavra: não adorna por fora; transforma por dentro. Recebê-la com mansidão é permitir que ela se una à vida e produza novo fruto.
O espelho: ver sem praticar é autoengano
“Aquele que ouve a palavra e não a pratica é semelhante a um homem que contempla no espelho o seu rosto” (Tg 1.23–24, ARA).
O espelho não existe para admiração, mas para correção. Ver e ir embora sem ajuste é autoengano. Tiago confronta uma fé informada, porém não transformada.
O navio e o leme: direção, não tamanho
“Vede também os navios… são dirigidos por um pequeníssimo leme” (Tg 3.4, ARA).
Não é a força do vento que define o rumo, mas a direção escolhida. Pequenas decisões — palavras, hábitos, prioridades — governam grandes destinos.
Vestes, anel e estrado: fé sem acepção
“Entrando alguém com anel de ouro… e também um pobre…” (Tg 2.2–3, ARA).
Objetos revelam valores. Honrar pela aparência e rebaixar pela pobreza expõe uma fé capturada por critérios do mundo. A obra humana aqui é o gesto — e o gesto denuncia o coração.
Conclusão
Tiago nos chama a olhar para o que fazemos com as mãos. Nossas obras — grandes ou pequenas — revelam quem governa o interior. A fé madura constrói com sabedoria, usa com justiça e age com amor. O caminho antigo permanece: o invisível se comprova no visível.
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