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A Vergonha Não Define Você

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 A vergonha é uma das dores mais silenciosas da alma. Diferente da culpa, que diz “eu fiz algo errado”, a vergonha sussurra “há algo errado comigo”. Ela toca identidade, valor e pertencimento. A primeira menção à vergonha aparece logo após a Queda. Adão e Eva percebem que estão nus e se escondem (Gênesis 3:7–10). O pecado não trouxe apenas culpa; trouxe exposição, medo e distanciamento. Desde então, a humanidade convive com a tentativa constante de cobrir-se — com desempenho, imagem, controle ou silêncio. A vergonha cresce em ambientes de rejeição. Palavras duras, abandono, abuso ou fracasso reiterado podem formar narrativas internas de inutilidade. A pessoa passa a acreditar que é indigna de amor ou respeito. Contudo, o evangelho interrompe essa história. Hebreus declara que Cristo suportou a cruz, desprezando a vergonha (Hebreus 12:2). A cruz era instrumento de humilhação pública. Jesus não apenas levou culpa; Ele assumiu desonra. Ele entrou na experiência da rejeição para red...

Entre o Desejo e a Sepultura

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 As Escrituras descrevem o pecado como algo que promete prazer, mas conduz à morte. Provérbios afirma que certos caminhos parecem agradáveis aos olhos, mas terminam em destruição (Provérbios 14:12). A dependência é exatamente essa dinâmica: um convite sedutor que oculta suas consequências. O vício não começa com intenção de escravidão. Ele nasce de um desejo legítimo que se torna absoluto. O coração humano foi criado para adorar a Deus, mas, quando desloca essa adoração para substâncias, comportamentos ou prazeres, instala-se a idolatria. Jesus declarou que todo aquele que pratica o pecado torna-se escravo dele (João 8:34). A dependência é forma intensificada dessa escravidão. O que inicialmente parecia escolha transforma-se em domínio. A raiz não está apenas no hábito externo, mas no coração. Tiago ensina que cada um é tentado pela própria cobiça, que o atrai e seduz (Tiago 1:14–15). A luta contra o vício exige mais do que força de vontade; exige transformação interior. A boa ...

Relacionamentos que Curam

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 A fé cristã nunca foi projetada para ser vivida em isolamento. Desde o princípio, Deus declarou que não é bom que o homem esteja só. A redenção em Cristo não apenas reconcilia o pecador com Deus, mas também o insere em uma nova comunidade: o corpo de Cristo. A vida cristã é, portanto, relacional por natureza. O Novo Testamento apresenta inúmeros mandamentos que só podem ser obedecidos em comunidade: amar uns aos outros (João 13:34), levar as cargas uns dos outros (Gálatas 6:2), perdoar uns aos outros (Efésios 4:32) e encorajar uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11). Esses imperativos revelam que o cuidado mútuo não é acessório da fé; é expressão essencial dela. Relacionamentos significativos exigem intencionalidade. Aproximar-se de alguém requer humildade e disposição para ouvir. Tiago ensina que devemos ser prontos para ouvir e tardios para falar (Tiago 1:19). A escuta atenta comunica valor e cria espaço para que o outro seja compreendido. Muitas vezes, o cuidado começa com si...

Graça Revelada na Generosidade

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  Quando a Graça Vira Generosidade A generosidade cristã não começa no bolso. Começa no coração regenerado pela graça. Antes de ser um ato financeiro, é um movimento espiritual. O evangelho não nos ensina apenas a dar; ele nos ensina a viver como quem recebeu tudo. A Escritura afirma: “Porque vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês” (2 Coríntios 8:9). A generosidade nasce desse escândalo santo: Deus se entrega. A cruz é o maior ato de doação da história. Não foi transação; foi entrega voluntária, motivada por amor redentor. Quando compreendemos isso, dar deixa de ser obrigação e passa a ser resposta. A raiz bíblica da generosidade Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus foi chamado a refletir o caráter do Senhor por meio do cuidado com o necessitado. A lei ordenava que não se colhesse totalmente os campos, para que o pobre tivesse o que recolher (Levítico 19:9-10). O dízimo sustentava o culto e também amparava o estrang...

Jeremias 29:11 Não É Sobre Sua Promoção

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Entre as falácias exegéticas mais comuns nos púlpitos está a apropriação individualista de promessas que, no contexto original, foram dirigidas a situações históricas específicas. Um exemplo recorrente é o uso de Jeremias 29:11 como garantia pessoal imediata de prosperidade, sucesso profissional ou realização individual. O versículo afirma que Deus tem “planos de paz e não de mal”. Em muitos sermões, esse texto é apresentado como promessa direta de crescimento financeiro, estabilidade emocional ou ascensão ministerial. Contudo, quando analisado em seu contexto literário e histórico, percebe-se que a declaração foi feita a uma comunidade específica: os exilados em Babilônia. O cenário não era de promoção, mas de juízo. O povo havia sido deportado por causa de sua infidelidade. A promessa não indicava libertação imediata, mas um período prolongado de disciplina — setenta anos de exílio. A palavra de esperança estava inserida dentro de um chamado à perseverança em terra estrangeira, const...

Resenha obra de Sidney Greidanus – Pregando Cristo a partir de Gênesis

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  Autor: Sidney Greidanus Área: Homilética e Teologia Bíblica Editora: Cultura Cristã A obra Pregando Cristo a partir de Gênesis insere-se no campo da homilética bíblica com uma proposta metodológica clara: demonstrar como o livro de Gênesis pode e deve ser pregado de forma cristocêntrica sem recorrer a alegorias artificiais ou leituras desconectadas do sentido original do texto. O autor parte do princípio de que a pregação cristã fiel precisa respeitar a progressão da revelação bíblica e a unidade das Escrituras. Greidanus argumenta que Gênesis, embora pertença ao Antigo Testamento, ocupa um lugar fundamental na história da redenção. Por meio de uma leitura histórico-redentiva, o autor demonstra como temas como criação, queda, promessa, aliança e eleição apontam progressivamente para a obra de Cristo. O livro evita interpretações forçadas e defende que a cristocentricidade legítima nasce do próprio texto, quando este é interpretado dentro do cânon bíblico como um todo. M...

A Bíblia Não Precisa de Ajuda: Falácias Exegéticas que Precisam Ser Corrigidas

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Sugestões de títulos impactantes Erros que Distorcem a Palavra: Exemplos de Falácias Exegéticas Quando o Grego Vira Pretexto: Exemplos de Interpretações Forçadas Falhas no Púlpito: Como Pequenos Erros Geram Grandes Distorções Exegese ou Imaginação? Exemplos que Precisam Ser Confrontados A Bíblia Não Precisa de Truques: Erros que Precisam Ser Abandonados Quando a Interpretação Trai o Texto: Exemplos de Falácias Exegéticas A falha exegética raramente é fruto de má intenção. Muitas vezes nasce do entusiasmo, do desejo de impressionar ou da tentativa de extrair do texto mais do que ele realmente oferece. No entanto, boas intenções não corrigem métodos ruins. A Escritura deve ser interpretada com precisão, e não com criatividade descontrolada. Um exemplo clássico é o abuso etimológico. Imagine alguém pregando sobre a palavra grega para “igreja” (ekklesia) e afirmando que ela significa literalmente “os chamados para fora”, construindo então uma teologia inteira baseada na ideia de que a igre...