Quando o acumulo de riquezas acusa

 

Introdução

Na Epístola de Tiago, a fé prática alcança também o modo como lidamos com bens, posses e segurança material. Tiago não demoniza a riqueza, mas confronta a ilusão de permanência que ela pode produzir. Para isso, ele recorre a imagens simples e incisivas: a traça, a ferrugem e a corrupção. São sinais silenciosos de que aquilo em que confiamos pode estar se desfazendo sem que percebamos.


A parábola da traça: corrupção silenciosa

“As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas roupas, comidas de traça” (Tg 5.2, ARA).

A traça não destrói com barulho. Ela corrói no escuro. Tiago escolhe essa imagem para revelar um perigo espiritual discreto: o acúmulo que substitui a confiança em Deus. Roupas guardadas em excesso — símbolo antigo de status — tornam-se testemunhas contra o dono. O problema não é possuir, mas reter para si, ignorando a justiça e a misericórdia.


Ouro e prata que enferrujam: falsa segurança

“O vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugem” (Tg 5.3, ARA).

Metais nobres não deveriam enferrujar; a imagem é intencionalmente paradoxal. Tiago denuncia a segurança falsa depositada no que não pode salvar. A ferrugem, diz ele, testemunhará — os próprios bens tornam-se prova de uma vida centrada no acúmulo, não no Reino.


Riqueza que acusa: justiça adiada

“O salário dos trabalhadores… clama” (Tg 5.4, ARA).

Aqui a linguagem se intensifica: a injustiça ganha voz. Tiago mostra que riqueza obtida ou mantida à custa do outro não é neutra; ela clama diante de Deus. A fé prática exige justiça nas relações econômicas, integridade no trabalho e responsabilidade com quem depende de nós.


O ensino de Jesus em eco

Tiago caminha em plena sintonia com Jesus:

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem” (Mt 6.19, ARA).

O alerta não é contra planejamento, mas contra idolatria do acúmulo. Onde está o tesouro, ali estará o coração.


Conclusão

A traça de Tiago nos chama à vigilância. Aquilo que guardamos pode estar nos guardando — ou nos prendendo. A fé madura aprende a usar os bens sem ser usada por eles. O caminho antigo permanece seguro: generosidade, justiça e confiança em Deus. O que é entregue no amor permanece; o que é retido por medo se corrói.

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